Conheça os brasileiros que participam da Bienal de Veneza

Inaugurado no último sábado (13), o evento anunciou menção honrosa ao pavilhão nacional do Brasil

Entre os eventos mais relevantes de arte do planeta, a Bienal de Veneza é uma vitrine sem precedentes para os artistas convidados. Inaugurada no último sábado (13), a 57ª edição reúne obras assinadas por 120 nomes de cinquenta países. Entre eles, cinco são brasileiros. Conheça Cinthia Marcelle, Ayrson Heráclito, Ernesto Neto, Paulo Bruscky e Erika Verzutti, que representam o Brasil na mega-exposição da cidade italiana:

 

Cinthia Marcelle

A artista mineira de 43 anos foi convidada para representar o Brasil na Bienal – e ela fez isso muitíssimo bem: o pavilhão do Brasil ficou em segundo lugar entre os pavilhões nacionais (a Alemanha ganhou na seleção). A menção honrosa é inédita em quase três décadas de premiação no evento.

O trabalho Chão de Caça é composto por um piso de grades que cobre todo o pavilhão, remetendo às tampas usadas em sistemas de esgoto ou metrô, e também às prisões. Nos espaços entre as faixas de metal, Cinthia encaixou pedras colhidas nos arredores do prédio. Hastes de madeira foram fixadas na estrutura do piso, equilibrando pinturas em tecido (elas lembram estruturas feitas por presos em rebeliões). Por último, há também um vídeo de prisioneiros que se preparam para uma fuga, citando os massacres nas penitenciárias brasileiras que aconteceram nos últimos meses. O trabalho tem coautoria de Tiago Mata Machado.

No auge de sua carreira artística, Cinthia também apresenta a instalação Educação pela Pedra, no Moma PS1, filial do museu nova-iorquino, localizada numa antiga escola pública.

Ayrson Heráclito

O artista baiano estuda a estética dos rituais ligados à cultura afro-brasileira. A partir de performances – feitas por outras pessoas ou por ele mesmo – Ayrson produz vídeos ou fotografias que são como catarses: ele acredita que a arte é uma forma de cura. Convidado para participar da mostra principal da Bienal de Veneza – no pavilhão dedicado aos mágicos e aos xamãs – o artista de 49 anos e nascido na cidade de Macaúbas é praticante do candomblé há 27 anos.

Sacudimentos, nome dos dois vídeos apresentados na exposição, é também o título de rituais em que folhas sagradas são batidas nos cantos das casas e nas paredes para afugentar espíritos mortos. Gravados próximo à Praia do Forte, na Bahia, e no Senegal, os vídeos foram feitos em monumentos históricos e ligados ao passado escravocrata. Sua ideia é afugentar o fantasma dos colonizadores que criaram o processo de escravidão.

Ernesto Neto

Feitas de meias elásticas, redes e crochês, as instalações de Neto chamam o público para passear pelas estruturas que desafiam a gravidade. Coloridas e chamativas, as obras provocam todos os sentidos dos visitantes em ambientes imersivos. Para isso, Neto não tem limites: basta lembrar da exposição no Instituto Tomie Ohtake, em 2014, na qual o artista ofereceu ao público a ayahuasca importada do acre.

Desta vez, o carioca exportou um grupo de seis índios do mesmo estado brasileiro direto para Veneza. Os índios huni kuin saíram pela cidade italiana numa performance que durou cerca de meia hora, a qual chamou de dança da jiboia. Ele também criou uma sala com teias gigantes feitas em crochês, pedaços de madeira jogados no chão e almofadas. Um dos artistas contemporâneos brasileiros com maior visibilidade mundialmente, Ernesto Neto chama atenção à situação dos povos indígenas no Brasil, que vem perdendo cada vez mais espaço.

Paulo Bruscky

Para tentar passar despercebido pela censura na época da ditadura, o recifense Paulo Bruscky fazia circular suas ideias por meio do serviço de postagem. Cartas, postais, fotocópias e anúncios de jornal eram seus suportes preferidos. Para a Bienal de Veneza, Bruscky escolheu o mesmo serviço: ele enviou trinta caixas à cidade italiana, que chegaram de barco e depois foram levadas por trinta carregadores até o local onde se concentra o evento.

Bruscky defende a ideia de que a arte e a vida andam sempre juntas – por isso, não poderia deixar de trazer uma performance que poderia passar despercebida, como um acontecimento cotidiano do evento. A diferença é que, dentro das caixas padronizadas e etiquetadas não havia obras de arte: elas estavam vazias. Com isso, ele faz uma crítica à falta de profundidade das obras contemporâneas que, a sua vista, são meros objetos de consumo.

Ele também apresentou um trabalho na qual artistas vestem camisetas que completam as palavras Poesia Viva.

Erika Verzutti

A artista paulistana participou da última Bienal de São Paulo, em 2016, e logo foi escalada para o time de brasileiros em Veneza. Ela apresenta a escultura Turtle, uma tartaruga de papel machê, e Pet Cemetery, uma série de obras feitas em concreto, bronze, resina e cerâmica espalhadas em um dos jardins da cidade italiana.

Para esta última série, Erika teve como referência imagens de túmulos de animais e as esculturas que seus donos colocam neles. Criou, então, esculturas de todos os animais que pudesse pensar, explorando diversos materiais e suas propriedades.

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