Teatro

Diogo Vilela domina a adaptação de 'A Gaiola das Loucas'

Dirigido por Miguel Falabella, espetáculo apresenta quarenta trocas de cenários, 300 figurinos, 25 atores, além de catorze músicos

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

A Gaiola das Loucas 2191
Falabella e Vilela: humor e conflitos sentimentais (Foto: Caio Gallucci)

Em 1983, o então enigmático vírus da aids assombrava a comunidade gay, associado à promiscuidade sexual. Inspirado na peça de Jean Poiret, que estreou nove anos antes, o musical A Gaiola das Loucas, de Harvey Fierstein e Jerry Herman, chegou à Broadway mostrando um estável casal homossexual. De lá para cá, o preconceito diminuiu e o espetáculo, agora adaptado e dirigido por Miguel Falabella, ganhou uma luxuosa versão apoiada em um grande astro — o ator Diogo Vilela. São quarenta trocas de cenários, 300 figurinos, 25 atores e catorze músicos.

Georges (papel de Falabella) comanda o cabaré onde brilha o transformista Zazá (Vilela). Longe do palco, ele é Albin e, ao lado de Georges, cria um rapaz (Davi Guilherme) cuja intenção é se casar com a filha de um político homofóbico (Maurício Moço). Já que nos dias de hoje a afetação dos personagens não rende mais tanta graça, a montagem reforça o sofrimento de Albin ao ver o filho relutante em apresentá-lo à família da noiva como ‘mãe’. Vilela investe em cada nuance de Albin e Zazá, divertido e comovente. Falabella exercita-se no posto de showman, mas não exige de si o rigor extraído dos colegas. Nessa lacuna, fica claro: ele sobressai mais nas funções de autor e encenador do que no papel de intérprete.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO