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10 fatos bizarros sobre a Avenida dos Bandeirantes

Entre lojas de lanchas milionárias e a vista dos aviões que aterrissam no aeroporto de Congonhas, a via se mostra grandiosa no tamanho e nos fatos que a cercam

Por: Andreza Monteiro

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Avenida dos Bandeirantes (Foto: Moacyr Lopes Junior/ Divulgação)

A Avenida dos Bandeirantes é um dos principais corredores da capital, ligando cidades da Grande São Paulo a bairros importantes da metrópole, como Moema e Vila Olímpia. Com mais de 7 quilômetros de extensão, a via passou por grandes mudanças ao longo do tempo, tornando-se ponto de comércio de artigos diversos, como as imponentes lojas de lanchas e as que vendem produtos como lareiras e piscinas.

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Mas não são todos os paulistanos que enxergam apenas os louros deste ilustre logradouro. Tampouco ficariam tranquilos caso tivessem que enfrentá-la diariamente para ir e voltar do trabalho, talvez pelo risco que representa. Afinal, não são poucos os acidentes que chocam os moradores daqui.

O mais recente, e não menos espantoso, aconteceu no último sábado (13), quando dois caminhões - um deles transportando combustível – colidiram, causando uma grave explosão, interditando a via durante o fim de semana e danificando toda a estrutura do Viaduto Santo Amaro, que segue bloqueado nos dois sentidos e poderá ser demolido parcialmente.

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Alguns fatos sobre a avenida geram curiosidade. Outros, a certeza de que passar por ela pode significar um momento de pura tensão. Confira tudo em nossa lista:

1 - A via tem um comércio muito peculiar. É possível encontrar uma grande oferta de lanchas, barcos e jet skis com valores entre 50 000 reais e 3 milhões de reais. Ali também há varios estabelecimentos de artigos eróticos, as sex shops. Algumas, inclusive, funcionam 24 horas. 

2 - Encontrar os artigos ideais para decorar o jardim também não é problema para o consumidor que percorre a Avenida dos Bandeirantes. Ao passar pelo viaduto da Avenida Vereador José Diniz, avista-se uma das marcas registradas da via, a loja Jardins Modernos. A frente do estabelecimento é repleta de anões, vasos e estátuas feitas em cimento e pó de mármore, que chamam a atenção de quem passa por ali.

Anões de Jardim
Anões na loja Jardins Modernos (Foto: Mario Rodrigues/VEJA SÃO PAULO)

3 - Ter como um dos vizinhos o Aeroporto de Congonhas trouxe alguns problemas para a avenida (e não estamos falando de trânsito engarrafado, não). Alguns acidentes e outros “quase acidentes” assustaram as pessoas que vivem na região. Em 1975, o avião EMB Bandeirante, da Vasp, sofreu uma pane em um dos motores após decolar de Congonhas e caiu logo em seguida, sobre algumas casas às margens da via. Quinze pessoas morreram na tragédia.

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4 - Em 1971, foi a vez de um incidente que, por pouco, não se transformou em mais um grave acidente aéreo ocorrido na cidade. O Boeing 727, da Varig, ao tentar pousar em Congonhas, ultrapassou os limites da pista em mais de 600 metros, parando muito próximo ao barranco que limita o aeroporto da avenida. Na época, a imprensa noticiou bastante o ocorrido e surgiram muitas especulações a respeito da falta de segurança nas pistas de Congonhas.

5 - Outro grande susto para quem passava pela Bandeirantes, em janeiro de 1971, foi causado por um jato particular, o Cessna 525, que transportava além dos tripulantes, dois passageiros. Ao tentar aterrissar na pista de Congonhas a aeronave derrapou, ultrapassando o limite de segurança e despencando, indo parar na avenida, e por pouco não atingiu os carros que passavam pelo local. Um ambulante que estava na via chegou a ser atingido por uma das asas, mas ficou apenas com ferimentos leves.

6 - Em novembro de 2012, quando o jato Citation CJ3 também não conseguiu frear na pista de pouso de Congonhas, mais uma vez a Avenida dos Bandeirantes chegou perto de ser palco de uma tragédia. É surpreendente ver como a aeronave por pouco não pousou na avenida.

Avenida dos Bandeirantes - 2296 - Acidente
Em 2012 o jato Citation CJ3 não conseguiu frear na pista de pouso de Congonhas e quase invadiu a avenida (Foto: Mario Rodrigues)

7 - O maior acidente aéreo da história do país, ocorrido em julho de 2007, em que 199 pessoas morreram após o Airbus A320, da TAM, não conseguiu frear na pista do Aeroporto de Congonhas e se chocar com um prédio da própria empresa, na Avenida Washington Luís, também jamais será esquecido pelos moradores e pelas pessoas que estavam na região da Bandeirantes no momento da colisão. O barulho e as labaredas deixaram todos em choque e a avenida parou. em 1996, outro avião da companhia caiu após decolar de Congonhas. No acidente do Fokker 100 morreram 99 pessoas

Acidente da TAM - capa 2201
Bombeiros trabalham no meio dos destroços: 199 mortos (Foto: Rogério Cassimiro/FolhaPress)

8 - Acidentes envolvendo automóveis também não são raros de ver na avenida. A via que liga cidades vizinhas, como as que compõem o Grande ABC, à região central da capital é uma das mais movimentadas também aos finais de semana, sendo utilizada pelos interessados em curtir os badalados destinos da cidade. Talvez esteja aí o motivo de tantos acidentes registrados na via durante as madrugadas dos finais de semana, em sua maioria envolvendo jovens.

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9 - Um relatório feito pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em que foram analisados casos de acidentes com vítimas fatais ocorridos em todo o município entre os anos de 2006 e 2010, apontou a Avenida dos Bandeirantes entre as cinco mais fatais em relação a acidentes de trânsito na capital.

10 - Antes de se chamar Avenida dos Bandeirantes ela teve o nome de Estrada da Traição, pois foi construída sobre o leito canalizado do Córrego da Traição, que desaguava no Rio Pinheiros. Conta-se que o córrego recebeu esse nome em razão de um assassinato, cometido após uma desavença entre dois portugueses que eram amigos e sócios nos negócios. Uma emboscada perto da nascente do córrego teria sido o local escolhido por um deles para acabar de vez com a parceria. No local, durante muitos anos, funcionou uma padaria com o curioso nome de "Rainha da Traição", onde hoje há uma lanchonete da Rede Graal.

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11 - A avenida, até 1935, dividia os municípios de Santo Amaro e São Paulo. Depois, a cidade vizinha foi incorporada e tornou-se um dos distritos mais importantes da capital. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO