Gastronomia

A prova do frango em São Bernardo do Campo

Três renomados chefs paulistanos cruzam a Via Anchieta para testar o mais famoso prato do restaurante São Judas

Por: Kike Martins da Costa

Chefs no restaurante São Judas, em SÃO BERNARDO - 2232a
Andrea Kaufmann, Benny Novak e Raphael Despirite: elogios à receita e ao serviço (Foto: Fernando Moraes)

Depois de quarenta minutos de viagem entre São Paulo e São Bernardo, um trio especial de clientes chega ao local de destino: o restaurante São Judas, no bairro Demarchi. Com 61 anos de atividades, a casa é um ponto turístico da cidade, graças ao carro-chefe de sua cozinha, o frango com polenta, eleito o melhor de sua categoria nas cinco edições do especial VEJA “Comer e Beber” dedicadas ao ABC. O prato é tão popular que, a cada mês, são consumidos por ali 18 toneladas de seus principais ingredientes.

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Além da receita, o lugar se destaca pelas dimensões. Num primeiro momento, é isso que chama a atenção dos visitantes, todos eles renomados chefs da capital — Andrea Kaufmann (AK Vila), Raphael Despirite (Marcel) e Benny Novak (Ici Bistrô, Tappo Trattoria e 210 Diner). Do estacionamento, com 1.200 vagas, à cozinha, com mais de 1.000 metros quadrados, todos os detalhes ganham exclamações do grupo. “Perto disso, meu local de trabalho parece uma miniatura”, diz Raphael, antes de se juntar aos outros à mesa para provar o item principal do cardápio. A convite de VEJA SÃO PAULO, eles aceitaram experimentar a famosa receita.

Frango com polenta do São Judas, em SÃO BERNARDO - 2232a
Frango com polenta: o prato foi eleito o melhor de sua categoria nas cinco edições de VEJA “Comer e Beber” ABC (Foto: Fernando Moraes)

“A fritura está bem sequinha, com a pele crocante por fora e a carne bem úmida por dentro”, opinou Andrea, depois da primeira garfada no prato, que custa 41 reais e serve até três pessoas. “Gostei do tempero, que está na medida certa”, avaliou Benny. Raphael elogiou outro aspecto. “Eu pensei que as toalhas de mesa fossem de papel, mas elas são de pano”, disse. “É um ambiente simples, e nem dava para ser diferente com tanta gente, mas tudo é bem-arrumadinho e o serviço é simpático e atencioso.”

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O ponto fraco, para os três, foi a polenta, considerada insossa. “Acho que o melhor acompanhamento seria apenas uma salada de agrião. A acidez das folhas ajudaria a cortar um pouco a gordura da fritura da carne”, sugeriu Raphael. No fim, os cozinheiros saíram de lá satisfeitos com a experiência. Em parte pela agradável refeição, em parte por verem que o trabalho em seus respectivos restaurantes é uma rotina muito, muito mais tranquila do que a do São Judas. “Se aparecesse na pia do meu restaurante uma quantidade dessa de louças, talheres e panelas usadas, minha equipe demoraria uma semana para deixar tudo limpinho”, brincou Benny.

Cozinha de recordes

Números e curiosidades a respeito do estabelecimento, criado em 1949:

■ Alguns garçons caminham, durante a jornada de trabalho, até 15 quilômetros, distância equivalente à percorrida na Corrida de São Silvestre

■ Só o salão principal, no andar térreo, mede 106 metros de comprimento por 47 metros de largura, quase as dimensões de um campo oficial de futebol

■ No almoço de domingo do último Dia das Mães, em maio, o restaurante recebeu 9.982 clientes

■ O Partido dos Trabalhadores

praticamente foi criado no local. O ex-presidente Lula, que mora em São Bernardo, hoje em dia raramente vai ao restaurante. Quando aparece, gosta de sentar-se perto da cascata artificial que decora o salão

Fonte: VEJA SÃO PAULO