Imóveis

Preço de quitinete ultrapassa 1 milhão de reais em São Paulo

Apartamentos cada vez menores e mais caros são o símbolo da valorização imobiliária na cidade, que chegou a 25% no ano passado

Por: Angela Pinho - Atualizado em

vitacon
Alexandre Frankel, presidente da Vitacon, em apartamento de 23 metros quadrados: a cama vira parede (Foto: Mário Rodrigues)

No início da década de 90, apartamentos que custavam acima de 1 milhão de reais na cidade eram produtos de construtoras de alto padrão, como a Adolpho Lindenberg, que reuniam o máximo de luxo e área útil que um imóvel em São Paulo poderia comportar. Desde então, a régua do patamar do olimpo imobiliário da capital subiu muito. A inflação e, principalmente, a forte valorização do mercado nos últimos anos estão por trás do fenômeno. Atualmente, endereços de dois ou três dormitórios de edifícios localizados em vários bairros superam essa cotação. Mais recentemente, até quitinetes entraram na mesma faixa de preço. Sim, isso mesmo. Na Avenida Brigadeiro Faria Lima, por exemplo, uma unidade de 35 metros quadrados localizada no 1º andar do F.L 4300, edifício residencial com previsão de entrega para maio, está sendo oferecida por 1,1 milhão de reais.

 

No mesmo prédio, uma opção “mais em conta” sai por 940 000 reais. “Isso se explica pela localização, pelo projeto diferenciado e pelo fato de que o imóvel já estará todo mobiliado”, afirma Eduardo Lima, proprietário da NPI Negociação Personalizada de Imóveis, que cuida da comercialização desses produtos. Em 2012, Lima vendeu três unidades do local para o publicitário Marco Scabia, com tamanhos diferentes. A de 35 metros saiu por 514 000 reais. “No começo, ele ficou assustado com o valor. Mas, se tivesse deixado o dinheiro render no banco, hoje estaria chorando”, compara o corretor.

As quitinetes milionárias são o novo símbolo da escalada do mercado imobiliário da cidade. Com exceção de uma alta de apenas 7% em meio à crise mundial de 2008, desde 2007 o preço das casas e apartamentos novos sobe por aqui a taxas de dois dígitos. Com isso, uma propriedade comprada por 400 000 reais há sete anos vale hoje mais de 1 milhão de reais. Isso equivale a uma evolução de 172%, quase o triplo do rendimento da poupança.

marcio danti macieira
O corretor Márcio Danti Macieira: imóveis pequenos perto de escritórios podem gerar boa renda de aluguel (Foto: Mário Rodrigues)

Em 2013, quando o setor imobiliário esperava alguma retração devido à freada econômica do país, o negócio continuou em alta. Enquanto o PIB nacional deve fechar o período com um índice de crescimento em torno de 2%, o valor do metro quadrado dos imóveis novos em São Paulo cresceu 20% e o dos usados, 25%, de acordo com dados  do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi) e do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci). “A demanda continou em alta graças a fatores como a manutenção do índice de emprego, a liberação da prefeitura para novos empreendimentos depois de um período de estagnação e a facilidade cada vez maior de obtenção de financiamentos”, afirma Claudio Bernardes, presidente do Secovi. Entre 2012 e 2013, o número de lançamentos passou de 28 500 para 33 200 unidades, um crescimento de 16%. No ano anterior, o segmento tinha sofrido uma queda de 25%.

Tabela 1 - imóveis
(Foto: VEJA SÃO PAULO)

Uma das tendências atuais do mercado é a regra do “quanto menor, mais cobiçado”. A comercialização de apartamentos de um dormitório na metrópole dobrou de 2012 para 2013. São produtos destinados a solteiros, divorciados e pessoas que querem investir a poupança em um imóvel. “Antigamente, os novos casais saíam à procura de espaços maiores na hora da compra, já pensando nos futuros filhos”, diz Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da imobiliária Lopes. “Agora, a prioridade é a carreira, sobretudo para as mulheres.”

