Um roteiro com endereços da cultura árabe em São Paulo

Os marcos de sírios e libaneses na capital, colônia que comemora no próximo sábado, 25, a sua imigração

Faça um teste: tente cruzar a capital sem passar por ruas com sobrenomes sírios ou libaneses, ou mesmo encontrar um bairro que não abrigue pelo menos um restaurante de esfihas e quibes, entre outros quitutes e receitas típicas. Influente na gastronomia, na indústria e na política, a comunidade árabe ganhou em 2008 uma data comemorativa por aqui.

Não por acaso é 25 de março, que batiza o maior centro de comércio popular do país. A história das primeiras famílias imigrantes a fixar residência em São Paulo, no fim do século XIX, começa justamente nessa via. Vendedores ambulantes, os mascates ofereciam variadas mercadorias de porta em porta e foram os primeiros a fazer negócio na região.

(Reprodução/Veja SP)

 

1. Al Zahra
Em 2010, a empresária Julia De Biase passou a importar perfumes árabes, após uma temporada de sete anos nos Emirados Árabes. O negócio fez sucesso e se tornou loja física em 2015. As essências de patchouli, almíscar e sândalo custam entre 400 e 4 000 reais. Além das fragrâncias, o espaço vende o bakhoor, incenso feito de carvão, e incensários árabes decorados com pedrarias. Rua Dr. Melo Alves, 490, Cerqueira César, ☎ 3857-7523.

Al Zahra: essências e perfumes árabes (Divulgação/Veja SP)

2. Brasserie Victória
A libanesa Victória Feres desembarcou no Brasil aos 13 anos, e na década de 40 passou a produzir receitas que aprendeu com a mãe em seu país de origem. Em 1947, abriu seu restaurante, na Rua Cavalheiro Basílio Jafet, no centro. Desde 1982 no Itaim, o estabelecimento ficou sob o comando da matriarca até sua morte, no início dos anos 90. Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 545, Itaim, ☎ 3040-8897.

3. Club Homs
A história da agremiação começou em 1920, na Praça Antonio Prado, no centro, por iniciativa de 22 jovens sírios da cidade de Homs. Na época, só nascidos naquele país ou imigrantes da primeira geração poderiam ser sócios. Os principais atrativos eram jogos de dominó e taule (ou “gamão árabe”). A atual sede, na Avenida Paulista, foi construída em 1945 e conta com piscina, quadras e academia. Avenida Paulista, 735, Bela Vista, ☎ 3289-4088.

Empório Syrio: venda de frutas secas e cereias (Divulgação)

4. Empório Syrio
Ao trabalhar em feiras livres da capital no início do século XX, o libanês Wadih Cury sentiu falta de produtos de sua terra natal, como frutas secas e cereais. Para suprir a deficiência, abriu sua loja em 1924. Ao longo de quase um século, ela nunca saiu das mãos da família. Hoje seu filho João, de 80 anos, e o neto Ricardo estão à frente do negócio. Rua Comendador Abdo Schahin, 136, Centro, ☎ 3322-3640.

Escola Brasileira Islâmica: ensino dos princípios do Corão (Divulgação/Veja SP)

5. Escola Islâmica Brasileira
A única instituição da capital que ensina os princípios do Corão existe desde 1967 e atende da educação infantil ao pré-vestibular. As aulas de religião e língua árabe são realizadas no turno da tarde, sem obrigatoriedade para não muçulmanos. As rezas ocorrem duas vezes ao dia. O cardápio da cantina inclui receitas típicas como quibe e esfiha. Rua Pedro Malaquias, 34, Vila Carrão, ☎ 2782-7700.

Exposição Arte e Artesanato do Mundo Árabe: entre 25 e 31 na estação São Bento (Divulgação/Veja SP)

6. Exposição Arte e Artesanato do Mundo Árabe
A estação de metrô mais próxima da Rua 25 de Março foi a escolhida para sediar a mostra entre os dias 25 e 31 deste mês. A região, que reúne grande concentração de imigrantes árabes e seus descendentes, receberá mais de vinte peças de países como Omã, Iraque e Jordânia. A maior parte do acervo compõe a coleção de arte da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, organizadora da iniciativa. Metrô São Bento.

(Divulgação/Veja SP)

VIAGEM IMPERIAL
A relação diplomática entre o Brasil e países do Oriente Médio começou em 1876, quando dom Pedro II realizou uma excursão por cidades como Beirute e Jerusalém. Historiadores ressaltam que esse foi o pontapé inicial para a vinda de imigrantes sírios e libaneses nos anos seguintes.

7. Festival Sul-Americano de Cultura Árabe
Sempre realizado em março, o mês comemorativo da imigração árabe no Brasil, o evento chega a sua oitava edição. A abertura ocorre neste sábado (18), no Museu da Imagem e do Som (MIS), mas a programação passa por lugares como Biblioteca Mário de Andrade, USP, Museu Afro Brasil e unidades do Sesc. As atrações — ligadas a dança, teatro, poesia e artes plásticas — são organizadas pela Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul, Países Árabes e África. O festival vai até o dia 30. Rua Baronesa de Itu, 639, Santa Cecília, ☎ 99609-3188, e outros locais.

8. Memorial à Amizade entre Brasil e Marrocos
Em 1989, artesãos da Cooperativa dos Azulejistas da cidade de Fez, no Marrocos, vieram a São Paulo para construir o conjunto de mosaicos geométricos, presente do país africano ao Brasil. Além de celebrar a relação entre as duas nações, o monumento homenageia o rei Mohamed V, que governou o Marrocos entre 1955 e 1961. Rua Vergueiro, 1515, Paraíso.

9. Mesquita Brasil
Erguido em 1929 pela Sociedade Beneficente Muçulmana, foi o primeiro templo dedicado à religião islâmica na América Latina e é um dos principais espaços de influência árabe na capital. Realiza rezas toda sexta, às 12h. Não é permitido entrar no local com roupas curtas ou transparentes. Homens devem estar descalços, e mulheres, com a cabeça e os braços cobertos por um véu. Avenida do Estado, 5382, Cambuci, ☎ 3208-6789.

Fachada do Palacete Rosa, em estilo mourisco com minarete (Zeca Wittner/Estadão Conteúdo/Veja SP)

10. Palacete Rosa
Membros da família libanesa Jafet, que emigrou para o Brasil no fim do século XIX, dão nome a ruas do centro e da Bela Vista. Foi no Ipiranga, no entanto, que eles fixaram residência. É também ali no bairro da Zona Sul que está um dos legados do clã. Construído em 1927 por Munira e Davi Jafet, o casarão de 1 000 metros quadrados abrigou o Instituto Santa Olga, um internato de freiras para filhas de refugiados russos. Seu atual dono é o psicólogo Luiz Antonio Gasparetto. Rua Bom Pastor, 801, Ipiranga.

A Liga Árabe é uma organização de estados árabes que compreende 22 Estados, que possuem no total uma população superior a 200 milhões de habitantes: Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Qatar, Comores, Djibouti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Palestina, Síria (suspenso), Omã, Somália, Sudão e Tunísia.

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