Comportamento

Alameda Itu: point de jovens gays

Embora os bares GLS migraram para outros lugares, a rua ainda atrai a moçada

Por: Paula Ungar - Atualizado em

Há um fenômeno curioso acontecendo na Alameda Itu, no trecho entre a Rua da Consolação e a Avenida Rebouças. O pedaço sempre reuniu bares e casas noturnas voltados para o público GLS. No número 1548, por exemplo, funcionou o lendário Clube Massivo, que fez fama na década de 90 e fechou as portas em 2002. Também marcaram passagem por ali o bar Hertz, a boate Pride e o clube Box. Ainda assim, a rua se transformou no maior point de jovens gays em São Paulo. Quem circula pela região já se acostumou a ver rapazes beijando rapazes e garotas beijando garotas. Eles passam a noite sentados nas calçadas e conversando em rodinhas no meio da pista. "É o nosso ponto de encontro", afirma a estudante Ísis de Laurentis, de 19 anos, freqüentadora costumeira do local. "Se vamos a alguma balada heterossexual, somos discriminadas. Aqui todo mundo se respeita", completa a amiga Greice dos Santos, 18.

Os moradores ficam incomodados com essa muvuca toda na região. Reclamam que os jovens fazem barulho, deixam sujeira, atrapalham o trânsito e atraem vendedores ambulantes. "Como meu apartamento fica no 1º andar, assisto de camarote a cenas absurdas, até mesmo de sexo explícito", conta a médica Mariam Ajane. "Esse pessoal compra bebida nos supermercados próximos e vem para cá causar tumulto", diz Alcides Andrade, proprietário do Bar du Bocage, conhecido reduto gay, que funciona agora no número 1618 da Alameda Itu.

A Sociedade dos Amigos e Moradores do Bairro Cerqueira César (Samorcc) levou suas queixas à Subprefeitura de Pinheiros e à Polícia Militar. "A PM diz que só atua em caso de ocorrência de crime, e a prefeitura fala que não pode impedir o direito de ir e vir das pessoas", afirma Célia Marcondes, presidente da associação. No ano passado, o * 190 registrou em média uma chamada de "reclamação de desordem" por fim de semana. "O número é semelhante ao de outras regiões que concentram bares na cidade", compara Margareth Barreto, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância. A ocorrência mais grave foi registrada em abril, quando um grupo de skinheads espancou quatro jovens. "Eles aparecem por aqui quase todo fim de semana", diz o estudante Renato Freitas, de 17 anos. "Chegam em bandos de vinte pessoas, marchando e agredindo com seus coturnos e pulseiras cheias de espinhos. Nós somos da paz, só queremos nos divertir."

Fonte: VEJA SÃO PAULO