Entrevista

Exclusivo: A nova música da Banda Mais Bonita da Cidade em vídeo

A canção inédita Uma Atriz entra para o repertório do novo show do quinteto curitibano; ouça

Por: Mayra Maldjian - Atualizado em

A Banda Mais Bonita da Cidade
A Banda Mais Bonita da Cidade: segundo disco saindo do forno (Foto: Beto Bolliger)

O Mais Feliz da Vida, segundo disco do quinteto curitibano A Banda Mais Bonita da Cidade, está saindo do forno. Previsto para outubro, o álbum sucede aquele gravado depois do mega-sucesso Oração, cujo vídeo viralizou na internet em 2011 e alcançou cinco milhões de visualizações em menos de um mês.

Em estúdio desde janeiro, Uyara Torrente (vocal), Rodrigo Lemos (teclado), Vinicius Nisi (teclado), Diego Placa (baixo) e Luis Bourscheidt (bateria) estão dando um trato diferente ao novo registro fonográfico. “Pela loucura daquele momento, a gente pegou o repertório que vínhamos tocando há dois anos e gravou”, conta Uyara à VEJASAOPAULO.COM por telefone nos intervalos das gravações (leia a entrevista completa abaixo). “Agora estamos começando do zero.”

Ainda que focados na finalização do CD, a banda continua nos palcos. Nesta sexta (26), por exemplo, eles voltam à cidade para um show no espaço cultural Mundo Pensante, no bairro do Bixiga. Ao repertório, além das já conhecidas Canção Pra Não Voltar e o hit Oração, de Leo Frassato, o grupo deve incluir a inédita Uma Atriz, composição do carioca Vitor Paiva. “É uma música bem antiga dele que eu sempre quis cantar. Ela fala de amor”, conta Uyara.

E foi essa música que a banda escolheu para gravar em versão acústica para a gente. Assista abaixo ao vídeo exclusivo:  

VEJASAOPAULO.COM - Como está a gravação do novo disco?

Uyara Torrente - Tem sido um ano bem dedicado a isso, porque o nosso primeiro disco foi gravado de um jeito muito rápido. Pela loucura daquele momento [o vídeo de Oração viralizou e a banda virou sensação na internet], a gente pegou o repertório que vínhamos tocando há dois anos e gravou. O processo desse segundo disco começou muito do zero. Na verdade, desde o ano passado eu já vinha ouvindo muita coisa para o repertório desse trabalho. E aí no começo do ano, em janeiro,  entramos em estúdio e começamos a ensaiar, a tocar as coisas que a gente tinha separado, até que essas coisas foram se afunilando e chegando ao repertório final.

O que você ouviu durante esse tempo de pesquisa de repertório? Eu ouvi de um tudo. A nossa banda é uma banda intérprete. Então, por mais que tenha a música do Rodrigo e a minha música, a maioria ainda é de outros compositores. Meu trabalho, na verdade, é conhecer tudo o que vem rolando e tentar buscar algumas identificações. Em princípio era focado mais em compositores curitibanos e paranaenses, mas agora a gente ampliou isso. Eu ouvi pessoas de muitos lugares, [no disco] tem gente de Recife, do Rio, de São Paulo, daqui. Eu sempre busco coisas de gente que eu admiro, como o Pélico, que é um cara daí de São Paulo muito legal, um compositor que eu gosto muito. Ouvi o disco dele por dois anos e pensava “puxa, quero muito gravar uma música dele”. Tem o Tibério Azul e o Vitor Paiva também.

E a sonoridade está mudando ou vamos ouvir algo parecido com os trabalhos anteriores? É bem diferente. Agora temos uma preocupação em deixar a sonoridade um pouco mais homogênea, tentar criar uma unidade sonora, acho que estamos conseguindo fazer isso. Ainda tem características muito fortes da banda, com certeza, mas tem muitas mudanças também. Na escolha das músicas, por exemplo. No primeiro disco as músicas eram muito, muito teatrais. É uma delícia, eu adoro. Mas nesse disco elas são mais canção. Estamos em outro momento.

Vocês se sentem mais preparados como banda agora? Quando tudo aquilo aconteceu em 2011, a banda não era o projeto principal na vida de ninguém. A gente tinha feito cinco shows, então a maturidade de um disco ou de uma banda que fez cinco shows é diferente de um disco de uma banda que está há dois anos viajando toda semana. A gente tocou muito nos últimos dois anos. Isso vem muito para o bem.

Quem está na produção do disco? A gente fez um single com o Chico Neves, que é um produtor incrível [Paralamas do Sucesso, Los Hermanos, Arnaldo Antunes]. A gente foi para Belo Horizonte, ele tem uma casa-estúdio lá. Foi uma experiência de vida. Isso refletiu em toda a feitura do disco, não só na faixa O Mais Feliz da Vida, que ele produziu. A gente voltou de lá muito contaminado com o clima, com os ensinamentos dele. O disco está todo com uma vibe que ele trouxe para a gente. A produção das outras músicas está sendo feita pela gente mesmo, especialmente pelo Vinicius [Nisi].

Me fala um pouco sobre a música Um Cão Sem Asas, que é uma parceria sua com o Vitor Paiva. O Vitor Paiva é uma pessoa muito próxima, muito querida. A gente trabalhou junto no disco anterior, com a música Nunca. Eu não sou compositora, mas ele sempre estimulou muito isso. Ele sempre falava: “Vamos tentar fazer alguma coisa”. E eu dizia que se por acaso algum dia eu tivesse uma inspiração maluca, seria com ele que eu iria compartilhar. E aconteceu. Um dia eu estava querendo dormir e não conseguia. Simplesmente me veio uma melodia na cabeça. E eu falava: “Sai da minha cabeça que eu quero dormir!” E a melodia não ia embora. Então eu resolvi gravar, vai que dá em alguma coisa. Fiquei morrendo de vergonha, mas mandei para o Vitor botar a letra. Ele gostou muito. Ele queria saber se eu tinha alguma ideia de tema para a letra, e eu contei que ela veio num momento em que eu estava meio acordada, meio dormindo, um momento em que as imagens ficam vindo na cabeça, sem muita coerência. Aí saiu Um Cão Sem Asas, uma letra super imagética. Foi isso. Parece que temos uma compositora nova no pedaço!

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO