Consumo

A moda agora é customizar bicicletas

Oficinas fazem modelos artesanais sob medida para os clientes

Por: Claudia Jordão

Low Bike de Antonio Carlos Batista Filho
Low Bike de Antonio Carlos Batista Filho (Foto: Fernando Moraes)

Alteradas, feitas sob encomenda ou montadas com peças de marcas diferentes, as bicicletas também podem ser únicas. Importada dos Estados Unidos e da Europa, essa moda chegou a São Paulo graças ao trabalho de alguns proprietários de pequenas oficinas. Os integrantes da turma customizam, projetam e montam modelos a partir de componentes produzidos por eles ou vindos de fora, como o desejado banco inglês Brooks, que é feito a mão e se adapta ao corpo do ciclista. Apesar dos preços (a brincadeira começa na faixa de 1.000 reais), eles não estão dando conta da quantidade de encomendas atuais. “Há dois anos, eu entregava dois pedidos por mês”, afirma Igor Miyamura, que constrói quadros e trabalha em Ibiúna, a 70 quilômetros da capital. “Hoje, entrego quinze.” Quem o procura precisa aguardar até dois meses para receber a peça. “Nos dias que antecedem as férias, o movimento fica ainda maior”, diz o artesão.

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Cada profissional agrada mais a um perfil específico de cliente. Miyamura é procurado pela tribo que curte bicicletas fixas (sem marchas e, às vezes, sem freio). Nesse caso, com 1.000 reais, é possível ter um bom exemplar. Quem prefere veículos velozes costuma bater à porta do construtor Klaus Poloni, dono de uma oficina no município de Pedreira, a 130 quilômetros de São Paulo. Seus quadros, feitos de material de ponta, levam pelo menos quarenta dias para ficar prontos e custam cerca de 5.000 reais.

O artesão Fedric Kessuane, com um ponto na Vila Formosa, na Zona Leste, é especializado em modelos de passeio e faz versões completas com bancos rebaixados e garfos longos, conhecidas como low bikes, a partir de 1.800 reais. Esse estilo nasceu na comunidade latina dos Estados Unidos nos anos 60 e, associado ao movimento hip-hop, ganhou com o passar do tempo adeptos em outras partes do mundo. Geralmente, o ciclista que opta por essa encomenda busca exclusividade e perfeição. “Já tive muitos tipos, mas só esse veste o meu corpo como uma roupa”, afirma o empresário Richard Dünner, de 58 anos, um dos clientes de Poloni.

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A loja Tag and Juice, na Vila Madalena, trabalha como se fosse uma alfaiataria sobre duas rodas. Seus funcionários tiram as medidas dos clientes e enviam as informações a oficinas no Chile ou nos Estados Unidos, que fazem as peças customizadas e seguem outras especificações pedidas, da cor ao material do quadro. Depois de tudo pronto, os artefatos são remetidos ao Brasil para a montagem. O processo dura em média 45 dias e custa a partir de 3.000 reais. “Estamos em operação há um ano e já vendemos quarenta bicicletas sob medida”, conta Pablo Gallardo, sócio da Tag and Juice.

 

MODELOS PERSONALIZADOS DE BIKES

Categoria: fixa

Artesão: Igor Miyamura

Características: quadro de aço sob medida e inclinação do selim de 72,4 graus

Preço: a partir de 1.000 reais

Bike fixa, de Igor Miyamura
Bike fixa, de Igor Miyamura (Foto: Fernando Moraes)

 

Categoria: low bike

Artesão: Antonio Carlos Batista Filho

Característica: modelo Manhattan Flyer 1999 modificado. As antenas, os paralamas e os suportes de roda foram inspirados num Cadillac 1939

Preço: 4.000 reais

Low Bike de Antonio Carlos Batista Filho
Low Bike de Antonio Carlos Batista Filho (Foto: Fernando Moraes)

 

Categoria: cruiser híbrida

Artesão: Fedric Kessuane

Característica: estilo rat bike (sem pintura, a bicicleta é valorizada pela ferrugem que se acumula com o tempo)

Preço: a partir de 2.500 reais 

Bike Cruiser Híbrida de Fedric Kessuane
Bike Cruiser Híbrida de Fedric Kessuane (Foto: Fernando Moraes)

 

Categoria: low bike

Artesão: Antonio Carlos Batista Filho

Característica: Schwinn 1968 restaurada. O modelo ganhou nova cor e protetores de corrente (em forma de AK-47) artesanais

Preço: a partir de 3.000 reais 

Low Bike de Antonio Carlos Batista Filho
Low Bike de Antonio Carlos Batista Filho (Foto: Fernando Moraes)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO