Antunes Filho alivia a mão autoral em “Toda Nudez Será Castigada”

Montagem do celebrado diretor traz um Nelson Rodrigues sem grandes surpresas

Com a estreia de Vestido de Noiva, em 1943, o diretor polonês Ziembinski trouxe aos olhos do público o dramaturgo Nelson Rodrigues e uma linguagem expressionista persistente por décadas. Em 1981, o paulistano Antunes Filho limpou o palco — utilizando-se de mínimos elementos e movimentos coletivos — para oferecer novas possibilidades de leitura na coletânea Nelson Rodrigues — O Eterno Retorno. Por isso, a montagem de Antunes no ano do centenário do autor chegou cercada de expectativa. A tragédia Toda Nudez Será Castigada volta à cena na reta final da temporada e, junto da precisão característica de Antunes, surgem alguns tropeços, relevados em seu nome.

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O empresário Herculano (o ator Leonardo Ventura) perdeu a mulher e a vontade de viver, preocupando as três tias e também o irmão, Patrício (papel de Marcos de Andrade), que, falido, não quer ver a fonte de renda da família secar. Ao conhecer a prostituta Geni (a atriz Ondina Clais Castilho), o viúvo se apaixona e a pede em casamento. Ele passa a enfrentar, porém, a revolta do filho único, Serginho (Lucas Rodrigues). Na também rodriguiana Senhora dos Afogados (2008), Antunes carregou nas tintas fúnebres com uma estética sombria e operística. Agora, poucas inserções de sua sempre forte mão autoral são percebidas. Uma das mais interessantes é mostrar Geni como um fantasma que assombra Herculano. Ondina aproveita a personagem, explorando uma coreografia marcada e um curioso sotaque paulistano. Ventura constrói um Herculano correto, e Andrade injeta malandragem no diabólico Patrício. No elenco central, quem destoa é Rodrigues, imaturo como Serginho. Com intérpretes apenas eficientes, Antunes concentrou a atenção na regência do grupo e fez um bom espetáculo, mas econômico em surpresas. Esperavam-se mais personalidade e invenções, pontos sempre tão notáveis na trajetória do grande diretor.   

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

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