 

A designer Joara Mello, de 49 anos, é um exemplo de como as novas configurações familiares vêm transformando o mercado. Após se separar, em 2008, ela resolveu vender seu apartamento de 120 metros quadrados na Vila Nova Conceição e comprar dois com um terço do tamanho na Vila Olímpia. “Pretendo viver em um e alugar o outro”, conta. O prédio onde ela vai morar é da Vitacon, uma das incorporadoras especializadas em unidades “ultracompactas”. Em novembro do ano passado, a empresa lançou um empreendimento com unidades de 18 metros quadrados na Rua Quatá, que ficará pronto em 2016. Todas já foram vendidas, cada uma por 266 000 reais, ou 14 700 reais o metro quadrado.

Para colocar os cômodos de uma casa comum ali, a empresa investiu em apetrechos como uma cama que pode ser embutida na parede, transformando o quarto em sala. Para Alexandre Lafer Frankel, dono da Vitacon, a redução de espaço é o preço a pagar para morar perto do trabalho. “Há muitos pais que preferem ficar uma hora a mais por dia em casa com o filho a ter uma mesa para oito pessoas que será usada poucas vezes por ano”, diz. O corretor Marcio Danti Macieira, de 44 anos, vê nesses pequenos apartamentos um atrativo filão de negócios. Ele costuma comprar imóveis e vende-los depois de valorizados, mas pretende ficar com o de 31 metros quadrados recém-adquirido por 434 000 reais na Vila Olímpia. “É uma região com muitos escritórios e frequentada por pessoas com alto poder aquisitivo, então dá para puxar para cima o valor do aluguel”, explica.

joara mello
A designer Joara Mello, que trocou um apartamento grande por dois pequenos após se separar: divórcios impulsionam mercado (Foto: Mário Rodrigues)

Interessados em espaços amplos e preços competitivos têm optado cada vez mais por imóveis antigos. De acordo com levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), os quatro bairros que mais se valorizaram nos últimos cinco anos estão na região central, área repleta de apartamentos com mais de 150 metros quadrados de área útil. É o caso da Luz e do Bom Retiro, onde o metro quadrado subiu 225% no período. O advogado Marco Aurélio Braga, de 30 anos, morava na Bela Vista e não estava procurando outro lugar até que conheceu por acaso um apartamento com pé-direito de 3,80 metros na Praça da República. Saiu de lá disposto a se mudar para o local. “Hoje, trabalho aqui perto, frequento bares e museus da região e quero deixar de depender do carro”, conta. “O centro ficou mais atrativo por causa do aumento em outras áreas e porque estava com preços muito defasados”, explica Claudio Bernardes, do Secovi.

De fato, o metro quadrado a 5 503 reais na República é menos da metade do valor praticado nos locais mais caros de São Paulo, como os bairros no entorno do Parque do Ibirapuera. Além de mirarem um público com alto poder aquisitivo, eles têm cada vez menos terrenos disponíveis, o que inflaciona ainda mais o preço. “Demoramos três anos  para conseguir adquirir uma área em Moema”, afirma Eudoxios Anastassiadis, diretor da incorporadora Alfa Realty, que lançou em abril um empreendimento no local em parceria com a MDL.

 

marco aurelio braga
O advogado Marco Aurélio Braga em apartamento com pé direito de 3,80 metros no centro: perto de tudo (Foto: Mário Rodrigues)

Justamente por terem ainda uma quantidade considerável de terrenos desocupados, alguns bairros da Zona Sul devem concentrar grande parte dos futuros lançamentos. Estão previstos três megaempreendimentos com apartamentos, escritórios e comércio. São eles o Estação Gabriele, no Campo Belo, o Habitarte, no Brooklin, e o Parque Global, entre o Shopping Cidade Jardim e o Parque Burle Marx. Ao todo, eles terão 1 155 novas unidades residenciais, que serão lançadas até dezembro. “O Brooklin pode ser o novo Itaim”, anima-se o corretor Lincoln Magnus, que comprou oito apartamentos no bairro como investimento.

tabela 2 - imóveis
(Foto: VEJA SÃO PAULO)

A região sul da cidade vem se tornando mais atrativa devido à concentração de escritórios na Berrini e a obras como a Linha Ouro do metrô, que ligará o Morumbi ao Jabaquara. Deve ganhar um fôlego maior com o novo Plano Diretor. A proposta em discussão na Câmara dos Vereadores prevê, entre outros pontos, incentivos para empreendimentos perto de estações de metrô e corredores de ônibus e para prédios com poucas vagas de carro na garagem. Foi no Brooklin que a publicitária Nancy Paez, filipina criada nos Estados Unidos, escolheu comprar um apartamento no ano passado. “O bairro é seguro, perto do trabalho e há muitas escolas nas redondezas”, diz ela, que é vice-presidente de atendimento da agência Wunderman. Na busca por um lugar para morar, Nancy se assustou com os preços. “Tudo relacionado a imóvel em São Paulo é caro, tanto o metro quadrado como a instalação dos móveis e a decoração. Tenho vergonha de comprar algumas coisas aqui quando vejo quanto custam”, reclama.

nancy paez
A publicitária Nancy Paez, filipina criada nos Estados Unidos: susto com os preços de São Paulo (Foto: Mário Rodrigues)

Em janeiro, a Fipe registrou uma alta de apenas 0,7% no preço dos imóveis na capital, o menor índice desde 2008. “Os valores não devem cair, mas chegaram perto do limite”, acredita Eduardo Zylberstajn, coordenador do levantamento. Segundo os analistas do Secovi, os preços em 2014 vão evoluir ainda um pouco acima da inflação. “Os terrenos não estão ficando mais baratos e as pessoas continuam se casando, se separando e tendo filhos, o que gera demanda”, diz José Roberto Federighi, da corretora Brasil Brokers. Nessa toada, o que soa absurdo hoje, como é o caso das quitinetes milionárias, poderá parecer algo absolutamente normal daqui a alguns anos.

tabela 3 - imóveis
(Foto: VEJA SÃO PAULO)
  • VEJA SÃO PAULO recomenda

    Atualizado em: 9.Out.2015

    Restaurante, espetáculo, exposição, doceria e outras atrações em cartaz
    Saiba mais
  • Cartas da edição 2360

    Atualizado em: 13.Fev.2014

  • Mistérios da Cidade

    Falta de chuvas eleva pedidos de caminhão-pipa

    Atualizado em: 14.Fev.2014

    Comparativo mostra que números dobraram entre janeiro e fevereiro
    Saiba mais
  • Mistérios da Cidade

    Nova estação do Metrô abre em regime de testes

    Atualizado em: 13.Fev.2014

    Adolfo Pinheiro, na Linha 5 - Lilás, terá entrada gratuita até março
    Saiba mais
  • Mistérios da Cidade

    Primeiro Miss Brasil Supranational ocorre em São Paulo

    Atualizado em: 13.Fev.2014

    Novo concurso de misses avalia beleza e performance na passarela e em números de dança
    Saiba mais
  • Enquanto a supercoxinha da Panetteria ZN, no Imirim, pesa cerca de 1 quilo, o salgado tamanho míni do Frangó, na Freguesia do Ó, tem 50 gramas
    Saiba mais
  • Memória Paulistana

    A primeira fábrica de carros do Brasil era paulistana

    Atualizado em: 25.Fev.2014

    Há quase 100 anos a Ford chegava ao país com uma sede no Centro
    Saiba mais
  • Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos e empresários que são destaque na cidade
    Saiba mais
  • Serviço de saúde inaugurado na Zona Leste tem o objetivo de dar conforto a pequenos pacientes sem chance de cura que não precisam mais ficar em um hospital
    Saiba mais
  • Financiadas por fotógrafo francês, as imagens são de moradores e frequentadores da região
    Saiba mais
  • A volta dos anos 90 na noite paulistana

    Atualizado em: 13.Fev.2014

    Festas fazem sucesso retirando da tumba o melhor (e o pior) da década
    Saiba mais
  • Motivado a ajudar após a perda da filha, ele juntou parceiros para desenvolver e baixar os custos dos projetos que financia do próprio bolso
    Saiba mais
  • Comportamento

    Confira as novidades da semana da coluna Bichos

    Atualizado em: 2.Out.2015

    A seção fala sobre a abertura de uma padaria pet na cidade
    Saiba mais
  • As Boas Compras

