Violência

“Achei que fosse uma abelha”, diz mulher picada por seringa em SP

A escritora Ivana Fabiani só percebeu que foi atacada após repercussão do caso

Por: Sérgio Quintella - Atualizado em

Antônio Nogueira de Santana, seringa
 Antônio Nogueira de Santana, de 43 anos, ao ser preso no último sábado (30) (Foto: )

A divulgação do retrato falado de um homem suspeito de atacar mulheres usando uma seringa próximo a estações do metrô, em São Paulo, fez a escritora argentina Ivana Fabiani, de 48 anos, se dar conta de que aquela leve picada nas costas, ocorrida há cerca de dois meses, próximo à estação Consolação, na Avenida Paulista, não havia sido uma simples ferida provocada por um inseto.

“A picada foi próxima ao ombro, no lado direito. Ficou uma marca, mas imaginei que fosse uma abelha. Não me preocupei e deixei para lá. Porém, quando o caso veio à tona, na semana passada, fiquei com medo”, disse Ivana em entrevista a VEJA SÃO PAULO.  “Antes da picada, eu vi pelo canto do olho um morador de rua bem perto, mas nunca imaginaria que ele estivesse com uma seringa. Guardei o rosto dele. Tenho certeza de que é o homem que reconheci na delegacia”, afirma ela, que mora há 35 anos na capital paulista.

Quando Antônio Nogueira de Santana foi preso, no sábado (30), policiais recolheram uma seringa, um frasco e um alicate que serão periciados pelo Instituto de Criminalística. No total, quatro mulheres procuraram o 78º DP, nos Jardins, onde o caso foi registrado, para relatar ataques.

Após a prisão de Santana, a Justiça concedeu prisão temporária, de trinta dias, para a polícia concluir o inquérito. O homem, que é morador de rua, responde a dois processos – por desacato e ato obsceno – , mas nunca foi localizado para se explicar perante o juiz. Os casos ocorreram em 2015.

Antônio Nogueira de Santana, seringa
Seringa apreendida com suspeito será periciada pelo Instituto de Criminalística (Foto: )

Na última semana, Ivana Fabiani procurou um ambulatório municipal localizado no Centro para realizar exames, que não verificaram a existência de doenças como hepatite (B e C), sífilis e Aids. “Mesmo assim, ainda estou assustada. Terei de refazer os exames por um bom tempo”.

A polícia espera que mais vítimas compareçam à delegacia para reconhecer o preso. A Secretaria de Segurança afirma que mantém contato com o hospital Emílio Ribas, que atende casos de infecções, para obter informações de eventuais novas ocorrências.

 

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO