89 FM reinveste na fórmula da “rádio rock” para recuperar o sucesso

Uma das frequências mais queridas da cidade volta a tocar Led Zeppelin, Pink Floyd e Yes

Led Zeppelin, Pink Floyd e Yes, entre outras grandes bandas dos anos 60 e 70, ganharam o apelido de dinossauro quando os estilos musicais que representavam começaram a sofrer um lento processo de extinção. No dial paulistano, uma emissora com um certo ar jurássico (no bom sentido, é claro) reapareceu na praça no mês passado. Fiel ao gênero que a tornou conhecida, ou seja, com dedicação integral ao rock, a 89 FM tenta voltar a ter a mesma relevância e, principalmente, começa a repetir o sucesso que fazia até meados da década de 90, em meio a uma concorrência que atualmente investe pesado no sertanejo, no pagode e em outros ritmos da moda.

Com o prefixo UOL agregado ao nome (o portal de notícias virou o parceiro nesta fase de retomada) e localizada na tradicional frequência 89,1 MHz, a rádio teve um retorno promissor. Após as primeiras semanas de transmissão, encontra- se em décimo lugar no ranking do Ibope, com uma média de mais de 91.000 ouvintes por minuto. É hoje a segunda em audiência entre as emissoras focadas no público jovem, atrás apenas da Mix FM (106,3 MHz). Sua página criada no Facebook atingiu a marca de 260 000 fãs. Os responsáveis acreditam num desempenho ainda melhor nos próximos meses, graças aos saudosos trintões e quarentões que curtiam as antigas atrações. “Nossa ideia inicial era apenas transmitir pela internet”, conta um dos donos, José Camargo Junior (sua irmã, Denise, também está envolvida na operação, sendo responsável pela área de marketing). “Logo que divulgamos o negócio, muita gente nos procurou dizendo que até trabalharia de graça conosco.” 

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A nova programação traz de volta alguns programas e locutores. “Quando fui convidada, aceitei antes mesmo de ouvir a proposta”, conta Luciana Salomão, ou simplesmente Luka, mais uma vez à frente do Hora dos Perdidos, um dos grandes campeões no passado, com uma salada que mistura conjuntos clássicos a grupos ainda pouco conhecidos (com o Thiago Deejay, ela também apresenta o Madrugada Insana). Outra figura que retorna é João Carlos Godas, o Tatola, responsável pelos programas Rock Connection, Quem Não Faz Toma e Temos Vagas. Entre as novidades, o guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, comanda, ao lado do filho Yohan, de 15 anos, o Pegadas de Andreas Kisser, em que troca figurinhas sobre o atual cenário musical com o adolescente. “A 89 foi uma das primeiras a tocar minha banda”, lembra Andreas. “Ela sempre revelou talentos e vai ser fundamental para descobrir os sons que estão rolando nas garagens da cidade.”

A emissora estreou no dial em dezembro de 1985. Sua fórmula, que aliava rock a uma linguagem jovem, rendeu sucesso imediato. Nomes de peso passaram a fazer parte do casting, como a cantora Rita Lee, com o programa Rádio Amador. A lista de atrações incluía o hilário Sobrinhos do Ataíde, escrito e interpretado por Paulo Bonfá, Felipe Xavier e Marco Bianchi. Com esquetes de humor veiculados entre 1995 e 1999, o trio lançou personagens que deixaram saudade entre os fãs, caso do surfista abobalhado Peterson Foca e da suburbana Waleska Cristina, generosa em curvas e econômica no intelecto. Com a ascensão de ritmos como o pagode e o sertanejo, a vida ficou mais difícil.

Em 2006, depois de ver a audiência despencar cerca de 30%, a emissora mudou de perfil, apostando em uma linha mais comercial. Saíram clássicos como Bob Dylan e Jimi Hendrix, entraram os hits de Britney Spears e Mariah Carey, entre outros. Os novos ouvintes, porém, não foram suficientes para pagar a conta. “No ano passado, operamos no vermelho”, afirma Camargo. “Chegamos a pensar em arrendar a rádio.” A reviravolta ocorreu quando ele convenceu os executivos do UOL a patrocinar o retorno do bom e velho rock’n’roll à programação. Está dando certo.

Box - As campeãs do dial

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