    As Boas Compras: piscina

    Atualizado em: 13.Fev.2014

    Confira dez itens para deixar mais alegre o típico lazer de verão
    Saiba mais
  • Cozinha variada

    Maria Escaleira

    Rua Mourato Coelho, 53, Pinheiros

    Tel: (11) 2364 9913

    VejaSP
    10 avaliações

    Os nomes impronunciáveis dos pratos (ao menos para a maioria dos paulistanos) e a denominação de “restaurante polonês” podem sugerir um lugar de receitas muito diferentes. Mas o paladar da maioria das combinações nos é familiar. Dois exemplos: o croquete de batata e nozes servido com molho agridoce (R$ 21,50) e o fIlé-mignon suíno no molho de cogumelo, páprica e vinho com batata (R$ 37,00). Só não vale pedir o estrogonofe (R$ 36,00) e esperar a versão caseira brasileira. Menos cremoso, o picadinho é acompanhado de arroz e purê de batata com gergelim (R$ 37,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Franceses

    La Casserole

    Largo Do Arouche, 346, Centro

    Tel: (11) 3331 6283

    VejaSP
    4 avaliações

    Com tantos endereços franceses que ficaram pelo caminho, como o La Paillote, tristemente fechado em maio aos 63 anos, o Casserole segue inabalável. Contam para essa enorme vitalidade o comando seguro da restauratrice Marie-France Henry e a qualidade da cozinha. A clássicos como o filé au poivre (R$ 69,00) vieram se somar bem-vindas novidades como a deliciosa porção de moules frite (R$ 57,00), mexilhões cozidos num caldo aromático de ervas, vinho e creme de leite para ser saboreados com fritas gordinhas e douradas. Os profiteroles (R$ 28,00) encerram.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Bares variados

    Exquisito!

    Rua Bela Cintra, 532, Consolação

    Tel: (11) 3854 6522

    VejaSP
    10 avaliações

    Delicioso, agradável. Essa é a tradução da palavra em espanhol que dá nome à casa. Pioneiro no nascimento do agito da região chamada de Baixo Augusta, o espaço é divertido, repleto de lambe-lambes e quadrinhos. Servida em garrafa de 1 litro, a cerveja gaúcha Coruja Viva (R$ 45,00) mata bem a sede que as fajitas del fuego (R$ 58,00) podem causar. São tiras de flé-mignon com pimentão vermelho, cebola, pimenta dedo-de-moça e coentro, acompanhadas de tortilhas quentinhas e molhos. Para continuar a noite, peça o docinho e refrescante drinque exquisito (R$ 31,00), que leva pisco, soda e frutas.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Bares variados

    Boteco Ferraz

    Rua Tabapuã, 1460, Itaim Bibi

    9 avaliações
  • Drinques

    SubAstor

    Rua Delfina, 163, Pinheiros

    Tel: (11) 3815 1364

    VejaSP
    11 avaliações

    Não é raro chegar ao bar, instalado no subsolo do Astor, e encontrar o salão apinhado. Culpa do bartender italiano Fabio la Pietra, que se desligou da casa em setembro, mas deixou uma ótima seleção etílica como legado. O interino e ex-braço-direito, Rogério Frajola, na casa desde a abertura, executa junto da equipe pedidas como o dark & stormy (R$ 31,00), feito de rum, melado de cana e limão-taiti e finalizado com um marcante refrigerante de gengibre.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Cafés

    Cafezal Cafés Especiais

    Rua Álvares Penteado, 112, Centro

    Tel: (11) 3113 3676

    VejaSP
    1 avaliação

    Fica no belíssimo prédio do Centro Cultural Banco do Brasil, no centro. Se o ambiente já ajuda, os cafés mais ainda. Quem pede expresso (R$ 5,00), costumeiramente bem tirado, pode escolher entre os grãos Fazenda Pessegueiro, Chapadão do Ferro e Mantissa, esses dois últimos de acidez mais pronunciada. Coado no Hario, qualquer um deles sai a R$ 6,00. A loja faz ainda bons cappuccinos (R$ 8,00) e mochas (R$ 11,00). Peca apenas pela oferta limitada de comidinhas. Nesse caso, vale recorrer à fatia de bolo do dia (R$ 4,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Variados

