Helô Rocha veste celebridades como Carolina Dieckmann e Anitta

Herdeira da Riachuelo, a estilista da grife Têca conquistou fashionistas e críticos de moda com seus vestidos coloridos, que custam quase 5 000 reais

Quem passa em frente ao sobradinho número 1342 da Alameda Franca, nos Jardins, mal percebe o nome da butique Têca na casa de fachada recuada. As moças de olhar atento e ligadas em moda, no entanto, ficam vidradas nos vestidos coloridos expostos na vitrine e reconhecem ali peças usadas recentemente por Grazi Massafera, Carolina Dieckmann e Eliana, entre outras estrelas. A recorrência das roupas feitas pela estilista e proprietária da marca Helô Rocha entre as celebridades chegou ao auge na entrega no mês passado do prêmio Melhores do Ano, o Oscar do Domingão do Faustão. A cantora Anitta e a atriz Paolla Oliveira foram ao evento com o mesmo longo de mangas compridas, que só variou na cor: verde-musgo, para a primeira, e azul-marinho, na segunda. No dia seguinte, o modelo de 2 042 reais se esgotou na loja e havia fila de espera para ter um igual.

 

A coincidência (comentada à exaustão nas redes sociais) ocorreu porque a grife é hoje uma das preferidas dos stylists, profissionais responsáveis pelo guarda-roupa de famosas, que emprestam produtos da Têca para elas vestirem. “As criações da Helô têm identidade, além de serem românticas e sexy na medida”, justifica Yan Acioli, que cuida do visual de Anitta e Sabrina Sato. A cada empréstimo, tornam-se mais populares os vestidos confeccionados em seda, com estampas inspiradas em estilos como art déco e art nouveau, desejados por fashionistas e patricinhas cool, dispostas a pagar quase 5 000 reais por um deles. Das marcas nacionais, é hoje uma das mais caras.

Esses preços põem Helô Rocha, de 33 anos, no ramo oposto ao de sua família paterna, acionista da rede de fast fashion Riachuelo. “Eu poderia trabalhar com meus tios e primos, mas sempre desejei ter uma carreira independente e autoral”, explica. Nascida em Porto Alegre e criada em Natal, elaveio para São Paulo aos 20 anos para estudar moda. Em 2005, lançou a primeira versão da Têca, batizada assim em homenagem à avó Terezinha Rocha. “Nessa época, as roupas eram curtas, quase para adolescentes. Meus clientes eram principalmente multimarcas japonesas”, conta. O investimento no mercado internacional ocorreu desde o início — além do Japão, hoje ela está num showroom em Nova York. Além disso, mantém uma filial em Natal.

A Têca se projetou quando deixou de lado os minivestidos e passou a investir em longos esvoaçantes, incrementados por técnicas como o devorê (processo químico que cria transparências no tecido), e se aplicou na pesquisa de estampas. “Amadureci, e o mesmo ocorreu com minhas roupas”, diz a estilista. Sua irmã, a cantora Roberta Sá, ajudou a difundir as peças, usando-as em shows. Mas a cantora que alçou Helô à fama foi Preta Gil. “Lembro de estar no camarim, após uma apresentação em São Paulo, e aquela garota, meio gordinha e de visual original, com um turbante na cabeça, me procurou e me convidou para conhecer sua loja”, diz Preta. “Fui e amei. Comprei presentes para Ivete Sangalo e Carolina Dieckmann, que também se tornaram clientes fiéis. Sou sua garota-propaganda”, assume a cantora.

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Os críticos também passaram a prestar atenção em Helô. “Ela começou meio tímida mas, nas duas últimas estações, chegou ao auge”, analisa a consultora de moda Costanza Pascolato, uma das que ocupam as primeiras fileiras de seus desfiles na SP Fashion Week. “Helô faz o estilo de que a brasileira gosta, com um pé nos anos 70 e uma pegada meio vintage, em roupas superfemininas, sem ser periguete.” É com esse “jeitinho” que Helô agora quer expandir a empresa para outros países do exterior. Recentemente, esteve em uma feira em Paris para negociar sua entrada nos mercados da França e da Inglaterra. Curiosamente (ou não), aos poucos, começou também a se aproximar da Riachuelo. No ano passado, assinou para a rede uma coleção a preços de até 289,90 reais. As peças se esgotaram rapidamente. “Quero repetir a dose num futuro próximo”, conta. “É uma forma de fazer um número maior de pessoas conhecer o meu trabalho.”

 

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