Consumo

Espaços especializados aumentam a oferta de produtos naturais

No ano passado, 1,1 bilhão de reais foram gastos com orgânicos nos supermercados do país, um aumento de 8% em relação a 2010

Por: Claudia Jordão

Onda Orgânica - Consumo 2270
A estudante Charlene: frequentadora do Quintal dos Orgânicos (Foto: Fernando Moraes)

Toda semana, a dona de casa Luisiane Laste recebe em sua residência, em Alphaville, por meio de um serviço de delivery, uma seleção de hortaliças e frutas orgânicas (sem adubos químicos, agrotóxicos nem hormônios) recém-colhidas do pé. Já a estudante de psicologia Charlene Keiko percorre lojas e frequenta restaurantes com produtos do mesmo tipo. “Nosso corpo sofre uma influência direta do que comemos”, afirma. Antes restrito a quitandas pequenas e frequentadas por poucas pessoas, o mercado atrai agora um público bem maior, que busca alimentos mais saborosos e saudáveis em espaços com melhor serviço e infraestrutura. O crescimento da procura reflete-se no aumento das vendas e na diversidade. No ano passado, 1,1 bilhão de reais foram gastos com orgânicos nos supermercados do país, um aumento de 8% em relação a 2010. O estado de São Paulo representa 56% do total.

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Impulsionada pelo momento, a oitava edição da Bio Brazil Fair será realizada entre quinta (24) e domingo no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Com 250 expositores, que vendem de verduras a cosméticos, a feira pretende atrair mais de 24.000 visitantes, entre revendedores e consumidores. “Em 2004, nosso primeiro ano, registramos menos da metade desse movimento”, compara a diretora de negócios, Lucia Cristina de Buone. “Hoje é possível comer, beber, cuidar-se e limpar a casa com artigos naturais, e isso atrai mais gente para a causa.”

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A dona de casa Luisiane: entrega de mercadorias em domicílio (Foto: Mario Rodrigues)

Para ser considerado orgânico, o item deve ter o selo de órgãos licenciados, como o Instituto Biodinâmico (IBD). Nem sempre os produtos cultivados sem defensivos químicos preenchem todos os requisitos: esses são chamados de agroecológicos. O principal lançamento da Bio Brazil Fair, por exemplo, é a carne suína da marca Korin sem antibióticos nem hormônios. A novidade é mais natural que as convencionais, mas não tem a certificação, principalmente porque os animais são tratados com ração que não é orgânica.

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O evento não é o único que oferece uma ampla variedade. Além da tradicional feirinha que ocorre desde 1991 no Parque da Água Branca e reúne 39 barracas que comercializam de alface a vinho, há pelo menos outras oito na capital. No último ano, a prefeitura lançou duas exclusivas para alimentos sem defensivos químicos: uma em São Mateus, na Zona Leste, e outra no Parque Burle Marx, na Zona Sul. Uma terceira, no Parque do Ibirapuera, deve começar a operar até julho.

As lojas segmentadas também proliferaram. Criada há 25 anos, a rede Mundo Verde cresceu 21% de 2010 para 2011 no estado, onde atualmente possui 51 endereços — desses, 36 na capital. Na esteira de empreendimentos charmosos como o Moinho de Pedra, da chef Tatiana Cardoso, que existe há dezessete anos na Chácara Santo Antônio e engloba loja, café e restaurante, surgiu o Quintal dos Orgânicos, na Vila Madalena. Aberto em 2010, virou parada obrigatória para os entusiastas. Lá é possível sentar-se em mesas rústicas, em meio a um pequeno pomar, e retirar frutas como jabuticaba e romã direto do pé. Além disso, dispõe de mais de 1.000 artigos 100% naturais, de roupas íntimas a saladas colhidas na véspera em várias regiões do Brasil. Também há empresas que entregam em domicílio. Aberta há quatro anos, a Organic Delivery oferece uma série de cestas pré-montadas, como as preparadas para solteiros e bebês.

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O Moinho de Pedra, da chef Tatiana: empório pioneiro (Foto: Mario Rodrigues)

Apesar do aquecimento, o mercado enfrenta problemas que o impedem de prosperar ainda mais. A principal barreira continua sendo o preço, de 30% a 60% maior que o dos produtos convencionais. “Os hortifrútis vêm de pequenos produtores, são cultivados em menor escala e em determinada época do ano, além de seguir certos critérios que os encarecem”, explica Lucia. Proprietário do Quintal, Nardi Davidsohn acredita que o investimento é convertido em saúde. “Meus funcionários almoçam aqui e nunca ficam gripados”, diz ele, embora isso não tenha comprovação científica.

ONDE COMPRAR

Feira do Parque da Água Branca.

Feira do Parque Burle Marx.

Moinho de Pedra.

Quintal dos Orgânicos.

Organic Delivery. Telefone: 4169-4457. 10h/17h (seg. a sex.) www.organicdelivery.com.br. (atendimento apenas por telefone e pelo site).

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO