Edo Rocha: entre a arquitetura e a arte

Dono do escritório que leva seu nome, empresário expõe trabalhos artísticos

Ao longo das décadas, estudiosos do mundo artístico esbarram numa discussão que parece ser infinita: definir o que é e o que não é arte. Para o arquiteto paulistano Edo Rocha, existem duas categorias: a arte em estado puro e a arte aplicada, ou seja, voltada a algum fim. Segundo essa lógica, a arquitetura, campo profissional em que Rocha, 63 anos, atua há quarenta, não é arte, mas arte aplicada. “Há uma série de regras no processo criativo do arquiteto que não existem no do artista”, diz.

Para dar vazão a essa liberdade de criação, ele mantém uma produção artística desde a adolescência. Seus primeiros trabalhos foram feitos aos 15 anos de idade, durante uma temporada de quatro anos em que morou em Salvador, na Bahia. Lá também fez sua primeira exposição, em 1964, no Instituto Goethe. É dessa época 1756911 DE, tela coberta por nanquim, tinta acrílica e lâminas de aço, um dos trabalhos mais antigos entre os 22 que estarão na exposição Edo Rocha: O Passado Presente, inaugurada na última quinta (14) e em cartaz na Ricardo Camargo Galeria até o próximo dia 23. Há algumas peças bem recentes, como a série feita em papel sobre papel ou a tela A Dura Armadura Mole, de gel acrílico sobre cobre, confeccionadas no ano passado.

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Telas e esculturas têm como tema preponderante os jogos de ilusão de ótica, em que o espectador pode enxergar coisas distintas dependendo do local onde se posiciona. “A proposta é provocar questionamentos e pequenas revelações”, diz Rocha, que afirma ter como mestre o artista plástico Wesley Duke Lee (1931-2010). O contato com seus trabalhos ocorreu por meio da Escola Brasil, na qual estudou em 1970. Voltada para experimentações artísticas, ela foi fundada por um grupode artistas fortemente impactados pela obra de Duke Lee.

Turning Point

Turning Point

De acordo com o crítico Jacob Klintowitz, Rocha está no momento mais amadurecido de sua trajetória. “Ele avançou simplificando o modo de fazer suas obras, que inicialmente eram muito focadas no tipo de material usado”, afirma. Para o crítico, o começo da produção de Rocha foi marcado pelo amor a determinadas matérias-primas, a exemplo do acrílico, que aparece na escultura Tu, Tub, Tubo, Tubos. “É uma espécie de maquete futurística de coisas que eu nunca vou conseguir construir”, diz Rocha. “A arquitetura tem seus limites, mas a imaginação sempre pode ser provocada.”

Tu, Tub, Tubo, Tubos

Tu, Tub, Tubo, Tubos

Seu escritório, que leva seu nome, tornou-se referência em prédios empresariais e em alguns empreendimentos mais ousados. Em parceria com a construtora WTorre, Rocha assina o projeto da nova Arena Palestra Itália, espaço multiuso que está sendo erguido pelo Palmeiras em Perdizes, no lugar do antigo estádio do clube. Uma aquarela exposta na mostra revela como ficarão os assentos da arquibancada, que vão formar um desenho geométricoi nspirado nas folhas das palmeiras. Ele assina ainda a planta do edifício da operadora Vivo, na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, onde uma escultura de 23 metros de sua autoria ocupa o vão central.

Prédio da Vivo

Prédio da Vivo

Por ano, quarenta projetos saem das pranchetas do escritório, que conta com oitenta funcionários e mantém suas atividades desde 1974, um ano após Rocha ter se formado na Faculdadede Arquitetura e Urbanismo da USP. Ele participou ainda da criação da Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura (Asbea) e do conselhodo Museu de Arte Moderna (MAM). Para conciliar a vida pessoal (está no quarto casamento e não tem filhos), a vida profissional e a veia artística, o jeito é improvisar. “Há momentos em que estou de terno para alguma reunião e me pego desenhando esboços de futuras telas”, diz ele.

Arena Palestra Itália

Arena Palestra Itália

 

Serviço: Edo Rocha: O Passado Presente. Ricardo Camargo Galeria. Rua Frei Galvão, 121. Tel.: 3031-3879 e 3819-0277. Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 14h.

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