No palco

3 perguntas para Regina Duarte

Atriz celebra cinco décadas de carreira com Raimunda, Raimunda, comédia do piauiense Francisco Pereira da Silva

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Regina Duarte
Além de ser a protagonista, Regina Duarte estreia como diretora na peça Raimunda, Raimunda (Foto: Rafael França)

Uma das mais populares atrizes brasileiras, Regina Duarte, de 65 anos, celebra cinco décadas de carreira com Raimunda, Raimunda, comédia do piauiense Francisco Pereira da Silva inspirada na estética circense. Além de ser a protagonista, ela estreia como diretora da montagem em cartaz no Teatro Raul Cortez.

VEJA SÃO PAULO — Por que a decisão de dirigir o próprio espetáculo?

Regina Duarte —  Eu decidi assumir a encenação porque não encontrei ninguém com uma visão parecida com a minha. A vida inteira estive a serviço de outros diretores, com quem aprendi muito. Mas desta vez eu tinha a intuição de como esse trabalho deveria ser e não quis abrir mão. Sou filha de um cearense e o universo circense é muito forte para mim. Foi no picadeiro que, aos 8 anos, eu entrei em cena pela primeira vez, em um circo montado perto de casa, em Campinas. Eu me lembro da cara fechada do meu pai, dizendo que aquilo não era lugar para moça de bem.

 

VEJA SÃO PAULO — O que de mais importante a televisão ensinou a você e que agora pode aplicar como diretora teatral?

Regina Duarte — Sempre tive uma relação muito forte com os colegas, diretores e equipe técnica. Minha geração foi formada junto com a televisão, participava de todos os processos. Não era só decorar o texto e gravar. O diretor Walter Avancini, por exemplo, estimulava o ator a observar a preparação da luz, a montagem do cenário, como era captado o som... Nós acompanhávamos até a edição do capítulo. Nunca tive uma visão unilateral do processo.

 

VEJA SÃO PAULO — Foi graças ao teatro, depois de viver uma prostituta na peça Réveillon (1975), que você começou a deixar de ser vista como a “namoradinha do Brasil”?

Regina Duarte — Réveillon foi a minha grande virada. E a “namoradinha” só começou a ser enterrada porque os diretores de TV viram que fui capaz de fazer uma prostituta. Aí vieram Malu Mulher e a viúva Porcina. Minha imagem de moça frágil e indefesa estava muito solidificada. Não aguentava mais fazer a mesma mulher. Demorei a entender que esse rótulo era uma demonstração de carinho do público.

Fonte: VEJA SÃO PAULO