Reintegração do Parque Augusta está prevista para esta quarta (4)

Juiz negou o pedido de ativistas que pedem a construção de uma área pública no terreno das construtoras Cyrela e Setin

O juiz Gustavo Coube de Carvalho, da 5ª Vara Cível do Fórum Central da Comarca de São Paulo, negou nesta terça (3) pedido de suspensão da reintegração de posse do terreno de 23 700 metros quadrados conhecido como Parque Augusta, entre as ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá, na região central de São Paulo.

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Ativistas estão acampados no local desde 17 de janeiro – e prometem uma “resistência pacífica”. A reintegração está marcada para ocorrer nesta quarta (4), com força policial. O terreno pertence às construtoras Cyrela e Setin, que pretendem erguer um conjunto de edifícios no local.

O pedido de suspensão havia sido protocolado na tarde de hoje pela Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc). “Todas as pessoas estão sentadas na mesa, negociando: o Ministério Público, o prefeito e as próprias construtoras. No nosso ver, não se justifica a reintegração de posse com uso de força policial. A gente vai passar por um trauma desses e, na semana seguinte, comemorar a existência do Parque Augusta?”, questiona a advogada Célia Marcondes, fundadora da Associação dos Moradores de Cerqueira César.

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Uma série de eventos, de mutirão de grafite à meditação kundalini, estão marcados para ocorrer até a provável chegada da Polícia Militar.”Todas as nossas decisões são horizontais e tomadas em assembleia”, diz uma das participantes do movimento, a jornalista Henny Freitas, de 33 anos. “O que posso dizer é que teremos o apoio, na madrugada de quarta, de vários outros grupos que atuam na cidade e estão solidários à causa”.

protesto parque augusta

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Ela destaca que neste pouco mais de um mês de ocupação – ou “vigília criativa”, como eles preferem chamar – do terreno, os ativistas desenvolveram uma série de atividades e melhorias. “O Parque Augusta começou a acontecer, pois já é frequentado pela vizinhança”, afirma ela.

De acordo com os ativistas, a área recebeu a visita de dez grupos de crianças, de colégios diferentes, para oficinas ambientais. Mais de 200 mudas de árvores foram plantadas – entre as quais, pau-brasil, embaúba, mogno, louro-pardo, açoita-cavalo – e o grupo construiu dois espaços de convivência com estruturas metálicas.

O terreno também ganhou internet wi-fi, com rede aberta a todos os frequentadores, uma pequena biblioteca comunitária e locais para destinação de lixo reciclável – catadores e uma cooperativa retiram o material. Também foram instaladas duas cisternas para coleta da água da chuva e duas composteiras.

Por meio de nota, as construtoras Cyrela e Setin, proprietárias do terreno, informaram que a decisão é do Poder Judiciário. A liminar foi concedida em favor das construtoras no dia 21 de janeiro.

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(Com Estadão Conteúdo)

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