Perfil

Barões do luxo

Quem são, o que pensam e que feudos comandam os homens-chave do setor

Por: Redação VEJA SÃO PAULO - Atualizado em

FRANÇOIS-HENRI PINAULT
François-Henri Pinault: primeiro dos três herdeiros da fortuna familiar de 8,7 bilhões de dólares (Foto: Kai Juenemann)

FRANÇOIS-HENRI PINAULT

Seu pai, François Pinault, é o homem por trás de negócios franceses legendários, como a loja de departamentos Printemps e o catálogo La Redoute. Primeiro dos três herdeiros da fortuna familiar de 8,7 bilhões de dólares (a 77ª maior do mundo, no ranking da revista ‘Forbes’), tem uma filha de 3 anos com a mulher, a atriz Salma Hayek. Em 1999, Pinault pai arrematou, por 3 bilhões de dólares, 42% da italiana Gucci. Também adquiriu o prêt-à-porter e os cosméticos Yves Saint Laurent. Por fim, incorporou ao seu portfólio Boucheron e Bottega Veneta.

Formado em administração, François-Henri entrou no grupo PPR — do original Pinault-Printemps-Redoute — como vendedor, em 1987. Galgou posições até sentar-se, em 2005, na cadeira de CEO, aos 42 anos. A passagem de bastão deu-se de forma devidamente luxuosa. Pai e filho foram ao L’Ami Louis, um bistrô de 1924. No meio do jantar, Pinault sênior tirou do bolso três alianças, criadas para a ocasião pelo amigo Joel Arthur Rosenthal (um dos joalheiros mais exclusivos do mundo). Cada anel continha três itens gravados: 1963, data da fundação da companhia; 2003, marcando a transmissão de poder; e um ponto de interrogação, para o futuro. Junto com as joias, a chave do escritório do pai, que se aposentava para dedicar-se à coleção de arte — são mais de 2 000 peças de oitenta artistas como Picasso e Mondrian, conjunto avaliado em 1,4 bilhão de dólares.

■ SEU IMPÉRIO: a parte alto padrão do PPR fica sob o guarda-chuva do Grupo Gucci. Ali figuram, além das grifes adquiridas logo na entrada de Pinault no mercado AAA, Balenciaga, Stella McCartney, Sergio Rossi e Alexander McQueen. Em 2009, o PPR faturou 16,5 bilhões de euros, dos quais 20% vieram da divisão luxo. Quase 45% das vendas se concentram na França.

■ FAMA: é considerado humilde em relação à origem biliardária, racional nos negócios e simpático no tratamento.

■ FILOSOFIA: “Luxo depende de três pilares inseparáveis: qualidade, criatividade e sinceridade. É uma maneira de sonhar, uma das necessidades fundamentais do ser humano”.   

 

BERNARD ARNAULT - Luxo - 2191a
Bernard Arnault: ergueu o conglomerado LVMH, o Moët-Hennessy-Louis Vuitton (Foto: Eric Piermont / AFP)

BERNARD ARNAULT

Aos 61 anos, o empresário francês, formado em engenharia, tem uma fortuna de 27,5 bilhões de dólares. É o europeu mais rico do mundo e o sétimo colocado na lista dos bilionários da revista ‘Forbes’. Sua primeira aquisição de marcas famosas foi em 1984, quando comprou o conglomerado Agache-Willot, dono da Christian Dior na época. Pagou 80 milhões de dólares — até então, tinha uma empresa que construía casas na França e nos Estados Unidos. A partir daí, ergueu o conglomerado LVMH, o Moët-Hennessy-Louis Vuitton, hoje o maior do mundo.

■ SEU IMPÉRIO: Arnault está à frente de 21 marcas de bebidas alcoólicas, entre elas os champanhes Dom Pérignon e Veuve Clicquot. Possui treze grifes de moda e acessórios, como Givenchy e Marc Jacobs, num total de 2 468 lojas pelo mundo, e detém 17% da Hermès. Controla sete fabricantes de relógios e joias (TAG Heuer e Chaumet, por exemplo), além de investir em editoras de revistas e montadoras de iates. No primeiro semestre de 2010, o LVMH faturou 9,1 bilhões de euros, 16% mais do que no mesmo período do ano passado.

■ FAMA: de agressivo e impiedoso nos negócios.

■ FILOSOFIA: “Gosto de transformar criatividade em lucro.”

