Bancada tucana enfrentará oposição do vereador Suplicy na Câmara

Petista foi o mais votado na história da capital 

Na noite do último sábado, 1º, Eduardo Suplicy resolveu sair de casa para assistir ao musical Cartola, em exibição no Teatro Sérgio Cardoso, na Bela Vista. O que deveria ser um momento de relaxamento em fim de campanha se transformou em amostra da popularidade que se refletiria nas urnas poucas horas depois. “Mal consegui caminhar por causa da multidão que queria me cumprimentar e tirar fotos”, diz.

No dia seguinte, ele seria consagrado como o vereador mais votado da história do país, com apoio de 301 446 eleitores. O expressivo resultado do ex-senador, no entanto, não impediu o PT de perder duas cadeiras na casa legislativa nem o PSDB de ampliar sua presença no local. A partir de 2017, o partido do atual prefeito Fernando Haddad passará a ter nove integrantes, enquanto o rival se tornará a maior bancada, com onze.

+ Dez mudanças na nova gestão municipal 

A revoada de tucanos ao Palácio Anchieta fortalece João Doria, que assumirá a prefeitura em janeiro. Dos 55 políticos, 25 foram eleitos por sua coligação. O tamanho da base de apoio pode chegar a 44 nomes, considerando a costura de outros possíveis acordos (Fernando Haddad conta hoje com 32 vereadores). A situação ainda rende a preferência para emplacar o próximo presidente, posto hoje ocupado pelo petista Antonio Donato. “Naturalmente, as legendas que apoiaram a candidatura têm a expectativa de participar do governo”, diz o vereador Mario Covas Neto, presidente municipal do PSDB e forte candidato a presidir a Casa.

Outra marca da nova Câmara é o aumento da representatividade evangélica. Subiu de oito para quinze o número de vereadores ligados a grupos religiosos, com destaque para a igreja Assembleia de Deus, com cinco representantes. Outro crescimento expressivo foi o da presença feminina. A bancada chegou a onze integrantes, mais que o dobro da anterior

. Entre as novatas está a bacharel em letras Sâmia Bomfim (PSOL), de 27 anos, responsável por mobilizar milhares de pessoas nas redes sociais e em passeatas em combate à cultura do estupro e contra Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. “Serei a pedra no sapato de Doria”, promete.

Sâmia Bonfim

Sâmia Bonfim

Das manifestações populares vieram outros dois eleitos, o estudante de direito Fernando Holiday (DEM), 20, e a advogada Janaina Lima (Novo), 32, duas lideranças dos movimentos que defenderam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Vou compor a base do prefeito, mas se ele propuser absurdos, como o aumento de impostos, serei contra”, diz Holiday.

Em contraponto à chegada de rostos jovens, algumas das velhas raposas do legislativo municipal não conseguiram se reeleger. “Acho que a população quis que eu descansasse”, avalia Wadih Mutran (PDT), prestes a completar 33 anos na Câmara e frustrado na tentativa de iniciar seu nono mandato. Especialistas avaliam que a preferência do eleitorado pode trazer efeitos positivos para a política. “Os líderes nascidos nas ruas chegam com a capacidade de mudar o comportamento dos companheiros de plenário”, entende o cientista político Rubens Figueiredo.

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