    Atrações para a garotada aproveitar o Carnaval

    Atualizado em: 27.Fev.2014

    Show Zé Renato para Crianças e programação especial no MAM esquentam a folia dos pequenos
    Saiba mais
  • O encontro da arte com a arquitetura é o tema da exposição estudos, esboços e ensaios poéticos sobre arquitetura e territórios afins (escrito assim mesmo, com letras minúsculas), em cartaz na Carbono Galeria. Ali estão artistas que pensam espaços, paisagens e urbanismo em suas obras e arquitetos que trazem um olhar estético para seus trabalhos que vai muito além do utilitarismo dos edifícios. A alemã Candida Höfer, por exemplo, gosta de fotografar construções — ela exibe três imagens de igrejas barrocas. Regina Silveira, conhecida pelas instalações, tem o hábito de elaborar maquetes para antecipar como vão ficar os trabalhos. “É uma particularidade da arte contemporânea dialogar com outras áreas”, afrma o curador Agnaldo Faria, também professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Entre os arquitetos convidados há nomes estrelados e projetos utópicos. Ruy Ohtake desenhou um Rio Tietê, no ano 2030, inspirado nas margens do Tâmisa e do Sena. Angelo Bucci fez uma escultura de casas modulares suspensas que aproximam o exterior do interior, um dos pontos altos da mostra. Preço das obras: R$ 1.200,00 a R$ 42.000,00. Até 15/3/2014.
    Saiba mais
  • Com direção de Rodolfo García Vázquez, a montagem da Cia. Os Satyros é baseada no drama do norueguês Jon Fosse. Dois casais tratam de relacionamentos em uma fusão de sonho e realidade. Com Fábio Ock, Henrique Mello, José Sampaio, Katia Calsavara, Luiza Gottschalk e Tiago Leal. Estreou em 18/10/2013. Dia 1/11/2014.
    Saiba mais
  • Monólogo cômico

