Teatro

'A Forma das Coisas', escrito por Neil LaBute, aborda as transformações humanas

Assim como a maioria dos textos de LaBute, o espetáculo promove oportuna reflexão

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

'A Forma das Coisas'
Carol Portes e Pedro Osorio, o casal protagonista: opostos que se fundem (Foto: Paula Kossatz)

De tempos em tempos, surge a coincidência de a obra de um dramaturgo ganhar revisão espontânea. Como nem só de William Shakespeare e Nelson Rodrigues vive o teatro, chegou a vez do americano Neil LaBute. No ano passado, Antonio Fagundes encenou o monólogo Restos. Agora, Fabiana Karla protagoniza a comédia Gorda e, em breve, deve estrear Aquelas Mulheres, com Pedro Brício. Em cartaz no Espaço Parlapatões, ‘A Forma das Coisas’, outro exemplar da dramaturgia de LaBute, ganhou inspirada montagem dirigida por Guilherme Leme. Assim como a maioria de seus textos, este também não morre quando a sessão acaba e promove oportuna reflexão.

O drama trata de transformações. Adam (papel de Pedro Osorio) é um garoto tímido, gordinho e sem o menor tato com as mulheres, que trabalha como segurança de um museu. Em uma exposição, ele conhece Evelyn (a atriz Carol Portes), jovem cheia de atitude, sob medida para encantá-lo e moldá-lo. Aos poucos, o rapaz coloca lentes de contato, ingressa em uma academia e, de repente, os amigos (André Cursino e Karla Dalvi) não o reconhecem mais nessa nova embalagem. Por meio de um cenário simples, formado por cinco totens que recriam uma dezena de ambientes, a ação se desenvolve cheia de ritmo e ao embalo de uma deliciosa trilha sonora. O elenco transmite com exatidão as intenções do autor e, diante do final surpreendente, LaBute faz pensar que, em alguns casos, certa vilania pode levar a ganhos futuros.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO