Arte

Agosto é o mês da fotografia: 11 atrações para celebrar

Exposições, cursos e feira pela cidade comemoram o dia mundial da atividade no próximo dia 19

Por: Veja São Paulo

Sofia Borges SP Arte
Foto de Sofia Borges, exposta na SP-Arte/Foto (Foto: Divulgação)

O Dia Mundial da Fotografia é celebrado anualmente em 19 de agosto. Em São Paulo, o número de mostras em cartaz dedicadas à arte costuma aumentar (selecionamos oito delas abaixo), além de receber sua maior feira de fotografia, a SP-Arte/Foto, que ocorre no Shopping JK Iguatemi entre os dias 25 e 28. Por ali, estarão reunidas mais de trinta galerias que expõem (e comercializam) obras dos artistas representados.

Para os aspirantes a fotógrafos, vale conferir a programação de cursos no Espaço Cultural Porto Seguro: as oficinas vão de fotografias no celular a ateliês de impressão, passando por ateliês de gravura e estêncil. Os workshops são para todas as idades e bolsos. A maioria é gratuita, mas outros podem chegar a custar 100 reais. Confira as informações completas no site da instituição. Até o Museu de Arte Sacra entrou na programação. Por ali, haverá oficinas gratuitas de pinhole (técnica que usa uma lata ao invés de máquina fotográfica) nos dias 6, 7, 13, 14 e 21 de agosto, com duas sessões às 11h e às 14h30. Mais informações no site do museu.

