Artistas da Japan House revelam bastidores de suas criações

Conheça os três nomes de peso do Japão que atravessaram o mundo para produzir suas obras por aqui

 

“O bambu é o ingrediente secreto da cultura japonesa”, afirma Marcello Dantas, curador da Japan House, que será inaugurada neste sábado (6) na Avenida Paulista. Para a mostra de abertura do centro cultural, Bambu – História de um Japão, o curador trouxe cerca de cinquenta peças feitas com a planta para abordar assuntos como artes marciais, literatura, vida agrícola e gastronomia.

Mas as grandes estrelas da exposição são, sem dúvida, as três instalações de grande porte construídas por aqui. Conheça os artistas e as técnicas inusitadas que estão por trás de cada uma delas:

 

Chikuunsai IV Tanabe

A espécie de árvore retorcida de 3 metros de altura foi criada por Chikuunsai IV Tanabe, que demorou cerca de uma semana para realizá-la. O artista de 44 anos, nascido em Osaka, representa a quarta geração de uma família de artesãos de bambu: ele é hoje a mais alta autoridade na escala de reconhecimento da prática.

Desde a infância, Tanabe vem lidando com técnica milenar do casulo de abelha (sem cola, nem pregos) para materializar seus desenhos. Os bambus de tigre utilizados na obra de Japan House – entre 200 e 300 troncos da planta – estão sendo reutilizados por ele há sete anos para montar obras ao redor de todo o mundo. Assim como toda a cultura japonesa, sua arte também é sustentável.

Shigeo Kawashima

Aos 21 anos, Kawashima entrou para uma escola de manuseio de bambu, na província de Oita, no Japão. Ali, ele aprendeu técnicas para criar vasilhas, peneiras e outros objetos de uso cotidiano (no mundo, existem 6 000 usos catalogados para o bambu). “Percebi que aquilo não era o suficiente para me expressar”, conta o artista. “Incorporei as técnicas tradicionais para produzir obras de arte”, explica.

Hoje, aos 59 anos, o artista-artesão é um dos mais aclamados do Japão na categoria. A partir de um desenho inicial, Kawashima articula centenas de ripas e o detalhamento de cada obra depende do tempo que dispõe para incluir mais tiras na peça. A instalação da Japan House foi construída ao longo de dez dias e a partir de trinta bambus de 3,5 metros de comprimento. A peça-chave da sua técnica são os nós feitos com barbantes, linhas, acrílico ou vinil que, normalmente, são retirados depois que a obra encontra o equilíbrio.

“É a primeira vez que monto minha obra ao lado de outra feita de bambu”, afirma Kawashima, que tem a ajuda de três assistentes brasileiros. “E acho difícil criar um ambiente em que elas não entrem em conflito”.

Akio Hizume

Para Hizume, a técnica para manuseio do bambu é matemática. O arquiteto de 56 anos nascido em Nagana estuda a sequência de Fibonacci a fim de construir instalações de bambu que se sustentem sem qualquer amarração. Depois de construir maquetes de cidades completas e escrever diversos livros sobre o tema (ainda não publicados), ele decidiu aplicar seus conhecimentos na arte contemporânea.

“Eu crio fórmulas para que minhas obras tenham lados exatamente iguais”, explica o artista sobre o trabalho de 600 estacas e doze faces localizado na área externa da Japan House. “Só assim elas podem se sustentar”, acrescenta.

 

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