Cinema

Nove filmes que são exibidos em apenas uma sala

Os Belos Dias e La Jaula de Oro são algumas das opções

Por: Miguel Barbieri

Os Belos Dias
'Os Belos Dias': Laurent Lafitte e Fanny Ardant, romance sem julgamentos (Foto: Divulgação)

Alguns filmes resistem bravemente nas salas de cinema, às vezes ficando por muito tempo em exibição em apenas um local. É o caso dos nove filmes listados abaixos, todos com apenas uma sessão na cidade. Confira:

  • Caroline (Fanny Ardant) tem 60 anos, duas filhas na faixa dos 30, é casada e dentista aposentada. Além de ter perdido a melhor amiga para o câncer meses atrás, seu cotidiano caiu na mesmice. Ela começa a frequentar um clube da terceira idade e acaba sentindo atração por Julien (Laurent Laftte), um jovem professor de informática. O cara corresponde com beijos, amassos e sexo casual. Ele está a fim de uma aventura. Caroline, por sua vez, redescobriu a paixão nos braços de um homem com idade para ser seu filho. A diretora Marion Vernoux acerta no tom do romance. Não há julgamentos morais e, sim, uma prudente reflexão sobre o desgaste das relações conjugais e a descoberta de novos prazeres numa faixa etária na qual muitos entregam os pontos. Luminosa numa cabeleira loira, a classuda Fanny Ardant, viúva do cineasta François Truffaut (1932–1984), encontra aqui um papel que, sem cair na vulgaridade, irradia felicidade pelas ruas de Dunquerque, no norte da França. Estreou em 11/10/2013.
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  • Inspirada nos diários da protagonista, descobertos em 1991, depois de sua morte, a comédia dramática começa com um flerte aparentemente improvável. Casado com Eleanor (Olivia Williams), o presidente Franklin Roosevelt (Bill Murray) passa uma cantada em sua prima distante Daisy Suckley (Laura Linney). A moça é uma fazendeira de poucas posses e se encanta por servir, de todas as maneiras, o chefe da nação americana. Aqui já existia um bom tema para um longa-metragem. O roteiro, contudo, amplia o foco. Debruça-se sobre a tumultua da visita feita por Elizabeth (Olivia Colman) e Bertie (Samuel West), o casal de reis ingleses, à propriedade rural da mãe de Roosevelt, em 1939. Diretor de Um Lugar Chamado Notting Hill, Roger Michell embola o meio de campo ao dar à história um tom de sátira. Embora o argumento seja curioso por abordar a intimidade de Roosevelt (18821945), a trama ganha um tratamento ficcional que pouco transmite a verdade. Estreou em 29/11/2013.
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  • Juan (Brandon López) e Samuel (Carlos Chajon) são amigos e moram na Guatemala. Cansados da miséria, decidem botar o pé na estrada numa perigosa rota até os Estados Unidos. Acompanha-os a garota Sara (Karen Martínez), que se disfarça de menino para parecer mais forte. No caminho, o trio é perseguido por Chauk (Rodolfo Domínguez), descendente de índios e, por isso, rechaçado pelo trio. A jornada será coberta de desventuras. Em seu primeiro longa-metragem, o diretor espanhol Diego Quemada-Díez faz uso de um desconcertante realismo social para enfocar a trajetória sem destino de adolescentes marginalizados em seu país. Não à toa, o realizador recrutou uma garotada inexperiente na área para dar mais veracidade à angustiante história. Estreou em 6/12/2013.
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  • Em 1979, no fim do período militar, uma turma de amigos abriu o Lira Paulistana. Era um teatro num porão da Rua Teodoro Sampaio, número 1091, que reunia a nata da música de vanguarda da época. Pelo palco da casa, onde cabiam 300 pessoas, passaram de Cida Moreira a Ultraje a Rigor. Os grupos Premeditando o Breque, Rumo e Língua de Trapo sempre marcavam presença, assim como Itamar Assumpção, uma prata da casa. O documentário, dirigido por Riba de Castro (um dos sócios do Lira), possui a nobre finalidade de retomar essa história por meio de nostálgicas imagens de arquivo e depoimentos entusiasmados. Entre eles, os de Fernando Meirelles, Marcelo Tas, Laura Finocchiaro e Paulo Lepetit. O Lira cresceu muito em meados da década de 80. Teve gravadora, editora, um jornal e expandiu seu território até a Praça Benedito Calixto. Embora em seus quinze minutos finais torne-se repetitivo nos elogios rasgados, o filme é um registro de respeito que fazia falta na filmografia documental brasileira. Estreou em 15/11/2013.
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  • Rafael Burlan da Silva foi assassinado com sete tiros em 2001, no bairro do Capão Redondo. Tinha 23 anos e deixou dois filhos. Seria mais um caso das páginas policiais se seu irmão, o cineasta Cristiano Burlan, não fizesse um documentário a respeito do crime — Rafael estava envolvido com drogas e roubo de carros. Embora contenha poucos depoimentos (e quase todos os parentes prefiram jogar a sujeira para debaixo do tapete), a fita traz uma longa e ótima entrevista de um amigo, que sintetiza numa frase a situação na periferia e o descontentamento dos moradores: “O problema não está em quem ficou lá. Está em quem ficou e queria sair”. Estreou em 22/11/2013.
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  • Embora elogiado nos Estados Unidos e forte candidato ao Oscar, o quarto longa-metragem do diretor Lee Daniels (de Preciosa) tem momentos risíveis. A trama, inspirada em personagem verídico, tenta dar conta de registrar mais de setenta anos da história americana por meio da vida de Cecil Gaines (o competente Forest Whitaker). Quando criança, ele viu o pai ser assassinado, foi criado pela dona de uma fazenda e, mocinho, saiu de lá para se virar sozinho. Chegou à Casa Branca em 1952 e serviu a oito presidentes, entre eles Eisenhower (Robin Williams) e Kennedy (James Marsden). Teve dois filhos. Enquanto o primogênito virou um ativista dos direitos dos negros, o caçula foi lutar na Guerra do Vietnã. Isso é só um resumo dos dramalhões do roteiro. Trazer à tona como a população negra foi (mal) tratada durante décadas é louvável. O melhor formato para construir personagens e deixar a narrativa fluir seria uma minissérie. Em pouco mais de duas horas, O Mordomo deixa a sensação de uma novela picotada. Estreou em 1º/11/2013.
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  • Paixão e Acaso flagra um triângulo amoroso incomum. Há muitos anos sem transar, a psicanalista Inês (Vanessa Gerbelli) se encanta por um rapaz sedutor (papel de Pedro Furtado). Logo depois, conhece um pianista viúvo (Aderbal Freire-Filho). Mal sabe ela que se apaixonou por pai e filho. O roteiro abre espaço para dois dispensáveis pacientes da analista, mas a história segue acesa pelos tumultuados casos de amor dela. Estreou em 29/11/2013.
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  • Em Primeiro Dia de um Ano Qualquer, Maitê Proença interpreta uma colunista que, em sua casa na serra fluminense, recebe uma turma de amigos no Réveillon. Num acalorado debate dos personagens sobre infidelidade conjugal, casais se desfazem e nascem novos pares. Em um dos quiproquós, surge a dúvida da protagonista sobre namorar um cara bem mais novo, possivelmente interessado em sua jovem filha (Tammy Di Calafori). O estilo de Oliveira está em cena: diálogos saborosos em uma realização despretensiosa, toda ambientada na bela propriedade de Maitê. Um pouco “arrumadinho”, talvez por ser baseado em sua peça Turbilhão. Estreou em 29/11/2013.
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  • O que esperar de um roteiro escrito por Sylvester Stallone? Pancadaria, explosões e... nada mais. É o que ocorre nesse insosso thriller que traz Jason Statham como o investigador de narcotraficantes Phil Broker. Depois de capturar um criminoso, ele deixa a vida de policial e refugia-se com a filha (Izabela Vidovic), dois anos depois, numa pequena cidade da Louisiana. Até ter sua identidade descoberta por um distribuidor de drogas local (papel de James Franco), já se passou uma hora de filme. Nos quinze minutos finais, a trama tenta decolar, mas frustra pela previsibilidade. Statham, contudo, se defende bem nos socos e pontapés. Estreou em 6/12/2013.
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Fonte: VEJA SÃO PAULO