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Comportamento

O rei do camarote: a dura vida após a fama

Alexander de Almeida se queixa de assédio. Para quem ainda duvida: sim, ele existe. E é exatamente quem VEJA SÃO PAULO mostrou

5.nov.2013 | Atualizada em 7.nov.2013 por Redação VEJA SÃO PAULO

Quando uma pessoa vira personagem de uma capa de VEJA SÃO PAULO, é comum que sua vida mude bastante depois que a revista começa a circular. Afinal, são cerca de 300 000 exemplares impressos por semana e perto de 1 milhão de leitores, além de quase 2 milhões de visitantes únicos no site da publicação a cada trinta dias. Poucas reportagens, entretanto, se comparam à dos reis dos camarotes, da qual Alexander Augusto de Almeida, de 39 anos, é o perfilado principal.

+ Os sultões dos camarotes: frequentadores chegam a gastar 50 000 reais por noite em boates

No caso dessa capa, a repercussão foi potencializada por um vídeo produzido pela equipe de VEJA SÃO PAULO, no qual ele, em seu apartamento na Zona Leste, fala sobre os dez mandamentos de um rei do camarote. Em cinco dias, o vídeo alcançou quase quatro milhões de visualizações, virou meme em todo tipo de site e foi aproveitado por mais de vinte empresas, que lançaram campanhas inspiradas em bordões retirados da entrevista de Alexander. O empresário ganhou também uma fanpage no Facebook com mais de 173 000 fãs e o termo “rei do camarote” foi tuitado 90 181 vezes. Sua conta de Instagram saltou de 800 para 4 500 seguidores. No domingo (3), Alexander resolveu encerrá-la, assim como o perfil do Facebook. “Não aguentava mais ser zoado”, explicou ele ao repórter João Batista Jr., autor da matéria de capa, em uma longa troca de mensagens por celular.

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Alexander de Almeida: "Gasto para chamar atenção das gatas"
(Foto:

Fernando Moraes

)

Em meio a toda essa repercussão, surgiram também boatos na internet, como muitas vezes acontece em situações semelhantes, de que a história poderia não ser verídica. Segundo uma dessas versões, Alexander teria sido um personagem inventado pelo programa Pânico. Em matéria veiculada na terça (5), a produção do programa negou a informação. Não teria como fazer diferente. A versão mentirosa ganhou força na manhã da própria terça, com uma entrevista da Rádio Bandeirantes na qual o jornalista iniciou a conversa com Alexander falando o seguinte: “Confesso que até hoje eu tenho dúvida se você existe de verdade”. Antes disso, disse: “Será que ele chama Alexander mesmo? Será que ele é empresário mesmo?”. O empresário respondeu: "Foi uma brincadeira que vai ser usada posteriormente. Não é real. Daqui a uns dias vai ser divulgado para o público." A revista não foi procurada pela emissora para comentar tal absurdo.

Pautado para cobrir os hábitos dos paulistanos que mais gastam em camarotes de casas noturnas, fenômeno que cresce na cidade, o repórter João Batista Jr. realizou mais de trinta entrevistas durante dois meses. Foi pessoalmente a seis das casas noturnas mais caras de São Paulo: Pink Elephant, Ballroom, Provocateur, Disco, Royal e Wood’s . Ele também esteve na festa The 400 Club. Logo no início dessa apuração, o nome de Alexander foi um dos mais citados por hostesses, barmen, donos e frequentadores de boates como um dos fregueses que mais esbanjam nesses locais.

+ Em vídeo: os dez mandamentos do rei do camarote

O repórter esteve com ele em três baladas diferentes: Pink Elephant, Provocateur e Ballroom. Nesta última, na madrugada do dia 19 de outubro, Alexander gastou cerca de 50 000 reais. Na ocasião, pediu sessenta garrafas de champanhe Perrier-Jouet, cinco garrafas de champanhe Cristal (só não encomendou mais porque a casa não tinha mais produtos disponíveis em seu estoque), seis garrafas de vodca Absolut Flex, uma garrafa de uísque Royal Salute e incontáveis latas de Red Bull. Nas baladas, o empresário andava com um bolo de notas de 50 reais no bolso. “É para gorjetas”, explicou ele, que em uma das ocasiões da noite deu 150 reais para uma pessoa que conseguiu vaga para ele estacionar sua Ferrari na porta da Provocateur.

 A Ferrari 458, de 2012, comprada numa concessionária na Avenida Europa pelo empresário Alexander de Almeida
A Ferrari 458, de 2012, comprada numa concessionária na Avenida Europa pelo empresário Alexander de Almeida
(Foto:

Diógenes Muniz e Adriano Conter

)

A repercussão da reportagem e do vídeo que retrataram seus hábitos o deixou assustado. “Tem muita gente me ligando para criticar, comprei ontem mesmo dois carros blindados, pois estou com medo de sequestro”, contou na manhã de domingo. “Também tenho medo da Receita Federal vir atrás de mim”. Proprietário da Organização e Assessoria em Despachos 3A Ltda., registrada em 4 de abril de 2010 na Junta Comercial do Estado de São Paulo, Alexander queixou-se também da reação de alguns de seus clientes. “O Pan diz que irá me descredenciar”, afirmou, referindo-se ao ex-banco Panamericano. Procurado por VEJA SÃO PAULO, o banco não quis falar sobre o assunto.

A empresa de Alexander, A 3A, é especializada em administrar para alguns bancos a frota de veículos recuperados de pessoas inadimplentes. Entre outros serviços, ela atualiza a documentação, retira os automóveis dos antigos proprietários e guarda a frota em pátios de São Paulo até a realização do leilão judicial. É em nome da 3A que Alexander registrou a sua Ferrari 458, ano 2012, cuja placa começa com a letra F. Ela foi comprada da Auto Rosso Comércio de Veículos, uma concessionária de importados da Avenida Europa. Na segunda passada (4), Alexander contou a Diógenes Muniz, editor de vídeos da VEJA SÃO PAULO, que estava pensando em contratar uma assessoria para lidar com o assédio da imprensa. “Já procurei a 9Nine, do Ronaldo, para tratar disso”, disse. “Eles falaram para eu desaparecer, sumir do mapa.” Em nota oficial, a 9Nine, especializada em marketing esportivo e conhecida por ter o craque Ronaldo entre seus sócios, confirma a conversa, mas diz que o contato não foi adiante, pois a empresa trabalha exclusivamente com artistas e atletas.

Alexander também lamentou a Diógenes que não poderia ir a uma festa na noite da mesma segunda no Pikadeiro, em Moema, por causa do assédio que sofreria no local. “Vários amigos do Pânico vão estar lá”, disse. “Já implorei para eles não me zoarem no programa.” Antes de aparecer nas páginas da revista, Alexander já era uma figura bem conhecida na vida noturna da cidade. Em abril, por exemplo, apareceu numa festa da Ferrari realizada no hotel Unique e aproveitou para fazer fotos ao lado da modelo Carol Prado. No Instagram e no Facebook, postou dezenas de fotos mostrando cenas de sua vida de baladeiro.

Portanto, sim, Alexander existe. Mais do que isso, é um exemplo de um tipo que vem se proliferando nas casas noturnas paulistanas. Foi retratado nas páginas de VEJA SÃO PAULO, sem qualquer tipo de julgamento, por ter um comportamento que é comum entre um grupo de pessoas – por mais ultrajante que isso possa soar para alguns. O fato de ter gente gastando 50 000 reais em uma noitada é notícia – apesar de alguns jornalistas não entenderem ou fingirem que não entendem. É assim desde sempre. Em 1943, por exemplo, ficou famosa a reportagem do lendário jornalista Joel Silveira sobre as festa das famílias quatrocentonas de São Paulo, publicada em o Diário da Noite.

Alexander é mais um personagem retratado nos 28 anos de circulação de VEJA SÃO PAULO, que dedica suas páginas aos mais variados e relevantes temas da cidade: dos buracos de rua aos problemas de segurança, do desempenho dos prefeitos a campanhas como a despoluição dos nossos rios, do respeito ao meio ambiente a questões ligadas à diversidade, da discussão em torno das soluções para o trânsito à história da cidade, passando pelo que a capital oferece de melhor nas áreas de gastronomia e entretenimento – sem esquecer, é claro, dos personagens que chamam a atenção na cena paulistana. Independentemente do tema abordado, o rigor na apuração é sempre o mesmo. E os únicos compromissos da revista são com a verdade e com os leitores.

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