Consumo

A polêmica das sacolinhas

Os primeiros dias após o fim da distribuição das embalagens plásticas nos mercados são marcados por dúvidas, filas e confusão

Por: Claudia Jordão - Atualizado em

A polêmica das sacolinhas 2255
A pedagoga Sueli: compras menores por causa da dificuldade com o novo sistema (Foto: Cida Souza)

Um acordo entre o governo do estado, a prefeitura municipal e a Associação Paulista de Supermercados (Apas) baniu, desde o dia 25, a distribuição gratuita de sacolas plásticas em 2.600 lojas com o objetivo de reduzir o descarte de 6,6 bilhões de embalagens por ano (1,8 bilhão delas só na capital). A iniciativa tem por trás uma louvável preocupação com o meio ambiente. Além de ser derivado do petróleo, o produto demoraria até 400 anos para se decompor depois de jogado no lixo, de acordo com alguns estudos. Como o tal acordo não tem valor de lei, a adesão é voluntária. Na cidade, 95% dos supermercados já embarcaram na campanha, cujo slogan é a frase “Vamos tirar o planeta do sufoco”. A maior parte da população também se mostra simpática à ideia. Segundo pesquisa divulgada na semana passada pelo instituto Datafolha, 57% dos paulistanos apoiam a mudança.

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Esse clima favorável entre a opinião pública, porém, não se refletiu nos humores de quem precisou passar pelos caixas na semana passada. Apesar da farta divulgação, muitos acabaram pegos de surpresa. Mesmo as pessoas que se preveniram para esta nova fase confessam ainda estar confusas sobre como substituir as sacolinhas. “Está difícil”, dizia a pedagoga Sueli Castanho Nastri, enquanto pagava a conta na loja do Pão de Açúcar da Vila Clementino, na Zona Sul. Sua dificuldade era encontrar a melhor opção para levar as compras. Já tentou usar caixas de papelão, que, embora sejam distribuídas sem custo, nem sempre estão disponíveis. Também experimentou uma sacola retornável de tecido, cuja alça se rompeu com o peso. “Estou acostumada a levar mercadorias para duas semanas, mas hoje só vou adquirir comida para o dia, porque não sei mais como transportar grandes quantidades”, contou. O presidente da Apas, João Gallassi, no entanto, aposta que as dificuldades serão passageiras. “É preciso um tempo de adaptação para que tudo se ajeite”, acredita.

Para substituir as antigas embalagens, as empresas oferecem agora sacolas biodegradáveis. Elas são produzidas a partir de amido de milho e levam de seis meses a dois anos para sumir do planeta. Ou seja, essa versão seria uma evolução em termos ambientais. O inconveniente do negócio é que os mercados estão cobrando pelo produto (0,19 real, em média). “Não acho justo onerar o consumidor e lucrar com algo que antes era oferecido gratuitamente”, afirma a publicitária Joan na Sottomaior. Segundo a Apas, o valor cobrado é o preço de custo da embalagem verde. Empresários do setor dizem ainda que a venda será provisória. “Numa segunda fase do programa, essas sacolas também vão sair de circulação. Elas estão sendo oferecidas agora apenas para não deixar as pessoas na mão”, diz Felipe Zacari Antunes, gerente de sustentabilidade do Walmart Brasil.

Outra queixa comum dos consumidores é terem de se programar para fazer compras, carregando para o ponto de venda suas próprias embalagens, caso não queiram pagar pelas sacolas biodegradáveis. “Saí de casa para resolver várias coisas e decidi passar na venda”, conta o corretor Lucas Nascimento. “Precisei levar tudo na mão.” Até mesmo os iniciados sofrem. A agente de turismo Tatiana Ribeiro tem uma coleção de ecobags, caixas dobráveis e de papelão, e sabe muito bem onde acomodar da melhor forma cada item adquirido. “O problema é que levo uns vinte minutos para guardar tudo, e as pessoas no caixa olham feio”, diz. A demora dos clientes em acondicionar as mercadorias antes de levá-las para casa — especialmente em carrinhos, que exigem cuidados para que os alimentos frágeis não sejam esmagados — também vem contribuindo para o aumento das filas.

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Grandes redes como Pão de Açúcar, Walmart e Carrefour, além de outros mercados menores, criaram gôndolas recheadas de opções para os órfãos das sacolinhas. Cinco dias antes do fim da distribuição, o Pão de Açúcar, que vende catorze tipos de ecobag, reduziu o preço de seus sacos de ráfia (um tipo de plástico mais resistente) de 2,99 reais para 1,99 real. A rede Dia assinou o termo de compromisso com a Apas de banir a distribuição, mas só o fez em cerca de cinquenta endereços na capital. Em outros 100, incluindo os da Vila Madalena e da Vila Mariana, as velhas sacolinhas à base de petróleo ainda são fornecidas — o que tem atraído muitos fregueses. “Vou continuar vindo aqui, porque acho mais negócio”, afirma a estudante Luiza Gomes. Por meio de sua assessoria, o Dia informou que o material em questão é sobra de estoque e sumirá gradualmente de suas lojas.

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SOCORRO NO CAIXA

As alternativas disponíveis para empacotar e carregar as mercadorias

SACOLA REUTILIZÁVEL

Sacola reutilizável
(Foto: Divulgação)

De diversos materiais, como algodão ou plástico resistente, funciona tanto para compras menores quanto para maiores. Há diversos modelos disponíveis nas principais redes.

Preço: de 0,49 a 13,90 reais

 

CAIXA DOBRÁVEL

Caixa dobrável 2255
(Foto: Divulgação)

É a opção mais prática para acomodar os produtos no porta-malas. É ideal para o transporte de objetos pesados, como garrafas, latas e vidros.

Preço: 35 reais (em média)

 

CARRINHO DE FEIRA

Carrinho de Feira 2255
(Foto: Divulgação)

Clássico, é a melhor pedida para quem mora perto do mercado. Sua desvantagem está na distância entre as grades (itens pequenos escorregam para fora). A dica é combiná-lo com uma sacola retornável para artigos menores e leves.

Preço: 60 reais (em média)

  CARRINHO DE PANO
Carrinho de Pano 2255
(Foto: Divulgação)

Numa versão moderna, é feito de lona e protege os alimentos. Mas, é preciso ter cuidado ao usá-lo. Como não há grade para separar as compras frágeis, os materiais mais pesados devem ser colocados na base.

Preço: 45 reais (em média)

Fonte: VEJA SÃO PAULO