Teatro

3 perguntas para... Paulo José

Incansável, ele supera os obstáculos impostos pelo mal de Parkinson desde 1993 e lança ainda o filme 'Quincas Berro d’Água'

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

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Há nove anos longe do teatro, o ator gaúcho Paulo José protagoniza o espetáculo 'Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar' (Foto: Daryan Dornelles)

Há nove anos longe do teatro, o ator gaúcho Paulo José, de 73 anos, protagoniza ao lado da filha, Ana Kutner, o espetáculo 'Um Navio no Espaço ou Ana Cristina Cesar', sobre a poetisa carioca morta em 1983. Incansável, ele supera os obstáculos impostos pelo mal de Parkinson desde 1993 e lança ainda o filme 'Quincas Berro d’Água'.

O senhor mora no Rio de Janeiro. Uma temporada em outra cidade não afeta a rotina do tratamento em relação ao Parkinson? Eu sempre trabalho tanto, na maioria das vezes longe de casa, que já me acostumei. Até duas semanas atrás, eu filmava O Palhaço, dirigido pelo Selton Mello, em Paulínia. Antes de estrear a peça em São Paulo, vou para Salvador divulgar Quincas Berro d’Água. Acabei um curta com a atriz Juliana Carneiro da Cunha. Faço meus exercícios, tomo meus cuidados e vou trabalhando.

No espetáculo, interpreta a si mesmo, um interlocutor. É menos cansativo? É uma forma muito mais fácil de composição. Apareço como provocador, em um nível abaixo do palco, perto do público. Sempre dei um jeito de estar em cena. Fiz apresentações especiais, montei solos para eventos. Minha participação no espetáculo se justifica porque passo minha visão pessoal sobre Ana Cristina Cesar no período em que trabalhamos juntos na Globo.

Como foi sua convivência com Ana Cristina Cesar? Em 1982, ela voltou do mestrado em Londres e foi trabalhar como analista dos roteiros da série Caso Verdade, coordenada por mim. Imagine uma garota pedante e chata. Ana considerava os roteiros folhetinescos, botava defeito em tudo. Logo que entramos de férias, no fim da primeira temporada, ela lançou o livro A Teus Pés. Fiquei encantado, mas nunca lhe disse isso. Antes de retomar o trabalho, Ana se matou. Era um peixe fora d’água ali na Globo, como sempre foi na vida.

Fonte: VEJA SÃO PAULO