Cabelos

Cabeça feita à francesa

Com coleção de 140 presilhas, tiaras e pinces feitas a mão, desembarca no Shopping Cidade Jardim a primeira loja na América Latina da grife Alexandre de Paris

Por: Simone Esmanhotto - Atualizado em

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Nos anos 50, mulheres de closet perfeito – inclusive entre as festas regadas à uísque e champanhota entre os casarões da Avenida Paulista e os apartamentões da Praça da República – vestiam Chanel, Balenciaga, Dior e Balmain. Mas a etiqueta não se limitava à roupa. A cereja do look, por assim dizer, estava no penteado imóvel e impecável de tanto laquê e, acima de tudo, igualmente “alta costura”. De preferência, assinado por Louis Alexandre Raimon, um francês que desde o berço já nadava entre o jet set: ele nasceu em St. Tropez, em 1922. Depois de passar a infância inventando ondas nas madeixas de bonecas, da mãe e da avó, Louis rumou para Cannes e virou aprendiz de Antoine de Paris, na época uma grife no universo dos cabelos. Com o mestre das escovas, Louis aprendeu as técnicas e adaptou ao seu nome a pompa do apelido, transformando-se em Alexandre de Paris, como que estabelecendo-se como segunda geração da linhagem de haut coiffeurs.

A cliente definitiva para seu estrelato foi Wallis Simpson, a Duquesa de Windsor. Convidada para o casamento de Aga Khan III em 1946, viu o penteado da noiva, Yvette Labrousse, gostou e experimentou o autor da façanha. Alexandre de Paris permaneceu seu cabeleireiro por três décadas e a Duquesa abriu as portas dos melhores salões para ele. Em 1957, foi a vez de Antoine abrir as portas do salão na Rue du Faubourg Saint-Honoré. Dali, se seguiu uma clientela que inclui Grace Kelly, Jacqueline Kennedy, Elizabeth Taylor (inclusive para o filme Cleópatra) e centenas de milionárias mundo afora. “De Paris, ele mandava croquis de penteados para clientes de São Paulo, que levavam para o cabeleireiro daqui reproduzir para elas usarem numa festa ou num casamento”, diz Isabel Abucham Candido, empresária que abre amanhã, terça-feira (7), no Shopping Cidade Jardim, a primeira loja Alexandre de Paris da America Latina.

Com 20 m2, o endereço paulistano é a primeira no mundo com nova arquitetura de interiores, mais clean e moderninha, com toques de preto, dourado e verde em oposição ao projeto anterior, branco, dourado e rococó, que começa a caducar a partir de agora. Nas prateleiras iluminadas, haverá cerca de 140 variações de pentes, presilhas, tiaras e pinces – que, em português, cai no nada charmoso “piranha” –, numa linha completa de acessórios para cabelos. A maioria é feita de acetato francês e italiano, manipulados por artesãos da cidadezinha de Arbent, cujos menos de 4 mil habitantes têm tradição na arte de transformar chifres de búfalo em objetos finos. Mas há opções de couro e tecido,  inclusive para crianças.

Alexandre de Paris criou a linha de bijoux para cabelos em 1971. A fama veio no segundo casamento de Caroline de Mônaco, com Stephano Casiraghi, em 1983. Caroline usou os pentes Vêndome, inspirado do obelisco da Praça Vêndome, um cilindro decorado com relevos em espiral. Neles, Alexandre encaixou fios de ouro, numa referência à praça que reúne o maior número de joalheiros finos por metro quadrado da capital francesa. “Eu me expresso através dos cabelos. Por eles posso traduzir os meus sonhos”, disse o haut coiffeur, morto em 2008, aos 85 anos.

Chamado de “esfinge da coiffure” pelo amigo e poeta Jean Cocteau, Alexandre adotou a esfinge como símbolo da marca. Mas, ao contrario do que o apelido sugere, ele não usava de enigmas com as clientes. Seus conselhos para o penteado perfeito eram diretos: trocar de xampu a cada dois meses e escovar os cabelos antes de dormir 100 vezes. Na loja do Cidade Jardim, aprender a arte de se pentear à moda francesa não deverá ser um mistério. As vendedoras foram treinadas pela equipe parisiense para ensinar dois coques básicos para as clientes. Aqui, Isabel revela uma ou outra coisinha sobre a Alexandre de São Paulo.

VEJA SÃO PAULO LUXO – Brasileira adora cabelo comprido e solto. Como você vai convencê-las a prender a sua maior arma de sedução?

Isabel Abucham Candido – Ah, eu tenho cabelos compridos e uso soltos e sei que toda mulher, como eu, sempre carrega uma piranha na bolsa. Então, pensei: aqui não tem nenhum lugar que venda esse tipo de acessório mais bacana, mais bonito. E não dá para colocar algo de qualidade duvidosa quando você está bem vestida, certo? Por isso decidi trazer a marca.

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VEJA SÃO PAULO LUXO – A Alexandre de Paris tem cerca de 150 lojas, mais da metade delas na China. A demora para vir para o Brasil tem a ver com o fato de não termos a cultura, como as francesas, de fazer mil e um penteados no cotidiano?

Isabel Abucham Candido – De fato, brasileira não tem o hábito de prender os cabelos. Mas é algo tão chic, capaz de deixar qualquer uma bem arrumada até com a roupa mais básica que eu acho que vai ser algo incorporado ao look. Todas as nossas vendedoras foram treinadas para ensinar dois coques muito simples de fazer e com um resultado de elegância absurda e no ato. A gente fica boba de ver que é só puxar, torcer, colocar a presilha e pronto. Com o tempo, teremos um blog ensinando vários outros penteados. Eles demoraram, mas o presidente da marca, Sébastien Bailey, já estava louco para vir para cá. Começamos a conversar em setembro de 2010. A ideia é abrir mais uma loja em São Paulo em um ano e expandir para multimarcas.

VEJA SÃO PAULO LUXO – O que você selecionou para a Alexandre de Paris paulistana?

Isabel Abucham Candido – A marca é bem clássica, atemporal, não tem grandes acessórios de moda, coloridos. O que eu fiz foi eleger os best sellers mundiais: as piranhas, os pentinhos e tiaras que imitam tartaruga e as camélias. Na China, é uma loucura! Há fila de espera pelas camélias e a Alexandre de Paris é a fornecedora oficial da Chanel para esse acessório.

Fonte: VEJA SÃO PAULO