Teatro

3 perguntas para... Alexandre Borges

Ator santista estreia na sexta (6) a comédia dramática "Eu Te Amo", no Teatro Folha

Por: Dirceu Alves Jr.

Alexandre Borges 2250
De volta ao tablado: afastado dos palcos na última década, Alexandre Borges estrela "Eu Te Amo" (Foto: Marcos Morteira)

Na última década, o ator santista Alexandre Borges, de 45 anos, passou longe dos palcos. Em compensação, participou de oito novelas, uma minissérie, seis filmes e se dedicou ao papel de pai o máximo que pôde. O jejum é quebrado com a comédia dramática Eu Te Amo, adaptação do longa dirigido por Arnaldo Jabor em 1981. Depois da temporada carioca, Borges e a atriz Juliana Martins estreiam na sexta (6) no Teatro Folha.

+ Saiba quais são as melhores peças em cartaz

+ Alexandre Borges fala sobre o personagem Jacques Leclair

+ Alexandre Borges: um dos paulistanos do ano de 2010

VEJA SÃO PAULO — O que mudou no enfoque da história nas três décadas que separam o filme da peça?

Alexandre Borges — Nesses trinta anos houve uma transformação no comportamento masculino e nos relacionamentos. O personagem é um machão que se desmancha depois de levar um fora e percebe uma nova chance. Mas tem medo, não quer se machucar. Procuro reforçar isso. As pessoas hoje buscam uma relação, e não só sexo. Todo mundo entra um pouco na tal crise dos 40. Você já tem um distanciamento das coisas, uma experiência considerável, porém não admite a acomodação na vida.

VEJA SÃO PAULO — A ausência do teatro veio em decorrência de uma fase ascendente na televisão?

Alexandre Borges — Teatro tem de ser tudo ou nada, e nesse período não pintou um projeto por que eu me apaixonasse. Acabava uma novela e começava outra. Em 2000, nasceu o Miguel (do casamento com a atriz Julia Lemmertz), e a paternidade foi um divisor na minha vida. Quis me dedicar o máximo a ele. Sou filho de pais separados e sei o quanto a atenção é importante. Morava em Santos e passava apenas as férias com o meu pai, em São Paulo. Foi uma estratégia minha e da Julia mesmo.

VEJA SÃO PAULO — Hoje o Miguel está mais independente. Ele mostra interesse pelo meio artístico?

Alexandre Borges — Eu preciso muito mais estar perto do meu filho do que ele de mim. O Miguel vai para os bastidores e acompanha o nosso cotidiano. Entende a ausência do pai e da mãe em alguns momentos para viajar a trabalho, por exemplo. Já toca violão e guitarra. Acho muito bonito ver que ele sabe quem são os poetas Fernando Pessoa e Vinicius de Moraes e se interessa pela obra deles. Isso só acontece por causa da proximidade com o meio artístico.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO