A vez dos homens

Público masculino marca presença em centros de estética e consultórios de cirurgia plástica da capital

Um dos maiores orgulhos do empresário Ricardo Guedes Oliveira é que poucos conseguem acertar sua idade. “Costumam me dar, no máximo, 30”, jura ele, que tem 46 anos. Dono da Galeria dos Pães, no Jardim América, Oliveira vive com sua mulher, a dona de casa Ivi Olingene, 33, e o filho Davi, 4. Além de praticar esportes com frequência (é lutador de jiu-jítsu), adota outros cuidados para manter a aparência. Desde 2005, faz aplicações de Botox. De dois anos para cá, acrescentou ao pacote estético sessões de preenchimento facial, que ajudam a suavizar as rugas e linhas de expressão, garantindo-lhe um ar sempre descansado. “Ter uma boa imagem é fundamental nos negócios”, justifica, sem negar que uma parcela do investimento tem a ver com a vaidade. “Parecer mais jovem ajuda a aumentar a autoestima.” 

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A exemplo de Oliveira, muitos paulistanos que vão comemorar o Dia dos Pais, no próximo domingo (11), estão frequentando cada vez mais os centros de estética e os consultórios de cirurgiões plásticos da capital. Segundo estimativas do mercado, os homens com mais de 40 anos já representam entre 25% e 40% da clientela. Uma pesquisa realizada na Jornada Paulista de Cirurgia Plástica, com a participação de 1.500 médicos, no início de junho, mostrou que 86% deles tiveram um aumento de pacientes masculinos nos últimos cinco anos. 

 

Um desses especialistas, Alexandre Senra, é conhecido no Hospital Albert Einstein por atender um grande número de homens: eles correspondem a 30% do total de quinze pessoas que são operadas em média por mês. Muitos o procuram para fazer lipoaspiração a laser. Menos traumática que a tradicional, a técnica é realizada com um instrumento importado dos Estados Unidos. “O paciente opera hoje e amanhã está apto a voltar a trabalhar”, afirma Senra. “Em uma operação convencional, é preciso ficar uma semana de cama.” O médico foi um dos pioneiros do procedimento em São Paulo, cujo preço varia de 10.000 a 30.000 reais. Entre os seus pacientes estão empresários, políticos e executivos do mercado financeiro. Em comum, além de não terem tempo a perder em uma longa recuperação, eles buscam discrição. “Apesar da popularização que vem ocorrendo nos últimos tempos, ainda existe certo tabu em torno do tema”, explica o cirurgião. “Alguns dizem que vão viajar e se hospedam em um flat. Operam e a mulher nem fica sabendo.” Segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a lipoaspiração é a cirurgia plástica mais realizada em homens, seguida pelas técnicas que proporcionam um rejuvenescimento facial, como o lifting. 

A expectativa é que em pouco tempo homens e mulheres representem igual número nas clínicas de dermatologia. Preocupados com a calvície, eles chegaram aos consultórios em busca de tratamento contra a queda de cabelo, mas descobriram os benefícios de outros recursos estéticos, como o Botox e tratamentos para a queima de gordura localizada. Na clínica da dermatologista Adriana Vilarinho, com unidades no Jardim Paulista e na Vila Olímpia, os homens, numa faixa etária média de 35 a 55 anos, correspondem a 40% dos atendimentos diários. “Alguns chegam trazidos pelas mulheres, mas muitos vêm sozinhos”, diz Adriana. 

Karen Yamauchi - Dia dos Pais 2333

Karen Yamauchi – Dia dos Pais 2333

Antes universo dominado pelas mulheres, os salões de beleza, spas e centros de estética da capital estão abrindo espaços exclusivos para atender à demanda. Na Vila Olímpia, há um ano funciona o Romeo — The Grooming Room, uma pequena barbearia na qual eles têm até o luxo de se servirem de cerveja importada enquanto se entregam aos cuidados dos seus profissionais. Para o dia 11, o salão preparou uma promoção: o filho que levar o pai ao salão para cortar o cabelo (48 reais) ganhará a barba feita com navalha (o serviço custa normalmente outros 48 reais). Proprietária do Romeo, Karen Yamauchi afirma que os colegas de profissão diziam que o empreendimento dela era fadado ao fracasso. “Recebemos hoje cerca de oitenta clientes por semana e não tenho do que reclamar”, comemora. 

Com um público formado principalmente por executivos, entre 30 e 60 anos, o Studio Lorena, localizado nos Jardins há dois anos e meio, tem entre seus serviços mais pedidos a camuflagem de fios brancos. É um desses “milagres” que prometem deixar as pessoas com um grisalho mais puxado para o cinza, como o do ator americano George Clooney, e sem a cara de quem pintou o cabelo. O processo não demora mais do que cinco minutos e custa 145 reais. Ali, o atendimento aos homens é feito reservadamente no 2º andar. As cadeiras da marca Ferrante remetem às barbearias de antigamente. “Os fregueses que nos procuram querem discrição. Muitos acabam fazendo negócios aqui”, conta o proprietário Luís Silva.

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