Museu da Imigração reabre neste sábado (31) cheio de novidades

Com entrada gratuita durante dois meses, uma exposição interativa conta a história de milhões de pessoas que deixaram seus países para viver em São Paulo. Festa de inauguração terá show de Arnaldo Antunes

As cantinas italianas da Mooca ou do Bexiga disputam quem serve a melhor macarronada da cidade. Na Liberdade, lanternas japonesas se misturam a dragões chineses e restaurantes coreanos. E quem nunca notou os judeus ortodoxos circulando pelas ruas de Higienópolis? As marcas dos grandes fluxos migratórios – passados e atuais – estão em cada esquina de São Paulo. Essa é a história que o novo Museu da Imigração quer contar.  Após quatro anos de reforma, o endereço reabre suas portas cheio de novidades a partir deste sábado (31).

 

Totalmente repaginado, o espaço fica no edifício da antiga Hospedaria do Brás, por onde passaram 2,5 milhões de pessoas, de mais de setenta nacionalidades, entre 1887 e 1978. Logo na entrada, depara-se com um lindo jardim. Do lado direito, foi montado um bistrô, onde serão servidos salgados, bolos, cafés, sucos e refrigerantes.

As mostras temporárias ficam no corredor lateral. Ao fundo dele, é possível ver a estação de trem, por onde desembarcavam os hóspedes vindos do Porto de Santos. Uma volta de Maria Fumaça completa o passeio.

 

Regras de convivência da hospedaria escritas em italiano (e descobertas durante a reforma) recebem o visitante já no prédio principal, onde está a exposição de longa duração Migrar: Experiências, Memórias e Identidades.

Uma obra de Nuno Ramos, inspirada no livro É isso um Homem?, de Primo Levi, abre a sala de instalações. Os tijolos empilhados em uma carroceria de caminhão são uma referência aos campos de concentração nazistas, onde as próprias vítimas eram responsáveis por produzir os tijolos das torres de carbonização de corpos.

A partir daí, surgem dois ambientes. “O primeiro deles, do lado esquerdo, demonstra como o processo migratório é uma dinâmica permanente na História”, comenta a diretora executiva do museu, Marília Bonas, de 33 anos.

 

Um curioso recurso de multimídia exibe o deslocamento do homem na Terra desde a Pré-História. Vídeos retratam a migração indígena dentro do Brasil e o início da colonização portuguesa. Também é possível saber um pouco mais sobre outras hospedarias no mundo em um mapa interativo. Em uma outra sala reproduzem-se ainda o refeitório e um quarto usado pelos imigrantes. Gavetas guardam cartas verdadeiras recebidas pelos hóspedes. Basta abrir uma delas para ler relatos emocionantes.

No segundo ambiente, projeções trazem detalhes sobre os destinos dos que chegaram a São Paulo, como as fazendas de café e de algodão no interior do estado. Destacam-se os depoimentos dos aventureiros que vivem até hoje na capital. “A viagem fica mais completa com canções sobre a cidade, como Sampa, de Caetano Veloso, e Não Existe Amor em SP, de Criolo”, comenta a diretora Marília.

Comemoração

Apresentações teatrais, de dança e de música darão o tom da festa de reabertura neste sábado (31).  Às 17h, subirá ao palco Arnaldo Antunes. Em tempo: a entrada é gratuita nos meses de junho e julho.

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