Teatro

3 perguntas para... Lucio Mauro Filho

Ator fala sobre seu novo monólogo cômico, “Clichê”, que estreia em São Paulo

Por: Dirceu Alves Jr.

Lucio Mauro Filho - 2223
Lucio Mauro Filho: "Quero um diretor que me impeça de baixar as calças para conquistar o riso do público" (Foto: Rafael Campos)

Desde 2001, o ator carioca Lucio Mauro Filho, de 37 anos, é o Tuco do seriado “A Grande Família”. Sua trajetória traz também personagens improváveis, como o trágico Hamlet, de William Shakespeare, que interpretou em 1998. Na sexta (1º), ele estreia no Teatro Folha o monólogo cômico “Clichê”, no qual vive um sujeito com fobia de lugares-comuns e vícios de linguagem.

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VEJA SÃO PAULO — O público vai ao seu espetáculo à espera de uma stand-up comedy? Lucio Mauro Filho — Toda vez que aparece um comediante no palco, a plateia já acha isso. É bom ter espaço para todos, mas hoje não me interessa fazer o próprio Lucio Mauro Filho. Quero criar personagens e ter a mão firme de um diretor capaz de me impedir de, por exemplo, baixar as calças para conquistar o riso do público. Fiz meu primeiro stand-up em 1997, em uma boate do jogador Ronaldo, no Rio. Eu me ofereci para apresentar um show na festa de aniversário do Fenômeno e fiquei contratado por um ano. Na época, todo mundo torcia o nariz, achava um estilo americanizado.

VEJA SÃO PAULO — Não sente falta de se desafiar em personagens dramáticos? Lucio Mauro Filho — Enquanto eu estiver em A Grande Família, isso não vai ocorrer. Pelo menos, não serei convidado. Talvez a minha história seja parecida com a do meu pai no passado. O velho Lucio Mauro começou como ator dramático e, popularizado pela TV, ninguém se lembrou de escalá-lo para um papel mais denso. Participei do grupo dirigido pelo Ivan de Albuquerque entre 1995 e 2001. Lá, descobri que posso ir além da comicidade. Cheguei a protagonizar Hamlet, em 1998. Os meus amigos perguntavam: “Mas vai ser uma versão satírica?”. Ninguém acreditava que eu pudesse fazer tragédia. Confiava muito no Ivan e não percebi risco. No fim, deu certo.

VEJA SÃO PAULO — Você salienta que o espetáculo não teve patrocínio. Seria uma alfinetada em quem acredita ser inviável fazer teatro hoje? Lucio Mauro Filho — Olha, eu e minha mulher, a produtora Cintia Oliveira, levantamos tudo em três meses. Passei um ano tentando captar recursos para outro trabalho, quando descobri esse texto e decidi não perder mais tempo. Meus colegas estão muito acomodados, em função das leis de incentivo. Pensam que só é possível montar um monólogo se se tiver 600.000 ou 700.000 reais no bolso. Não é verdade. Juntei uma equipe e todo mundo virou sócio, ganhamos conforme a grana entra. Para ter casa cheia, precisamos lutar pelo público, e isso nos move.

Fonte: VEJA SÃO PAULO