Imóveis

Preço dos aluguéis na cidade sobe 15% em um ano

Situação dos inquilinos é agravada pela diminuição das ofertas de apartamentos e casas para locação

Por: Manuela Nogueira

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A bióloga Bruna: há seis meses em busca de uma boa oportunidade (Foto: Fernando Moraes)

No clima de festa motivado pelo crescimento contínuo dos negócios imobiliários da cidade nos últimos anos, um personagem importante do mercado não tem nenhuma razão para comemorar: o inquilino. Há tempos não se via um cenário tão desfavorável para ele. De acordo com um levantamento recente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), o preço do aluguel residencial subiu, em média, 15% nos últimos doze meses. Em alguns casos, no entanto, como as residências de quatro dormitórios de bairros nobres da Zona Leste, o aumento chegou a 54%. Para efeito de comparação, o índice de inflação (IPC-Fipe) no mesmo período foi de 6%. Trata-se da maior valorização da locação em pelo menos cinco anos.

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A principal explicação para esse boom é a velha lei da oferta e da procura. “Passamos por um déficit habitacional”, afirma Roseli Hernandes, diretora comercial da Lello, uma das maiores imobiliárias de São Paulo. Um levantamento da empresa revela que, entre 2008 e 2010, o número de inquilinos subiu 27% e a quantidade de imóveis disponíveis diminuiu 25%. De um lado, o fortalecimento econômico faz com que mais executivos e estudantes venham morar temporariamente na cidade. Do outro, os investidores têm preferido aplicar no mercado financeiro. “Antigamente, quando havia o lançamento de um prédio residencial, eles adquiriam muitas unidades para depois colocá-las no mercado de locação”, aponta Roseli. “Hoje, estão comprando menos.” Para suprir a carência de habitações, ela ampliou sua equipe de house hunters, isto é, profissionais que varrem a capital numa caça aos imóveis. Enquanto isso, as filas de espera devem continuar. 

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Roseli, da Lello: investimento para conseguir novas opções no mercado (Foto: Cida Souza)

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A bióloga Bruna Rippe está no grupo de pessoas que andam sofrendo para encontrar uma boa oportunidade. Há seis meses ela vasculha a região central em busca de um apartamento de um quarto. Já passou por vinte imobiliárias e não conseguiu resolver o problema. “Visitei muitos locais, mas em cada ocasião tive um problema diferente: o endereço ficava numa rua perigosa, custava além do meu orçamento ou já estava prometido a outro cliente”, diz. Ao mesmo tempo, quem possui um contrato em vigência faz de tudo para prorrogá-lo no momento. Com medo de perder o apartamento onde mora na Vila Madalena, a cientista social Ana Luiza Mendes Borges topou pagar o dobro na hora de renovar recentemente o acordo. “Achei o aumento um absurdo, mas aceitei porque gosto muito de morar aqui”, afirma.

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Tatuapé: um dos bairros mais inflacionados (Foto: Apu Gomes/Folhapress)

Alguns proprietários de imóveis vagos para locação aproveitam a maré favorável para embutir nos contratos novas exigências aos inquilinos, como a apresentação de um fiador com dois imóveis na capital. Uma alternativa a isso é a confecção do seguro-fiança, que, em caso de calote, reembolsa o proprietário dos aluguéis atrasados em trinta dias. Em algumas imobiliárias, como a Liboredo Negócios, na Zona Oeste, metade dos contratos já é fechada com esse tipo de garantia. O inconveniente do negócio é o preço: como o custo do seguro-fiança corresponde ao valor de 1,5 aluguel a cada doze meses, a apólice também ficou bastante inflacionada.

Os imóveis que subiram acima da média no último ano:

1 dormitório no centro: 29%

2 dormitórios em Higienópolis, Itaim, Jardins e Moema: 30%

3 dormitórios no Butantã e no Jaguaré: 25%

4 dormitórios no Belém, Mooca e Tatuapé: 54%

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO