Exposições

3 perguntas para... Cildo Meireles

Uma entrevista com o carioca que retorna à cidade na nova edição da série "Ocupações", do Itaú Cultural

Por: Jonas Lopes

Cildo Meireles
Cildo: "Pretendo inaugurar no início de 2013 uma individual com trabalhos inéditos" (Foto: Veja São Paulo)

Depois de atrair as atenções na 29ª Bienal, no ano passado, com a instalação Abajur, o carioca Cildo Meireles retorna à cidade na nova edição da série "Ocupações", do Itaú Cultural. O artista de 63 anos apresenta a obra "rio oir", um projeto idealizado na década de 70, mas posto em prática somente agora. Nele, o espectador adentra um espaço tomado por sons de água gravados em locais como as Cataratas do Iguaçu e o Rio São Francisco. A mostra ainda traz um documentário dirigido por Marcela Lordy sobre a realização do trabalho. Nome conceituado da arte brasileira no exterior, com direito a retrospectiva exibida na Tate Modern (Londres) em 2008, Meireles prepara uma exposição para o prestigioso Museu Reina Sofia, de Madri.

VEJA SÃO PAULO — Por que retomar um projeto de mais de trinta anos? Cildo Meireles — O curador da mostra, Guilherme Wisnik, havia me pedido para pensar em alguma coisa sobre as margens do rio como processo civilizatório. Investiguei minhas anotações antigas e encontrei essa ideia de 1976, cujo título concentra o palíndromo "rio oir". Na época eu desejava comprar equipamentos de som e executar neles barulhos de rio, pois era fascinado pelas pororocas desde a infância, quando morei em Belém. Não deu certo e deixei de lado.

+ Dez exposições que não dá para perder

+ Xaveco Virtual: nossa ferramenta para paquerar no Twitter

VEJA SÃO PAULO — Devido aos debates sobre o meio ambiente, a obra está mais atual agora? Cildo Meireles — Sem dúvida. Durante a coleta de material deparei com situações impactantes, muito tristes. Descobri, por exemplo, que há nascentes concretadas na Estação Ecológica de Águas Emendadas, em Brasília. Esses casos me fizeram deixar o tom da instalação ainda mais crítico. Tentei discutir também o descuido em relação aos rios no Brasil, e nesse sentido o São Francisco é exemplar. As usinas hidrelétricas estão acabando com a vazão dele nas últimas décadas.

VEJA SÃO PAULO — Quais são os seus próximos projetos? Cildo Meireles — Pretendo inaugurar no início de 2013 uma individual com trabalhos inéditos na Fundação de Serralves, no Porto, e no Museu Reina Sofia, em Madri. Espero poder trazê-la ao Brasil logo depois.

Fonte: VEJA SÃO PAULO