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Acidentes nas marginais custam 189 milhões de reais, diz prefeitura

Valor foi levantado pela administração para defender redução dos limites de velocidade nas vias 

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

Marginal Pinhheiros
Vista da Margina do Rio Pinheiros: limites de velocidade reduzidos para tentar reduzir número de mortes (Foto: Ivan Dias)

A prefeitura de São Paulo estimou em 189 milhões de reais o custo pago pela sociedade por causa dos acidentes ocorridos nas marginais do Tietê e do Pinheiros nos últimos três anos.

A conta foi entregue à Justiça, na segunda-feira (27) em uma manifestação para defender a redução dos limites de velocidade nas vias. A gestão Fernando Haddad (PT) também solicitou que a ação contra a mudança, proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seja enviada à Justiça Federal.

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A estimativa de custos é um dos argumentos expostos pela prefeitura na defesa de sua política. Segundo o documento, ela chegou a esse número usando como base dados da pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) de 2003 sobre o custo dos acidentes de trânsito em conglomerados urbanos, atualizado com base na inflação acumulada no período. Ele leva em conta as 201 mortes e os 3 716 acidentes dos últimos três anos.

No cálculo entram os gastos com os acidentes - como a perda material dos veículos -, o que é empenhado pelo estado com resgate e tratamento médico das vítimas e a perda de produtividade de mortos e feridos. "Quanto à análise custo-benefício, resta evidente que os benefícios gerados pelo Programa de Padronização de Velocidades superam em muito os eventuais incômodos causados por ele", diz a prefeitura.

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A gestão Haddad também citou estudos próprios e de outros países mostrando a relação entre a velocidade e a gravidade dos acidentes. "Em um acidente a 80 quilômetros por hora, a possibilidade de que um dos ocupantes dos veículos seja morto é vinte vezes maior do que a uma velocidade de 30 quilômetros por hora", informa o texto.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (Setcesp), Manoel Souza Lima Junior, que se diz contra a mudança, alega que "os roubos vão aumentar" com as velocidades mais baixas.

Para ele, os assaltantes teriam facilidade em entrar nas cabines dos caminhões em movimento a 50 quilômetros por hora - novo limite das vias locais. "Eles não teriam essa facilidade com os veículos a 70 quilômetros por hora."

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OAB A defesa do município, assinada pelo procurador João Tonnera Junior, argumentou ainda que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) não tem competência legal para julgar ações civis propostas pela OAB.

O texto cita decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do próprio TJ-SP, que afirmam que essas ações só podem ser analisadas por um órgão específico, a Justiça Federal de primeira instância. O presidente da Comissão de Trânsito da OAB, Maurício Januzzi, um dos autores da ação, discorda desse entendimento.

"Apenas se OAB fosse a demandada é que o caso iria para a Justiça Federal", afirma. Januzzi também contesta as informações da prefeitura sobre os custos dos acidentes. "Eles se baseiam em um dado antigo. De 2003 para 2015. É muito tempo, e outros fatores estão envolvidos nos custos."

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO