Cultura

20ª Bienal do Livro chega ao Anhembi

Bienal Internacional do Livro terá 4 100 novos títulos e a presença de 48 escritores estrangeiros

Por: Fabio Brisolla - Atualizado em

Durante onze dias, São Paulo ganhará o status de capital da leitura. Na próxima quinta-feira (14) começa no Pavilhão de Exposições do Anhembi a 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o grande encontro nacional entre autores, editores, distribuidores e, claro, o público. Em uma área de 20 200 metros quadrados, o equivalente a dois campos de futebol, 350 expositores apresentarão 210 000 títulos. A expectativa é superar a marca recorde de 800 000 visitantes de 2006. Os trunfos da Câmara Brasileira do Livro, responsável pela organização, são a quantidade de lançamentos (serão 4 100 livros inéditos, 36% a mais que na última edição) e a vinda de 48 autores estrangeiros (o dobro da 19ª Bienal). Para os leitores, é a oportunidade de estar perto de algumas estrelas da literatura atual e, em alguns casos, conhecer um pouco do que esses escritores têm a dizer. O Salão de Idéias Volkswagen, com 500 lugares, reúne uma programação diária de palestras e debates. Entre os convidados estão a jornalista americana Samantha Power, autora da biografia do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto num atentado a bomba no Iraque, e o mexicano Guillermo Arriaga, roteirista de filmes como Babel e 21 Gramas (veja alguns destaques abaixo). Toda a programação é gratuita e as senhas serão distribuídas duas horas antes de cada evento.

Foram confirmadas 822 sessões de autógrafos até domingo (24), quando termina a festa. "Vamos ter uma atividade cultural a cada três minutos", afirma Rosely Boschini, presidente da Câmara. Walcyr Carrasco, Ziraldo, Mauricio de Sousa, Fernando Morais, Laurentino Gomes e Zuenir Ventura são alguns dos nomes anunciados. Crianças e adolescentes poderão se divertir no espaço Ler é Minha Praia, uma área de 2 000 metros quadrados que vai combinar teatro, contadores de história, oficinas diversas e uma grande biblioteca.

De acordo com uma pesquisa realizada pela organização na última Bienal, 78% dos visitantes compraram livros no evento. Cada um levou, em média, três exemplares para casa. "A exposição de um título durante a feira pode aumentar suas vendas em até 20%", diz Marcos Pereira, diretor executivo da Editora Sextante. Para tentar alavancar os números do best-seller A Conspiração Franciscana, que atingiu a marca de 100 000 exemplares comercializados, por exemplo, a Sextante traz à cidade o autor, John Sack. Além de dar uma palestra, o americano participa de sessão de autógrafos. "A presença do escritor na Bienal tem o poder de renovar o interesse dos leitores por seus livros", afirma Pereira.

20ª Bienal do Livro de São Paulo. Pavilhão de Exposições do Anhembi. Avenida Olavo Fontoura, 1209, Santana, 2226-0400. De quinta (14) ao dia 24, das 10h às 22h. R$ 5,00 (estudantes) e R$ 10,00. Grátis para crianças de até 12 anos, adultos com mais de 65 anos e portadores de deficiência. Estac. (R$ 20,00 a diária). www.bienaldolivrosp.com.br.

Os craques da seleção estrangeira

Conheça alguns dos escritores internacionais escalados para palestra no Salão de Idéias Volkswagen

Zlata Filipovic

Nascida em Sarajevo, na Bósnia, ela publicou, aos 13 anos, O Diário de Zlata: a Vida de uma Menina na Guerra (Companhia das Letras, 200 páginas, 32,50 reais), relato de suas experiências durante a guerra na ex-Iugoslávia. Organizou com a inglesa Melanie Challenger a coletânea Vozes Roubadas – Diários da Guerra (Companhia das Letras, 376 páginas, 37 reais). São catorze textos de crianças e jovens sobre a rotina em zonas de conflito. Sábado (16), às 15h.

Guillermo Arriaga

É autor de Esquadrão Guilhotina (Gryphus, 158 páginas, 29,90 reais), romance ambientado durante a Revolução Mexicana (1910-1920). Publicou também O Búfalo da Noite (Gryphus, 256 páginas, 36 reais), um relato do caos provocado na vida de personagens envolvidos em um triângulo amoroso. O escritor mexicano, roteirista dos filmes Amores Brutos, 21 Gramas e Babel, conversa sobre seu trabalho com os brasileiros Marçal Aquino e Marcelo Rubens Paiva. Sábado (16), às 19h.

Samantha Power

Professora de Harvard e ex-correspondente de guerra, ela é ex-conselheira do candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, na área de política internacional. Escreveu O Homem que Queria Salvar o Mundo (Companhia das Letras, 672 páginas, 59 reais), a biografia do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em um atentado a bomba contra a sede da ONU em Bagdá, no Iraque, organizado pela Al Qaeda em 2003. Domingo (17), às 17h.

John Sack

Seu livro A Conspiração Franciscana (Sextante, 448 páginas, 39,90 reais) atingiu a marca de 100 000 exemplares vendidos no Brasil. Traduzida para mais de vinte países, a trama se passa em 1230 e gira em torno de um mistério envolvendo a Ordem dos Franciscanos. Formado em língua inglesa pela Universidade de Yale, o escritor americano já havia entrado no tema em O Lobo no Inverno, no qual contou a trajetória de São Francisco de Assis ainda jovem. Domingo (17), às 19h.

Julia Franck

Expoente da nova geração de autores alemães, Julia vai conversar sobre a literatura contemporânea em seu país com os compatriotas Antje Rávic Strubel e Ulrich Peltzer. Ela lança o romance A Mulher do Meio-Dia (Nova Fronteira, 352 páginas, 39,90 reais), a história de uma enfermeira alemã que resolve fugir para Berlim com o filho de 8 anos após o fim da II Guerra. No meio do caminho, ela decide abandoná-lo em uma estação de trem. Dia 19, às 11h.

Yuri Felshtinsky

Publicou A Explosão da Rússia – Uma Conspiração para Restabelecer o Terror da KGB (Record, 294 páginas, 44 reais) em parceria com Alexander Litvinenko, ex-agente do serviço de informação russo que pediu asilo político à Inglaterra em 2000 e morreu em um estranho caso de envenenamento seis anos depois. É co-autor, com Vladimir Pribilovski, de A Era dos Assassinos – A Nova KGB e o Fenômeno Vladimir Putin (Record, 392 páginas, 50 reais). Dia 23, 17h.

Fonte: VEJA SÃO PAULO