Um mergulho no vazio com Candida Höfer

A fotógrafa alemã exibe doze registros de espaços sem a presença humana na Galeria Leme

Talvez a mais influente subdivisão da fotografia nas últimas décadas, a chamada Escola de Düsseldorf ganhou notoriedade nos anos 70, quando Bernd e Hilla Becher doutrinaram toda uma geração de jovens talentos alemães, vários deles dominantes no mercado atual. Caso de Andreas Gursky (autor da foto mais cara da história, vendida em 2011 por 2,7 milhõesde libras), Thomas Struth e Thomas Ruff. Outro grande nome surgido ali, Candida Höfer, de 68 anos, exibe doze obras a partir de quinta (22) na Galeria Leme.

Apesar de ter entrado na Academia de Düsseldorf para estudar cinema, ela logo trocou de câmera e, ao longo de uma elogiada e consistente carreira, seguiu os principais preceitos do casal Becher: registros sobretudo de arquitetura, marcados pelo distanciamento austero e pela ausência de figuras humanas.

Isso não quer dizer sisudez impenetrável ou frieza. Ao contrário, nessas imagens Candida mergulha no silêncio do interior de igrejas e teatros como forma de investigar os vestígios das pessoas nos espaços representados. Há neles uma melancolia intrínseca e uma impressão de grandiosidade (favorecida pelo tamanho maiúsculo das impressões, algumas com 3 metros de largura) que chega a fazer o espectador se sentir insignificante diante de tanta opulência.

Ao mesmo tempo, nunca se perde a noção de quanto os prédios só estão ali devido ao efeito do progresso industrial e tecnológico. Entre as peças, algumas foram realizadas no Brasil. Salta aos olhos a explosão de luz causada pelo ouro da Igreja de São Francisco de Assis, em Salvador. A artista consegue ainda extrair impacto tanto ao clicar o neoclassicismo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, quanto o modernismo de Oscar Niemeyer no Congresso Nacional, em Brasília.

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