    Uma Noite na Lua
    VejaSP
    1 avaliação
    Lançado em 1998, Uma Noite na Lua trouxe Marco Nanini como protagonista do monólogo cômico escrito e dirigido por João Falcão. O dramaturgo, na época, estava no auge, depois de encenar com o próprio Nanini em O Burguês Fidalgo, colaborar na redação de casos especiais da Rede Globo e criar a peça A Dona da História para o brilho de Andréa Beltrão e Marieta Severo. Talvez, por isso, o solo, apesar do arrebatador intérprete, carregava uma produção tão esmerada e cheia de efeitos que soava excessiva. Com a direção do mesmo Falcão, o ator Gregorio Duvivier retomou o texto há três anos e, depois de apresentações esparsas em São Paulo, engatou uma curta temporada no Teatro Porto Seguro. O resultado é pura simplicidade, conexão com a dramaturgia e um artista cheio de carisma e talento pronto para surpreender a plateia. Abandonado pela mulher, o protagonista é um autor que cruzou com um produtor em uma festa e prometeu uma peça inédita, que já teria pronta, para o dia seguinte. Em meio a uma crise pessoal e à pressão do relógio, ele não consegue escrever uma linha sequer e, na busca da inspiração, relembra a sua história amorosa. As falas diretas atingem um grau de despojamento ainda maior na boca de Duvivier, que adota um tom entre o frágil e o atrapalhado para conduzir o terno personagem.  Como parceiro de cena, o ator conta com uma belíssima iluminação. também desenhada por Falcão, e suficiente para garantir o caráter mágico da encenação. Estreou em 27/5/2015. Dias 11, 18 e 25/3/2016.
    Saiba mais
  • Montagens baseadas em Molière e Sartre podem ser vistas ao lado de texto do contemporâneo Sarrazac
    Saiba mais
  • No projeto Deslocamentos, o espectador circula pela Casa Modernista, em cuja piscina, quartos e jardim cinco duplas repetem coreografas de meia hora, das 17h às 20h. Até 23/2/2014.
    Saiba mais
  • Em 2015, o festival promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil faz homenagem ao típico Carnaval de São Luiz do Paraitinga. Com direito a cortejo com blocos acompanhados de bandas e bonecões. No sábado (7/2), a atração é o Bloco Maricota, que sai pelas ruas até a Praça do Patriarca, onde os foliões poderão conferir a partir das 14h o show da Banda Confrete, com participação especial de Wanderléa. As atividades se repetem no mesmo horário e local do domingo (8/2/2015), desta vez com o Bloco do Barbosa e shows do grupo Estrambelhados e do cantor Galvão Frade.
    Saiba mais
  • Não à toa, a comédia dramática levou o Oscar de melhor roteiro original. A trama se passa num futuro próximo em Los Angeles, mas teve cenas externas rodadas em Xangai, na China. Nela, Theodore (Joaquin Phoenix) sente-se solitário porque está prestes a assinar o divórcio da mulher (Rooney Mara). Seu emprego, criativo porém metódico, consiste em escrever cartas para clientes pelo computador. Do mundo virtual, vem a recompensa para os dias amargos. Theodore compra um aparelho de inteligência artificial e dele sai a voz de veludo de Samantha (Scarlett Johansson). Não demora para o protagonista se derreter pelos deliciosos papos da nova companhia e transformá-la em namorada. E ela corresponde com a mesma intensidade. A imaginação ilimitada do realizador joga o espectador num enredo de ficção científica sem escalas na realidade. É preciso embarcar no excêntrico ponto de partida para desfrutar o humor melancólico. A tristeza profunda com que o diretor/roteirista Spike Jonze aborda os relacionamentos afetivos traz, no entanto, uma evidência latente. Estreou em 14/2/2014.
    Saiba mais
  • Lançado no Brasil pela editora Rocco, o livro-reportagem Caçadores de Obras-Primas, de Robert M. Edsel, traz uma história eletrizante. Em 1945, ao fim da II Guerra, um grupo se reuniu na Europa para reencontrar quadros e outras relíquias que, a mando de Hitler, haviam sido surrupiadas dos museus. O filme homônimo tinha tudo para dar certo, sobretudo com George Clooney como roteirista, produtor, protagonista e diretor — este é seu quinto longa-metragem atrás das câmeras. Embora tenha momentos de graça, a aventura patina entre o humor e o drama. Clooney assume o posto de líder na pele do historiador americano Frank Stokes. Ele junta outros seis companheiros para acompanhá-lo na jornada. Entre eles, James Granger (Matt Damon), um especialista em arte do Metropolitan, de Nova York. Embora a recriação de época encha os olhos, a fita não acerta a mira e, muitas vezes, transparece a flacidez numa história à deriva. De encantadora há a delicada relação entre Granger e Claire Simone (Cate Blanchett), uma francesa solitária que fingia colaborar com os nazistas. Apaixonada pelo americano casado, a travada personagem desabrocha em uma cena comovente. Estreou em 14/2/2014.
