Fantasias no Jabaquara

Na dúvida, sigo a garota vestida de personagem do seriado Game of Thrones pela saída da Estação Jabaquara do metrô. Só pode estar a caminho da Comic Con Experience, tal como eu e muitos outros nesta manhã nublada de quinta-feira em São Paulo. Atravessamos uma rua, depois outra. A maioria veste bermuda, short e camiseta, além de usar tatuagens, mas há alguns fantasiados na multidão. Vejo um Harry Potter caprichado. Parece o próprio, meu Deus. Passamos diante de um pequeno acampamento de moradores de rua. Estão animados com o movimento. Ouço um deles, magrelo de tudo, sem camisa, contando entusiasmado aos colegas incrédulos que viu “Super-Homem e Batman… juntos!”. Parece cena de filme.

+ Fãs fantasiados roubam a cena no primeiro dia de Comic Con Experience

A Comic Con Experience é um evento que reúne fãs de gibis, seriados, videogames, livros e filmes. Começou em San Diego, na Califórnia dos anos 70, e ganhou o mundo nas últimas décadas com a explosão da cultura geek. Um amigo e consultor para assuntos pop me espera lá dentro do São Paulo Expo, mais conhecido como Centro de Exposições Imigrantes. Está em obras, descubro, ao desembarcar do ônibus que nos traz de lá dos lados do metrô. Uma confusão. Mas isso não parece incomodar ninguém. Uma pequena multidão aguarda nas filas de entrada, dentro da garagem do edifício. Passo por uma Mulher-Maravilha, que acaba de se vestir detrás de um pilar de concreto, juro (por Deus). É a segunda cena de filme a que assisto na vida real.

Encontro meu camarada próximo do auditório, ao lado de um placar eletrônico grande a mostrar o número de dias que faltam para o lançamento do novo Star Wars. Meu amigo começa a me apresentar as atrações do evento. Com gosto, diga-se. Na lojinha movimentada de uma editora, jovens folheiam, concentrados, capas de gibis, tal e qual acontece no seriado Big Bang Theory, um dos meus favoritos. Vejo com espanto em outro estande popular que acrescentaram terror à última versão para o cinema da obra clássica da autora inglesa Jane Austen, que se chama, agora, Orgulho e Preconceito e Zumbis. Há um número admirável de títulos traduzidos do japonês. Autores nacionais e estrangeiros assinam suas criações, sentados lado a lado em longas mesas.

O evento aproxima o leitor à obra e o espectador ao filme, concluo ali nos corredores do local. Os jogadores podem ver como se faz a modelagem dos videogames. Os personagens de todos esses formatos circulam fantasiados livremente pela realidade, como se fosse dia de Carnaval. Há cursos de maquiagem para quem quer brincar de cosplay. Atores famosos respondem a perguntas. Mauricio de Sousa, em holograma, supervisiona o trabalho de desenhistas de carne e osso.

Alegra o meu coração ver a ficção firme e forte, divertida e animada entre as gerações mais jovens. Tudo ali me faz lembrar um livro genial, lido recentemente, Sapiens: uma Breve História da Humanidade, no qual Yuval Noah Hararai afirma ser ela, a ficção, a condição da civilização. É o que nos distingue dos outros animais, segundo o autor. Penso nisso no ônibus, rumo à Estação Jabaquara, na saída do evento. A meu lado viaja um guerreiro sith. Longa vida à Comic Con de São Paulo!

Comentários
Deixe uma resposta

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s