Febre mundial, o fidget spinner chega a São Paulo

Crianças e adolescentes levam o objeto às escolas para disputar manobras; preços variam de 20 a 50 reais na Rua 25 de março

Os pais costumam ter que aguentar olhos marejados e voz suplicante dos filhos a cada novidade que aparece no recreio da escola. Seja tênis de rodinha, Pokémon Go e Amoeba – geleca colorida que poucos sabem para que serve.

Nos últimos tempos, a estrela da vez é um objeto com nome difícil: fidget spinner. O aparelho giratório de três extremidades que cabe na palma da mão virou mania no mundo inteiro e chegou recentemente às ruas da capital não só na mochila dos pequenos, mas, vale dizer, na cabeça de muito marmanjo.

Ele foi criado na década de 1990, nos Estados Unidos, e com o tempo passou a ser vendido com o propósito de ajudar crianças autistas, hiperativas e com déficit de atenção. Porém, não existem evidências científicas que comprovem essa função, pontua o psiquiatra Fernando Asbahr, coordenador do Programa de Transtornos Ansiosos na Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria da USP. “É um pouco de achismo”, diz. “Qualquer situação que te ajude a relaxar pode ser um instrumento de auxílio, mas pensar nisso como um tratamento é um salto grande demais.”

Hoje, o spinner é vendido como um aparelhinho capaz de aliviar tensão e ansiedade. Ele aparece com diferentes formatos, luzes e uma cartela de cores inesgotável. Pode ser encontrado na Rua 25 de Março, em lojas e estandes de aparatos tecnológicos e itens para celular, custando entre 20 a 50 reais. “Tem dia que eu vendo setenta a oitenta peças”, afirma Nazareno Feijão Rodrigues, gerente da loja Jack Celulares. “É um passatempo, um antiestresse”, complementa, enquanto gira um spinner nos próprios dedos.

Em pouco mais de uma hora de andança no local, a reportagem de VEJA SÃO PAULO flagrou pelo menos três pessoas (bem crescidinhas) andando na rua e girando os spinners. “Não tem nenhuma finalidade, só estou girando”, explica Luís Carlos Barbosa, de 32 anos, quando questionado sobre os motivos para andar com o objeto na mão. Ele havia comprado o seu há pouco menos de duas semanas por 18 reais na região.

Também é possível encontrar à venda em sites como Americanas, Submarino, Shoptime e Mercado Livre com preços entre 15 e 50 reais. Na internet, multiplicam-se vídeos estrangeiros e brasileiros e até tutoriais de como criar o seu próprio spinner  (confira o vídeo abaixo). Atualmente, um joguinho para celular chamado Hand Spinner ultrapassou até mesmo o aplicativo de paquera Tinder, na Apple Store, entre os mais baixados. Na descrição do app, está escrito “O spinner mais relaxante está aqui”. Foi até criado um site, com um spinner virtual, em que é possível ficar girando o item com o dedo de forma ininterrupta.

Alunos do Colégio Friburgo
brincam com os seus spinners (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Entre as crianças e adolescentes – os mais interessados na modinha – , o spinner ganhou novos propósitos como disputas acirradíssimas de manobras durante o recreio. “É difícil, mas se você treinar, você consegue”, explica Victor Hugo, de 13 anos, estudante de um colégio particular em Osasco. O adolescente ganhou o seu com luzes coloridas há poucas semanas, comprado em um shopping a 48 reais. “Eu recebi um comunicado da escola falando que eles não proíbem levar, mas pedem para os alunos terem a consciência e usem só no intervalo”, disse a mãe de Victor, a decoradora de festas Ana Paula Batista Botelho, 31 anos, moradora da Vila Leopoldina.

No Colégio Dante Alighieri, um dos mais tradicionais paulistanos, não há proibição, mas uma professora do ensino fundamental combinou com os alunos para não levarem os seus spinners à classe, também para evitar distrações. “É o brinquedo do momento”, disse a professora Elenice Ziziotti, que coordena o Departamento de Orientação Educacional. “Tem uns que colocam na ponta do nariz, ficam girando, eles são super criativos e se desafiam“, conta. “É muito legal e é gostoso o contato com eles, mas eles precisam entender o momento que é de diversão e o momento do foco.”

O mesmo aconteceu no Colégio Friburgo, em Santo Amaro, na Zona Sul. A regra da casa é que os alunos podem levar qualquer brinquedo à escola todas as sextas. Por causa do tamanho dos spinners, eles passaram a levar outros dias também, dentro da mochila. Porém, foram proibidos de sacar o brinquedo durante as aulas. “Eles brincam na hora da saída, enquanto esperam os pais”, conta a professora Carla Alliz. “O interessante é que eles tornaram uma brincadeira de grupo, eles interagem, se reúnem e compartilham as manobras”, disse. Para ela, como os outros brinquedos que surgem e fazem a cabeça das crianças, a moda das rodinhas alucinantes não deve durar muito tempo mais. “Daqui a pouco aparece outra coisa”.

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