 

JOHANN RUPERT - Luxo - 2191a
Johann Rupert:Ocupa a 421ª posição no ranking de bilionários da revista 'Forbes', com 2,3 bilhões de dólares (Foto: Ross Kinnaird/Getty Images)

JOHANN RUPERT

Nascido em Johanesburgo, na África do Sul, o empresário de 60 anos é filho do magnata Anton Rupert, fundador do grupo Richemont. Ocupa a 421ª posição no ranking de bilionários da revista ‘Forbes’, com 2,3 bilhões de dólares. Sediado na Suíça, o Richemont nasceu nos anos 80, quando Anton comprou ações da joalheria Cartier e da fabricante de roupas masculinas Dunhill. Na década de 90, foi o único a concorrer com o LVMH. Atualmente, é um dos maiores conglomerados de luxo do mundo e o mais indicado pelo banco Goldman Sachs para investimentos em ações de empresas do setor. Antes de se juntar à empresa do pai, em 1985, o ex-estudante de economia passou pelo Chase Manhattan e fundou um banco em seu país natal. Assumiu como CEO em abril último. Louco por golfe, é proprietário de um dos clubes mais exclusivos da África.

■ SEU IMPÉRIO: entre março de 2009 e 2010, faturou 5,1 bilhões de euros — 52% dessa cifra vem de pratas da casa como as joalherias Cartier e Van Cleef & Arpels. Mas o grosso das marcas se concentra na fina relojoaria. Pertencem ao Richemont nada menos que sete fabricantes de relógio, entre os quais Vacheron Constantin, Baume & Mercier e Jaeger-LeCoultre. Lange & Söhne e as marcas de moda Chloé e Azzedine Alaïa completam o rol estrelado.

■ FAMA: de esquivo a aparições públicas, conservador nos investimentos e paciente para reerguer marcas caídas.

■ FILOSOFIA: “Não queremos vender coisas para as quais precisamos dar desconto duas vezes por ano. A integridade do produto é o mais importante.”

 

Giorgio Armani - 2191a - Luxo
Giorgio Armani: tido como detalhista e controlador na imagem da marca (Foto: Divulgação)

GIORGIO ARMANI

Um dos estilistas mais ricos do mundo, acumulou ao longo de seus 76 anos de vida 5,3 bilhões de dólares (é o 144º na lista da revista ‘Forbes’). Seu patrimônio cresce em progressão geométrica desde 1975, quando fundou sua empresa, com capital inicial de 10 000 dólares. Sete anos depois, estampava a capa da revista ‘Time’ com a chamada “Giorgio’s Gorgeous Style” (em inglês, “O magnífico estilo de Giorgio”). A publicação o responsabilizava por redefinir o uniforme de trabalho do homem e da mulher, ao criar ternos menos rígidos — ele privilegiava tecidos como o jérsei de lã e o linho, bem mais molengos que as lãs e flanelas inglesas de então. Na década de 90, Armani enxergou em Hollywood a ferramenta ideal para a publicidade do seu estilo e, com a ajuda de uma poderosa relações-públicas em Beverly Hills, passou a emprestar às atrizes roupas para elas pisarem no tapete vermelho. Armani não só revolucionou o gosto americano como criou uma indústria do empréstimo e da veiculação do “quem veste o quê” em eventos como o Oscar. Hoje nenhum jornalista pensa em cobrir cerimônia alguma sem perguntar a Angelina Jolie o que ela está usando.

■ SEU IMPÉRIO: Giorgio Armani é uma empresa privada. O designer, sozinho, é proprietário do grupo, que reúne de hotel a ateliê de alta-costura (o Armani Privé, lançado em 2005). Entre a moda e a linha de artigos para casa, somam-se 500 lojas em 46 países. Em 2009, o grupo faturou 6 bilhões de euros. Sua sobrinha, Roberta, é seu braço direito e diretora de comunicação da casa.

■ FAMA: é tido como detalhista e controlador na imagem da marca, no feitio da barra de um vestido e até na porção de molho de tomate que lhe servem em restaurantes. Empreendedor e visionário nos negócios.

■ FILOSOFIA: “Tentei criar um novo senso de elegância. Não é fácil, pois as pessoas querem ser chocadas. Elas desejam a explosão fashion. Mas as explosões acabam, desaparecem imediatamente e não deixam nada além de cinzas. Minha filosofia é evolução, e não revolução.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO