Beber está cada vez mais caro em São Paulo

Dólar alto e mudanças de imposto fazem os preços dispararem; donos de estabelecimentos tomam medidas para evitar fuga de clientes

Em tempos difíceis para a economia, nos quais mais gente está de olho no lado direito de cada página do cardápio (a que mostra os preços, não os rótulos), os valores andam mais elevados do que nunca.

+ Bar dedicado ao gim-tônica é inaugurado nos Jardins

O maior vilão (desta vez) não é a margem de lucro dos estabelecimentos, mas um contexto desfavorável, a começar pela alta do dólar, que operava abaixo do patamar de 3 reais há doze meses e, agora, oscila na casa dos 4 reais.

Além disso, em dezembro mudaram as regras do imposto sobre produtos industrializados(IPI) para vinhos e destilados. As tarifas fixas, de no máximo17,39 reais por garrafa, transformaram-se em mordidas porcentuais de até 30%.

Uma cerveja escocesa que o empresário Paulo Leite, do Empório Sagarana, comprava por cerca de 20 reais no fornecedor passou a custar 34 reais em menos de um ano. Para o freguês, o valor saltou de 39 reais para 68 reais. A bebida encalhou e acabou cortada do menu. “O jeito é continuar diminuindo as marcas importadas.”

Ambiente do bar Bardega

Ambiente do bar Bardega

Em outras casas da cidade, são adotadas medidas semelhantes para não afugentaro público. “Recebemos quatro tabelas de mudança de preço durante o ano passado”, afirma o sommelier Gabriel Raele, do Bardega, no Itaim. “Antes, era só um reajuste por ano.”

Ele optou por trocar a maior parte dos rótulos por pedidas simples. É o caso do espanhol Ontañón Reserva, que deu lugar a seu par mais básico, o Ontañón Joven. “Se algum item ficar com o custo elevado demais, procuraremos eliminá-lo”, garante Edgard Bueno, sócio dos bares da Cia.Tradicional de Comércio.

Efeito da mesma disparada, a importadorade cervejas Bier & Wein deixará de lado algumas marcas. “Nossa margemde lucro é 40% menor do que em janeiro de 2015”, diz o diretor Marcelo Stein.

Sócio da importadora de vinhos que leva seu sobrenome, Antoine Zahil relata que nunca recebeu tantas ligações de donos de restaurante preocupados mais com as cifras do que com a qualidade. “Logo, assistiremos à volta do contrabando debebidas do Paraguai”, exagera.

arte_bebida

arte_bebida

 

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s