Tempo de semáforo vai ficar 20% maior

Medida ainda não tem data para começar e foi pensada especialmente para os idosos, maiores vítimas de mortes por atropelamento

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) vai aumentar em 20% o tempo de travessia dos semáforos para pedestres da capital paulista. A medida ainda não tem data para começar, mas os primeiros semáforos que devem mudar ficam na Avenida Mateo Bei, Zona Leste, histórica via de mortes por atropelamento. A medida foi anunciada ontem pelo secretário de Transportes, Sérgio Avelleda, como parte do Maio Amarelo, mês de segurança no trânsito.

Atualmente, os semáforos estão sincronizados para que o pedestre percorra um metro de via a cada 12 segundos. Com a mudança, o prazo deve crescer para perto de 15 segundos.

Esse tempo é pensado especialmente para os idosos, maiores vítimas de mortes por atropelamento. Dos 42 pedestres mortos no trânsito no mês passado na cidade, 25 tinham mais de 50 anos. Conforme o Estado publicou na sexta-feira, o número de mortos por atropelamento aumentou 30% nos três primeiros meses deste ano.

Francisca Coutinho, de 90 anos, diz não saber se já está na terceira, quarta ou quinta idade. Moradora da Pompeia, na zona oeste paulistana, ela costuma atravessar “quase correndo” a faixa de pedestres que liga o Sesc e um supermercado do bairro. “É perigoso. Só não aconteceu algo grave comigo porque tomo muito cuidado”, diz.

O relato de Francisca demonstra o que foi constatado por um estudo brasileiro recém-publicado na revista científica britânica Journal of Transport & Health. Segundo esse levantamento, a velocidade média do caminhar dos idosos na capital paulista é de 0,75 metro por segundo, enquanto a levada em consideração pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) até agora para a regulação dos semáforos de pedestres era de 1 a 1,2 m/s, dependendo do cruzamento semaforizado.

A pesquisa analisou dados coletados em 2010 em visitas às residências de 1.191 idosos, com idade média de 70,1 anos. Ela é assinada por Etienne Duim, Maria Lucia Lebrão e José Leopoldo Ferreira Antunes, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, vinculados ao projeto Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (Sabe).

Etienne, moradora de Perdizes, na zona oeste, afirma que já havia reparado nas dificuldades de locomoção dos vizinhos. “Observava eles correndo, apressando o passo para atravessar a rua, esperando para o sinal abrir durante muito tempo, ficando expostos ao sol, à chuva e à poluição”, relata.

Ela afirma que, além dos idosos, outros grupos são potencialmente prejudicados pelo cálculo de tempo dos semáforos, como pessoas com deficiência física ou dificuldade de locomoção, crianças e pessoas que carregam peso.

Por causa do mês especial voltado aos acidentes de trânsito, a CET também prevê ações especiais de fiscalização em pontos onde há alta histórica de desrespeito à faixa de pedestres e ações educativas em locais de grande travessia. Hoje, uma dessas ações será na Avenida Paulista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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