  • A exposição Não Estou Sozinho consiste em um exemplo primoroso de como a arte pode configurar uma ferramenta importante para encarar a existência. É por meio dela que o artista André Penteado conseguiu falar sobre um impactante acontecimento de sua vida: o suicídio do pai. Também deu espaço a outras pessoas na mesma situação, cujos entes queridos tiraram a própria vida. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra gira em torno de um vídeo de mais de uma hora de duração, em que 21 pessoas respondem à pergunta “como você se sente?”. Participaram da gravação integrantes de um coletivo de apoio aos amigos e familiares de suicidas, do qual o próprio artista fez parte. “A exposição transmite a sensação que tive no grupo, quando percebi o poder da fala e da conversa”, afrma o fotógrafo. Outras três séries integram o projeto. Vazio exibe cliques das casas dessas pessoas e a atmosfera melancólica de ambientes depois da perda. Em Memórias, Penteado registrou objetos que carregam valor afetivo para cada um dos depoentes. Por fim, em As Roupas de Meu Pai, fez retratos de si mesmo vestindo trajes do armário do parente. Até 21/8/2016.
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  • Para mostrar que, no começo do século XX, a cidade de Quito, no Equador, era progressista e desenvolvida, o fotógrafo José Domingo Laso (1870-1927) raspava do negativo de seus retratos a imagem dos índios. Consegue ver abaixo um borrão ao lado do homem de preto? Sim, havia um indígena ali. Histórias curiosas como essa constroem a exposição que traz à luz 150 fotografias, até então escondidas, de diferentes partes da América Latina. Os curadores Iatã Cannabrava e Claudi Carreras viajaram por toda a região nos últimos dez anos e garimparam tesouros históricos. Do Centro de la Imagen, no Peru, por exemplo, trouxeram retratos de Rikio Sugano (1887-1963), um japonês que viajou o mundo sozinho, fotografando a si mesmo em lugares exóticos. Foi um dos primeiros homens obcecados por selfies. De 16/6/2016. Até 7/8/2016.
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  • A beleza do Rio de Janeiro é tão frequentemente registrada por fotógrafos profissionais e amadores, além de turistas, que fica difícil pensar em enquadramentos originais. A repetição também está presente na nova exposição do carioca Claudio Edinger, intitulada Machina Mundi — Rio do Céu. Cartões-postais da cidade, como o Corcovado e o Pão de Açúcar, aparecem em mais da metade das doze fotografias. Mais interessantes são os registros aéreos de lugares como o Parque Lage, o Museu do Amanhã, o porto e o MAC de Niterói, que, clicados de um helicóptero, ganham novas perspectivas. As imagens parecem ter sido captadas pelo próprio olho: o objeto principal se mostra nítido, enquanto o entorno aparece desfocado. Até 28/8/2016.
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  • O caos do trânsito paulistano não é novidade. Desde a década de 40, algumas vias não dão conta da grande quantidade de veículos que circulam por aí. Hoje, o problema mostra-se ainda pior: a frota da cidade soma quase 8 milhões de automóveis. Entre as décadas de 60 e 80, por causa do movimento intenso, construíram-se 35 edifícios de estacionamento mecanizado no centro da capital. Os espigões chegam a alcançar 38 pisos, com capacidade para até 600 carros. Esses prédios, alguns ainda em funcionamento, são os protagonistas da mostra individual do paulistano Felipe Russo, em cartaz na Casa da Imagem. Ele registrou fachadas e detalhes internos das construções. Por isso, parte dos 21 cliques da coleção empresta ares artísticos e misteriosos a roldanas, correntes e cabos. Até 16/10/2016. Na programação paralela, acontecem dois bate-papos sobre a mostra: Dia 1/10, às 11h: os fotógrafos Cristiano Mascaro, Felipe Russo e Tuca Vieira conversam sobre a experiência de fotografar São Paulo Dia 6/10, às 15h: o arquiteto Abílio Guerra e Felipe Russo conversam sobre o projeto Garagem Automática e questões ligadas fotografia e arquitetura.
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  • As fotografias de Janaina Tschäpe funcionam como registros de um mundo fantástico. Com tecidos, espumas, bexigas e outros materiais, ela produz criaturas que se assemelham a águas-vivas, cavalos-marinhos, sereias e polvos. Em seguida, fotografa-as em belas paisagens. Nascida na Alemanha e radicada no Brasil, a artista explora o misticismo da natureza. Na Galeria Fortes Vilaça, expõe a série Dormant, realizada durante expedição pelos mares da Oceania, em 2015. Reconstrói a imagem de uma espécie de água-viva capaz de rejuvenescer diante do perigo. Outras peças desta mostra, chamada Pássaro que Me Engoliu, estão expostas no Galpão Fortes Vilaça, na Barra Funda. Até 13/8/2016.
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  • Nos últimos catorze anos, o Prêmio Brasil Fotografia condecorou 200 profissionais brasileiros. Pela primeira vez, o evento acontece no Espaço Cultural Porto Seguro, onde foi montada uma mostra com obras dos doze ganhadores de sua edição mais recente. Sob a lente da seleção do curador Cildo Oliveira, destacam-se obras como as do paulistano Diego Lajst. Ele é autor de uma sequência de retratos feitos no ano passado em Paris, com refugiados africanos. Os imigrantes só aceitaram posar depois de receberem a promessa de que ganhariam as fotos para tirar o passaporte. Na exposição, as ampliações em formato de 80 por 60 centímetros tornam o olhar desses personagens ainda mais penetrante. Convidada para a próxima Bienal de São Paulo, que acontece em setembro, a brasiliense Bárbara Wagner apresenta o colorido ensaio Crentes e Pregadores. Com um toque kitsch, ela mostra fiéis em meio ao universo em expansão das igrejas evangélicas. Ironicamente, no trabalho de Letícia Ranzani não há fotografias: com base em frases extraídas do aplicativo de namoro Tinder, o público constrói imagens da fisionomia de mulheres que tentam encontrar possíveis parceiros com a ajuda da ferramenta digital. A exposição também homenageia o baiano Evandro Teixeira, que tem no currículo prêmios de concursos internacionais da Nikon e da Unesco graças a trabalhos publicados em veículos como o extinto Jornal do Brasil. O profissional, que continua na ativa aos 81 anos, produziu ao longo de sua carreira flagrantes de personalidades como Carlos Drummond de Andrade e da rainha Elizabeth II em momentos descontraídos. Até 14/8/2016.
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  • O fotógrafo de gastronomia apresenta cerca de quarenta retratos de comidas de rua e de outras criadas por chefs brasileiros, como Helena Rizzo (Maní) e Rodrigo Oliveira (Mocotó), selecionados pelo também chef Alex Atala. Nos sábados de julho, a partir das 12h, o Unibes Cultural promove uma feira com algumas das barracas fotografadas, além de palestras sobre culinária e arte. Até 8/8/2016.
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  • Em 2007, três caixas de papelão foram deixadas no International Center of Photography, em Nova York, enviadas por um remetente misterioso da Cidade do México. Quando abertas, revelaram um conteúdo de valor artístico imensurável: 126 rolos de filme com 4 500 negativos clicados por ninguém menos que o húngaro Robert Capa (1913-1954), um dos mais célebres fotógrafos de guerra de todos os tempos, além de registros de cenas feitos por seus companheiros Gerda Taro e David “Chim” Seymour. Os rumores sobre a existência das lendárias imagens da Guerra Civil Espanhola finalmente se confirmavam. Tiradas entre 1936 e 1939 em trincheiras e acampamentos, as fotografias foram entregues por Capa a um amigo antes de sua fuga das tropas alemãs, que estavam prestes a entrar em Paris. Não se sabia o paradeiro do precioso material desde então. A mostra A Valise Mexicana reúne centenas desses registros impressionantes, a exemplo do retrato realizado por Capa mostrando a fuga de um grupo de combatentes republicanos para um campo de refugiados na França. Textos explicativos e reproduções de jornais da época trazem informações históricas e fazem valer o passeio até o não tão agradável prédio da Caixa Cultural, na Praça da Sé. De 23/7/2016. Até 2/10/2016. + Leia a matéria completa da mostra
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Fonte: VEJA SÃO PAULO