Crianças

'A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília' aborda valores no Teatro Alfa

Ursos deixam as montanhas em busca do caçula Tônio, capturado por dois caçadores. Quando são aceitos na cidade, esquecem de princípios importantes, como a humildade

Por: Bruna Ribeiro

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Dirigida por Carla Candiotto, a Cia. Delas interpreta com humor A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília, no Teatro Alfa. A história é uma adaptação do livro homônimo escrito pelo italiano Dino Buzzati. Na trama, uma família de ursos deixa o refúgio das montanhas rumo à planície em busca do caçula Tônio (Lilian Damasceno), capturado por dois caçadores (Fernanda Castello Branco e Paula Weinfeld).

+ Saiba tudo sobre o roteiro infantil da cidade

O sotaque italiano carregado dos personagens ganha, de cara, a simpatia do público. Também diverte a reação histérica do rei (Cecília Magalhães) à chegada dos invasores: ele obriga um assistente a subir e descer da torre do castelo várias vezes para avistá-los. Com o tempo, os bichos são aceitos e passam a viver ao lado dos humanos. O urso Leôncio (Thaís Medeiros), o chefe da família, acaba se tornando rei da Sicília, mas fica triste quando percebe que os animais esqueceram valores importantes, como a humildade e a amizade.

Em entrevista à VEJA SÃO PAULO, Carla fala sobre o processo de criação da montagem. "Quando a companhia me chamou para montar um texto de Dino Buzzati, achei maravilhoso. É um autor que eu gosto muito e há uma curiosidade: é o único infantil dele", diz. Confira a entrevista  com a diretora:

Vocês começaram a montar a peça em abril deste ano. Como foi esse processo?

Ensaiamos todos os dias durante os últimos três meses. Já havia dirigido Histórias por Telefone para a mesma companhia no ano retrasado e foi uma parceria muito boa. Quando elas me chamaram para montar um texto de Dino Buzzati, achei maravilhoso. É um autor que eu gosto muito e há uma curiosidade: é o único infantil dele. Então é uma obra muito mais profunda, que chega a ser política, mas é também lúdica.

Qual foi sua inspiração?

Dino, o autor, viveu na época do meu avô italiano, que me contava muitas histórias. Quando li o livro, percebi uma semelhança muito grande entre as narrativas deles. Por isso fiquei sempre com meu avô na cabeça.

Na Le Plat Du Jour, companhia que você dirige, é comum a adaptação de clássicos, como Chapeuzinho Vermelho. Como foi montar uma obra menos conhecida?

Existe uma diferença entre adaptar uma história que todos conhecem e uma história que nem todos conhecem. Existe uma preocupação maior também com as brincadeiras e toda a história, respeitando bastante o autor. Mas toda a linguagem que costumo usar está lá.

Qual é mais difícil?

Eu não sei qual é mais difícil. Adaptar é difícil, mas é uma aventura. Você entra em uma viagem com o autor e a história e coloca os elementos contemporâneos. Com isso, você percebe que não estamos muito distantes do que já foi escrito, no caso desta peça, em 1946.

Qual foi o maior desafio de dirigir A Famosa Invasão dos Ursos na Sicília?

O maior desafio foi representar a morte. Não tínhamos como ignorar essa parte, porque a peça fala sobre o ciclo da vida. Por isso fizemos uma bala com meia enrolada. É muito doce. Você não vê perigo e logo pensa: não vai doer. 

Quais são os próximos projetos?

Estou dirigindo Simbá – O Navegante, da companhia Circo Mínimo. A peça estreia no fim do ano. Também estou preparando todo o repertório do Le Plat para inaugurar o Teatro UMC, novo na Zona Oeste da cidade.

Fonte: VEJA SÃO PAULO