Voos customizados ganham espaço e chegam a custar 100 000 reais

O trajeto em um avião de aluguel pode ser feito totalmente sob medida, do cardápio à decoração

Em um Boeing 737-700 decorado com flores e as iniciais dos noivos bordadas nos apoios dos assentos, comissários servem champanhe para os convidados de um casamento. Não é um voo qualquer, e sim um charter personalizado que partiu de Londres para uma festa na Côte d’Azur, no sul da França, seguindo estritamente os desejos expressos pelos noivos ingleses. Esse é apenas um exemplo do serviço de customização de voos — de pequenos jatos para um passageiro solitário a um avião de carreira para 200 pessoas —, oferecido no Brasil por companhias internacionais como a inglesa Chapman Freeborne a alemã Pro Sky.

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Essa última, com dezenove anos de atuação na Europa, chegou ao Brasil há pouco menos de dois anos. “O mercado corporativo ainda é nosso grande cliente aqui, mas aos poucos os passageiros estão descobrindo as vantagens das viagens de lazer feitas totalmente sob medida”, diz Carolina Dal Bello, diretora da Pro Sky do Brasil. Além de ajustar o cardápio, o entretenimento e o ambiente a bordo ao gosto do freguês, incluindo a mudança de cores da cabine e móveis e objetos de decoração, a empresa destaca um gerente de voo para cuidar dos detalhes que possam resultar em esperas ou aborrecimentos – o check-in para o embarque, por exemplo, pode ser feito no hotel.

O preço do serviço varia enormemente, mas, para se ter uma ideia, um voo em um Gulfstream G550 (com capacidade para cerca de quinze passageiros) de São Paulo ao Rio de Janeiro custa em torno de 100 000 reais. O DJ e produtor suíço Antoine Konrad, conhecido como DJ Antoine, é um dos que abandonaram os voos convencionais depois de conhecer os mimos dos customizados. “Viajo com a mesma tripulação, porque ela já sabe do que gosto”, explica. Entre as exigências, estão o ar condicionado levemente mais quente do que o usual e um champanhe da marca favorita sempre à disposição. Os pedidos podem ser mais excêntricos. Ou, ao contrário, surpreendentemente prosaicos.

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É o caso de um jogador de futebol da seleção turca que solicitou um jato de última hora para viajar de Londres, onde atua, a Istambul. “Abastecemos a aeronave com os queijos e os vinhos mais exclusivos que pudemos encontrar, mas pouco antes do embarque ele disse que só queria kebabs”, conta Carlos Oliveira, gerente de customer services da Private Jets. A banda de um astro britânico – que esteve no Brasil no ano passado – também só fazia questão de um item a bordo do Boeing 737-800 e do Airbus A320 em que se deslocava pelo país: bloody mary.

A Pro Sky orientou os comissários para servir o coquetel inglês com perfeição e todo mundo voou feliz. Mais insólito, lembra Oliveira, foi o caso de um voo preparado para seis passageiros de origem suíça, sem que o cliente especificasse o que deveria ser levado a bordo. “Preparamos o que havia de melhor e mais variado em comida e entretenimento, e só no check-in fomos informados de que os passageiros eram, na verdade, seis cães.” 

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