‘O Mágico de Oz’ encanta com efeitos e inspiração fantástica

O musical, com duração de três horas, cativa tanto adultos quanto crianças

A assinatura dos adaptadores e diretores Charles Möeller e Claudio Botelho em um musical tornou-se um alívio para os espectadores. O público chega ao teatro com a certeza de que terá diante dos olhos um show de produção, boas interpretações e versões de qualidade e fácil assimilação. Essa credibilidade colaborou para que a dupla saltasse da zona de conforto e investisse na conquista dos pagantes de suas montagens a longo prazo. O Mágico de Oz tem um interesse que não se restringe aos adultos. Por três horas, o espetáculo reúne efeitos especiais e cativa também as crianças, algumas bem pequenas.

Numa época em que a maioria dos marmanjos não consegue se concentrar em uma história por muito tempo, é louvável perceber o encanto dos pequenos e dos pais, não preocupados apenas em dar o exemplo. Publicada no início do século passado, a obra de Lyman Frank Baum foi levada aos cinemas em 1939, com Judy Garland e a clássica Over the Rainbow eternizada em nossos ouvidos. A garota Dorothy (Malu Rodrigues) vive entediada em uma fazenda do Kansas. Logo depois de um tornado, ela e o cãozinho Totó vão parar no mundo de Oz, onde conhecem o Espantalho (papel de André Torquato), o Homem de Lata (o ator Nicola Lama) e o covarde Leão (Lucio Mauro Filho). Juntos, eles saem à procura do personagem-título (vivido por Luiz Carlos Miele), que poderia realizar os desejos de cada um e ajudá-los a enfrentar a vilania da Bruxa Má do Oeste (Heloísa Périssé).

A trama envelheceu — ainda mais para as crianças da geração tecnológica. Por isso, a encenação de inspiração fantástica tem tanto valor. Entre os 35 atores e dezesseis músicos, o destaque fica com a ótima Malu Rodrigues, que domina a técnica musical e a emoção da personagem. Surpreendente é ver Heloísa Périssé inserindo uma alma malandra na Bruxa. Se a participação de Miele se justifica só pelo carisma do showman, o equívoco é a caricatura de Lucio Mauro Filho para o Leão gay. Uma solução fácil e divertida para parte do público, mas que, dada a autonomia dos diretores, soa como uma concessão duvidosa.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

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