    Saiba mais
  • Mais uma vez, o diretor Alexander Payne (Sideways) vai atrás de gente comum para fazer um drama impactante do interior dos Estados Unidos. Com seis indicações ao Oscar, não levou nenhum prêmio. Bruce Dern interpreta Woody Grant, um idoso que, sem nada a perder ou ganhar na vida, acredita ter sido contemplado com 1 milhão de dólares. Na verdade, trata-se de uma carta-propaganda mal-intencionada postada no Estado de Nebraska. Insistente na história, Grant quer sair de Montana, onde mora com a esposa (June Squibb), para buscar a fortuna. Seu filho caçula, David (Will Forte), percebendo certa loucura na atitude do pai, decide largar o emprego por uns dias para levá-lo de carro até lá. A fotografia em preto e branco realça a melancolia com a qual o realizador enfoca os laços e desenlaces familiares. Amparado em excelente time de atores (June Squibb é uma fabulosa surpresa), diálogos ácidos e condução cadenciada, o filme ainda acerta na moderada comoção. Estreou em 14/2/2014.
    Saiba mais
  • Foi bem bolada a dobradinha do CineSesc. Desde a semana passada, está em cartaz Uma Família em Tóquio, adaptação para os dias de hoje desse clássico de Yasujiro Ozu (1903-1963), que ganha reprise em cópia restaurada. Notar as diferenças entre o original e o remake, feito por Yoji Yamada, faz parte do programa duplo. A principal delas diz respeito ao número de filhos: três na versão atual e quatro no passado (um deles morto na II Guerra). As tramas têm a mesma espinha dorsal e se equivalem em talento. Aqui, ela se passa em 1953 e flagra a visita de Shukishi (Chishu Ryu) e Tomi (Chieko Higashiyama) à nora viúva e aos dois filhos em Tóquio — um outro mora em Osaka. Eles se preocupam com os pais idosos, mas o tempo é escasso para dar atenção. Em esplêndida fotografia em preto e branco e abordando um tema de forma realista (e não menos desconfortável), o longa-metragem não perdeu o impacto nem o vigor de antes. Reestreou em 14/2/2014.
    Saiba mais
  • A comédia romântica gaúcha ganha o olhar da adolescente Cláudia (Lara Rodrigues). Aos 15 anos, ela vive as incertezas da idade. Enquanto uma colega descola várias paqueras, Cláudia sente o peso da timidez. Órfã de mãe, a garota mora com o pai, o argentino Rafael (Daniel Kuzniecka), e desabafa trocando mensagens com um estranho, apelidado Insônia, num chat da internet. Ao passar uns dias num hotel, Cláudia conhece Andreia (Luana Piovani), de 28 anos. Da afinidade entre as duas, nascem fortes laços de amizade. A primeira parte mostra-se simpática ao refletir as dúvidas da protagonista, praticamente as mesmas de sua amiga mais velha. Daí em diante, Andreia engata um previsível romance com Rafael e a história cai no lugar-comum. Rodado em 2007, o longa-metragem tenta fisgar o público-alvo dando um ar moderninho à narrativa — seja pelas animações no estilo dos gibis ou pela trilha sonora pop. A cara de novelinha juvenil, contudo, permanece. Estreou em 14/2/2014.
    Saiba mais
  • A atriz é dirigida por Woody Allen em Blue Jasmine e por George Clooney em Caçadores de Obras-Primas
    Saiba mais
  • O balé está dividido em três partes e traz coreografias do russo George Balanchine (1904-1983). Esmeraldas é um tributo à escola romântica francesa com trilha sonora de Gabriel Fauré. Em seguida, Rubis representa os musicais da Broadway ao som de Igor Stravinsky. O desfecho se dá com Diamantes, embalado por Tchaikovsky. Dias 20 e 21/2/2016.
    Saiba mais
  • Sabe aquele filme que passou rapidinho pelos cinemas e não deu tempo de ver? O Centro Cultural São Paulo resgata 23 longas-metragens de 2014 na mostra Breves e inéditos, até 18 de março. Há boas opções, com ingresso a R$ 1,00, como Nebraska, Mommy e Vic + Flo Viram um Urso. A melhor delas, porém, é o drama Homens, Mulheres & Filhos, com Rosemarie DeWitt e Adam Sandler, programado para a quinta (12/3), às 18h. De 3 a 18/3/2015.
    Saiba mais
  • Em mais um ciclo do projeto Brasil Tela para Todos — Perspectivas Contemporâneas, o Centro Cultural Banco do Brasil leva humor à plateia no domingo (27/4/2013). A pequena mostra Alô, Alô, Comédia reprisa três longas-metragens. Às 16h30, há a melhor pedida, Saneamento Básico, estrelado por um quarteto em sintonia. Na fita gaúcha dirigida por Jorge Furtado, os atores Fernanda Torres, Wagner Moura, Bruno Garcia e Camila Pitanga são amigos numa cidade do interior. Eles conseguem uma verba pública para fazer um filme, quando surge o primeiro problema: nenhum deles tem o menor talento para a carreira artística. Completam o programa Tapete Vermelho, com Matheus Nachtergaele, às 14h, e Elvis & Madona, às 18h30.
    Saiba mais
  • Cheias de graça

    Atualizado em: 13.Fev.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO