“Laurence Anyways” traz história de homem que se veste de mulher

Fita canadense tem a assinatura do diretor-prodígio Xavier Dolan, de <em>Eu Matei Minha Mãe</em> e <em>Amores Imaginários</em>

Canadense de Quebec, o diretor-prodígio Xavier Dolan tinha apenas 20 anos quando realizou, em 2009, seu primeiro longa-metragem, o irregular Eu Matei Minha Mãe. Em seguida, tirou de cena o psicologismo e fez a simpática comédia romântica Amores Imaginários (2010), sobre um gay e sua amiga assediando um rapaz de sexualidade dúbia. O terceiro filme, a comédia dramática Laurence Anyways, traz um tema atraente e, não fosse por algumas frescuras visuais, ficaria ainda melhor. No caso de Dolan, hoje com 23 anos, os excessos viram estilo.

Há algo das vontades do cartunista Laerte na trajetória do personagem Laurence Alia (o francês Melvil Poupaud, de O Tempo que Resta). Em 1989 na cidade de Montreal, esse professor namora a descolada Fred (Suzanne Clément) e decide contar à amada um segredo: ele gosta de se vestir de mulher. A garota recebe a notícia estarrecida. À mãe dele (papel de Nathalie Baye), o travestismo também desagrada, embora ela relembre que, ainda criança, o filho já tinha uma queda por roupas femininas. Laurence é realmente um caso atípico. Sem trejeitos afetados nem atração por homens, ele usa maquiagem, saia, salto alto e, ocasionalmente, peruca. Fred acaba aceitando-o para o caso de amor seguir adiante. Mas até quando a relação, vista sob os olhares preconceituosos da sociedade, vai durar?

Duas horas já seriam suficientes para contar dez anos dessa história original. O realizador, no entanto, esticou-a em quarenta minutos para exibir detalhes da cenografia, penteados e figurinos retrô — ambientada na década de 90, a trama tem sequências em câmera lenta e, esporadicamente, narrativa de videoclipe. A fita atravessa barreiras convencionais para abordar um assunto controverso a que poucos cineastas se atreveram. Extraindo-se o gosto extravagante do protagonista, Laurence Anyways pode ser visto como um romance qualquer sob censura moral — seja ele entre homens e mulheres, homossexuais, casados ou solteiros.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

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