Mostra de Kandinsky é aberta sem filas

Quem foi ao CCBB para ver as pinturas do artista russo na manhã desta quarta (8) encontrou movimento tranquilo

O público que foi ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centro, para ver a exposição dedicada ao russo Kandinsky, aberta na manhã desta quarta (8), não enfrentou filas. O movimento era tranquilo no local por volta das 9h. O visitante só perdia tempo porque era obrigado a preencher um cadastro para entrar na mostra, não mais do que dois minutos.

Para tentar evitar aglomerações nos próximos dias, a organização da montagem recomenda que os interessados agendem a visita, com horário marcado, pelo aplicativo do Ingresso Rápido. As pessoas têm também a opção, no entanto, de visitar a mostra sem fazer o agendamento.

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Apesar do fluxo pequeno na entrada do prédio, algumas salas no interior concentravam até cinquenta pessoas.

No 4º andar, onde tem início o circuito, o visitante dá de cara com a pintura São Jorge (1911), em traços abstratos, com a figura do cavaleiro portando sua lança quase irreconhecível. A presença de elementos espirituais torna-se, ao longo da mostra, constante.

Rodolfo de Athayde, diretor geral da montagem, explica que o pintor russo nascido em 1866 foi influenciado pelos rituais xamânicos da região e os usou como tema mesmo em composições menos figurativas. “Ele não foi exatamente um praticante do xamanismo, mas aproveitou a simbologia nas suas obras”, diz.

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O caráter espiritual é uma das características mais marcantes do conjunto de mais de 150 trabalhos, entre pinturas, gravuras e objetos, expostos em quatro andares do centro cultural. O visitante encontra xilogravuras em preto e branco como Bosque de Bétulas (1911) e A Igreja (1911), e outras em cores.

No terceiro andar, destacam-se outros artistas contemporâneos cujos temas e estilo podem ser comparados aos do pintor. Impressionam a beleza de Duas Meninas (1919), de Pavel Filónov, e O Lago dos Espíritos Montanheses (1909), de Grigóry Ivánovich Gúrkin. As cores vibrantes de Kandinsky saltam aos olhos em Improvisação 34 (1913).

Kandinsky no CCBB

Kandinsky no CCBB

Amigos de Kandinsky, como o russo Kazimir Malevich, um dos mentores do suprematismo, ganham espaço no segundo andar. Dele está em cartaz O Triunfo do Céu (1907). Expostos lado a lado, Dois Ovais (1919) e Crepuscular (1917) evidenciam como as cores eram importantes para o pintor. No primeiro quadro, cores primárias representam uma espécie de ritual de pesca. No segundo, os tons escuros dão ar melancólico à composição.

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“Kandinsky foi único em dar expressão gráfica a sentimentos como a raiva e a angústia através da cor de seus quadros”, diz Athayde. Conseguiu em pinceladas abstratas representar o subjetivo de cada pessoa.

Máscaras, colares, botas e outros acessórios de tribos do norte da Rússia, dependurados ao lado dos quadros, funcionam como uma referência cultural da época. Muitos desses itens aparecem pintados em alguns trabalhos. Vídeos ajudam a recompor a trajetória de Kandinsky, desde a infância em Moscou até a formação como advogado e a mudança para a Alemanha, onde lecionou na famosa Bauhaus, escola de design vanguardista.

Detalhes como fotos, livros e cartazes registram no subsolo a relação de amizade de Kandinsky com o compositor austríaco Schoenberg (inclusive há duas raras pinturas feitas pelo músico). E, como não podia faltar, há uma instalação multimídia na qual o visitante usa um óculos 3D e um fone de ouvido para “mergulhar” numa das obras mais conhecidas do russo, No Branco (1920), que finaliza o percurso.

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