Teatro

3 perguntas para... Edson Celulari

O ator fala sobre o desafio de interpretar um papel feminino na peça de teatro Hairspray, em que canta e dança

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Edson Celulari_2153
Ator Edson Celulari interpreta Edna Turnblad na comédia Hairspray (Foto: Rogério Pallatta)

O convite para a comédia Hairspray desafiou o ator Edson Celulari. Aos 51 anos, ele nunca havia participado de um musical, tampouco feito um papel feminino. Na pele da gorducha Edna Turnblad, Celulari canta, dança e ainda se equilibra no salto alto.

É mais difícil protagonizar um musical ou viver uma personagem feminina? Poderia estar de bigode, terno e gravata que as dificuldades seriam as mesmas. Usar salto não é nada perto de fazer um musical, em que se exigem preparo físico e raciocínio incomuns. Assisti às duas versões para o cinema de Hairspray, a que deu origem ao espetáculo na Broadway, de 1988, e a estrelada por John Travolta, de 2007. Também fui conferir uma montagem em Buenos Aires. Fiquei tranquilo ao perceber que a personagem exigia mais de interpretação e menos de aptidão musical. Eu nunca havia estudado dança ou canto. E sei que jamais vou dançar bem porque não levo jeito. Mas cantar eu ainda vou tentar aprender (risos).

A experiência em musicais de sua mulher, Claudia Raia, o deixou mais tranquilo? Claudia tem disciplina, é teimosa — mas também atenta. Passei madrugadas desesperado porque não dominava a coreografia. Sou ansioso e não consigo fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Queria aprender tudo, e ela me dizia: “Calma, você precisa estudar uma parte de cada vez. Será mais fácil”.

No teatro você testa uma versatilidade que não conseguiria na TV? Na televisão, o ator fica preso a um arquétipo, e eu, no caso, aos galãs ou mocinhos. Sempre dei forma ao meu sonho no teatro. Desde Calígula (1991), produzo espetáculos. Esta é a primeira vez, desde então, que atuo como convidado. Um alívio. Quando vem o aplauso, sinto o prazer que só o teatro propicia, diferente de tudo. Se um dia eu cair do salto em cena, vou me levantar e precisar da cumplicidade do público. Se fosse na TV ou no cinema, a cena seria refeita e o ator permaneceria protegido.

Fonte: VEJA SÃO PAULO