Teatro

3 perguntas para Thiago Lacerda

O ator fala sobre a experiência de encarar Hamlet numa nova montagem do texto de Shakespeare

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Thiago Lacerda
Thiago Lacerda: "Antes de a cortina abrir, sou como alguém que teme a altura e vai saltar de paraquedas". (Foto: Stewart Price)

Quatro anos depois de Wagner Moura dividir opiniões na pele do personagem criado por William Shakespeare, é a vez de o ator carioca Thiago Lacerda protagonizar a tragédia Hamlet. Aos 34 anos, o galã não teme comparações com nenhum dos colegas, contemporâneos ou não, que enfrentaram o mesmo desafi o. Dirigida pelo niteroiense Ron Daniels, a peça estreia no Tuca na sexta (19).

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VEJA SÃO PAULO — Quando chega a hora de um ator interpretar Hamlet?

Thiago Lacerda — O momento se faz. Eu pensava em montar um texto de Shakespeare, afinal gosto de muitos, mas veio esse convite e vi que poderia ser agora ou nunca. Como é um personagem que oferece uma quantidade enorme de informações, se eu pensasse demais acabaria desistindo. Vi o Diogo Vilela, o Wagner Moura e até o Jude Law em uma montagem em Londres. Mas para mim é como se nenhum deles tivesse feito, assim como o Sérgio Cardoso e o Walmor Chagas. Parti do zero.

VEJA SÃO PAULO — A experiência de protagonizar Calígula, entre 2008 e 2009, foi importante para a sua preparação?

Thiago Lacerda  — Sem dúvida. Calígula foi como um Hamlet para mim, um personagem transformador na minha carreira. Nesse trabalho, o diretor Gabriel Villela me deu a certeza de que no teatro é importante o conjunto, o todo. O ator mostrase só um mecanismo para contar a história. Não vejo o Hamlet como um veículo para brilhar sozinho. E tem o fato curioso de o diretor Ron Daniels, que é brasileiro e vive no exterior há trinta anos, jamais ter ouvido falar em mim até receber dos produtores a indicação do meu nome. Ele nunca me viu nem em novelas.

VEJA SÃO PAULO — Você se diz muito tímido. Como é enfrentar o palco?

Thiago Lacerda — É um problema desde a adolescência, pois sempre fui muito alto, o último da fila. Sou quieto e costumo ficar na minha. Como escolhi atuar, decidi enfrentar o medo todos os dias. Antes de a cortina abrir, sou como alguém que teme a altura e vai saltar de paraquedas. Mas na vida pessoal isso é um ganho. Quando chego a um restaurante, procuro a mesa do fundo. Não gosto de me expor, e isso preserva a minha família.

Fonte: VEJA SÃO PAULO