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O que acontece neste sábado (25): cinema

Bons filmes para assistir hoje

Por: Redação VEJA SÃO PAULO on-line

Se beber, não case - parte 2
Um pomposo cachê: estima-se que Zach Galifianakis, Bradley Cooper e Ed Helms receberam 4 milhões de dólares, dez vezes mais que o salário recebido pelas atuações no primeiro filme (Foto: Divulgação)

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  • Antes ou depois do premiado e controverso "Gosto de Cereja" (1997), o cineasta iraniano Abbas Kiarostami quase sempre manteve o foco nos problemas e no povo de seu país — tanto em ficções, caso de "Através das Oliveiras" (1994), como nos documentários, a exemplo de "10 sobre Dez" (2003). De uns anos para cá, o diretor decidiu radicalizar ainda mais. No dificílimo "Shirin", de 2008, fez um registro das expressões faciais de uma plateia feminina diante da exibição de um filme romântico. Há algo também de inusitado, complexo, original e bem mais animado no drama "Cópia Fiel", que deu a Juliette Binoche o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes do ano passado. Em sua primeira fita rodada na Europa, Kiarostami acompanha a jornada de uma francesa na Itália. Dona de uma galeria em Arezzo, na Toscana, a quarentona interpretada por Juliette assiste, por vezes distraída, à palestra do escritor britânico James Miller (papel do barítono William Shimell). Trata-se de uma apresentação calorosa sobre as obras de arte e suas reproduções, as tais cópias fiéis. Após um breve encontro em sua loja, a personagem leva James para um passeio no encantador vilarejo de Lucignano. Tudo se passa num único dia. No bate-papo com a dona de um café, a protagonista muda o rumo da trama dizendo ser mulher do escritor. Os diálogos entre eles, antes impessoais e na língua inglesa, passam a ser em francês e atingem esferas mais íntimas. Quanto há de verdade e mentira no argumento de Kiarostami? Talvez nem mesmo o próprio fosse capaz de revelar. E é justamente sob o signo do insolúvel que faz a brincadeira de "Cópia Fiel" ficar ainda mais curiosa e fascinante. Em formidável jogo de cena, os dois atores (sobretudo Juliette) se desdobram para dar conta de atuações sob longos planos-sequência, uma especialidade do realizador, aqui se reafirmando como um dos mais instigantes do cinema atual. Estreou em 18/03/2011.
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  • Lançada em 2008, a animação "Kung Fu Panda" era uma divertida brincadeira com filmes de artes marciais. A ideia de um herói pançudo e atrapalhado que fazia de sua falta de jeito uma arma contra um inimigo mais habilidoso rendia boas piadas visuais. Sua jornada de autoaceitação ficou bem resolvida em pouco mais de uma hora e meia de história, e uma continuação parecia desnecessária. Mas a arrecadação de cerca de 630 milhões de dólares pelo mundo tornou-se a justificativa de que os produtores precisavam para lançar "Kung Fu Panda 2". Por sorte, os criativos roteiristas encontraram um novo fio condutor para o personagem, e agora ele parte em busca de suas origens. O passado do urso panda Po (voz de Jack Black no original e de Lúcio Mauro Filho na versão dublada) está ligado ao do pavão Shen. Expulso do palácio por sua arrogância, o vilão arma um plano de vingança e ameaça pôr fim ao kung fu. Cabe ao protagonista e aos seus aliados, os Cinco Furiosos, defender o Vale da Paz. Muito mais ágil, mas ainda bonachão, Po procura na infância as respostas para ajudá-lo em sua luta. A ação carnavalesca toma conta de boa parte da fita e às vezes cansa. Não faltam, porém, bons motivos para rir, como a cena do empolgado discurso do protagonista antes do confronto final. Tecnicamente mais evoluído, o filme traz ainda benfeitas cenas de flashback desenhadas a mão. Estreou em 10/06/2011.
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  • Em seu atual giro pelo mundo, Woody Allen parou na França para fazer um dos seus filmes mais graciosos dos últimos anos. Em Paris, um roteirista americano (Owen Wilson) com pretensão de ser escritor se distancia de sua noiva consumista (Rachel McAdams), de seus sogros conservadores e dos amigos esnobes dela. Cansado do vazio da vida moderna, ele prefere caminhar sozinho à noite para se inspirar. Depois da meia-noite, porém, descobre uma cidade diferente, atemporal, como sempre sonhou. O cineasta colocou inúmeras referências culturais para destacar o charme parisiense, principalmente aquele perdido no passado. De quebra, lembrou-se de quando viveu lá como um jovem comediante querendo escrever romances. Estreou em 17/06/2011.
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  • Não é preciso voltar muito no tempo para comprovar como o cinema explora o tema da traição conjugal. Presente no drama americano "Amantes" (2008), retrato do dilema do personagem de Joaquin Phoenix diante de duas pretendentes, e na comédia espanhola "Dieta Mediterrânea" (2009), sobre um apimentado triângulo amoroso, o assunto inspira agora uma ótima reflexão na fita italiana "Que Mais Posso Querer", estreia exclusiva do CineSesc. O próprio diretor do longa-metragem, Silvio Soldini, já havia abordado enredo similar no adorável "Pão e Tulipas" (2000). Volta mais maduro para flagrar segredos e mentiras que envolvem um casal adúltero. Na trama, Anna (Alba Rohrwacher) parece ter um casamento feliz com Alessio (Giuseppe Battiston), dono de uma loja e prestativo companheiro para todas as horas e qualquer serviço — instalar boxe no banheiro da amada, por exemplo. Mas as aparências enganam. Anna está entregando os pontos e se cansou do marido fofo (em todos os sentidos). Quer viver uma aventura extraconjugal e, para isso, escolhe o simplório e simpático Domenico (Pierfrancesco Favino), funcionário de um bufê. O sexo acaba virando a válvula de escape deles. Uma transa aqui, outra ali, e ambos se veem fisgados pelo bichinho da paixão. Acontece que Domenico, além de casado, é pai de uma menina e um bebê. Leva uma vida bastante modesta em Milão, ao lado da esposa (Teresa Saponangelo). Nenhum dos dois protagonistas pretende abdicar de seu parceiro. O que fazer? O realizador consegue ser bastante feliz ao escolher um casal comum, sem beleza nem glamour, conferindo, assim, proximidade imediata com a plateia. As situações vividas por eles também são empáticas. No trânsito entre o drama e o romance, a densidade e a leveza (há certo humor nas entrelinhas), Soldini mergulha no cotidiano com autenticidade ímpar. Em tempo: "Que Mais Posso Querer" inaugura, com pé direito, uma nova distribuidora, a maranhense Petrini Filmes. Estreou em 06/05/2011.
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  • O estrondoso sucesso do primeiro episódio gerou uma continuação dois anos depois. Mas até mesmo quem provou e aprovou o original pode sentir um gostinho de mesmice na comédia. Quase nada mudou. Diretor e elenco permanecem em seus postos, troca-se Las Vegas por Bangcok, mistura-se certa infantilidade com piadas pesadas e pronto!, a fórmula para agradar aos fãs está lá. Desta vez, o casamento é do careta dentista Stu (Ed Helms), que vai ocorrer num luxuoso resort da Tailândia. Para lá, se mandam o noivo, seu jovem futuro cunhado (papel de Mason Lee) e os amigos Phil (Bradley Cooper), Alan (Zack Galifi anakis) e Doug (Justin Bartha). Duas noites antes do casório, porém, o grupo perde a cabeça e, no dia seguinte, acorda com uma tremenda ressaca sem se lembrar dos eventos passados. Eles precisam, então, buscar pistas pela cidade para poder refazer a fatídica noitada. Para quem acha graça em ver travesti em nu frontal ou crianças usando drogas, eis o programa. Quando parte para um humor mais nonsense, como o divertido macaco-traficante que fuma, o roteiro acerta mais. Estreou em 27/05/2011.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO