Tenda montada na Cracolândia atende apenas 72 usuários

Os assistentes sociais da prefeitura abordaram mais de 1 000 viciados no fim de semana, mas a grande maioria se recusou a ser atendida no espaço

Montada pela prefeitura na sexta-feira (26) com o objetivo de atender usuários de drogas que permaneceram na região da Cracolândia mesmo após a operação policial contra o tráfico de drogas realizada há pouco mais de uma semana,  a tenda do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps), entre a Rua Helvétia e a Alameda Cleveland, atendeu apenas 72 usuários de drogas neste fim de semana.

Deles, 46 foram examinados pelos dois psiquiatras que ficam 24 horas à disposição no local; e 26 se apresentaram por conta própria, pedindo para serem internados. 

Na operação da prefeitura, que contou com médicos e assistentes sociais atuando nas imediações, foram abordados 1 160 viciados. Desse total, 610 recusaram atendimento e 550 foram encaminhados para os chamados Centros Temporários de Acolhimento ou para o serviço público de saúde. 

A tenda foi montada no mesmo dia em que a Justiça autorizou a internação compulsória de viciados pela prefeitura. Em entrevista a VEJA SÃO PAULO, o médico Drauzio Varella afirmou que essa medida não é adequada, pois só deve acontecer em situações extremas, nos casos de risco de morte por saúde debilitada, e não é a realidade de todos. “Parte dos usuários da Cracolândia consegue decidir se quer ou não iniciar um tratamento”, afirma.

O especialista explicou que, muitas vezes, assim que acaba o período de internação compulsória, o dependente fica sem opções e retorna para o chamado “fluxo” em busca de abrigo. “Ali é o local em que ele conhece as pessoas e consegue sobreviver, após o abandono da família. É o único lugar onde se sente seguro.”

Além de desmontar o chamado “feirão de drogas” que funcionava na região da Luz, a operação policial do último dia 21 dispersou o fluxo de usuários e traficantes, que se espalharam e formaram 23 mini-cracolândias, do Minhocão à Avenida Paulista.

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