Alex Klein assume o comando da Orquestra Sinfônica Municipal

Oboísta foi indicado pelos próprios instrumentistas, que em junho pediram a cabeça do então mandachuva, Rodrigo de Carvalho

No começo de 2004, após deixar o posto de principal oboísta da Sinfônica de Chicago por problemas de saúde, o gaúcho Alex Klein subiu ao palco do Teatro Municipal de São Paulo. Não carregava seu instrumento, ao qual dedicou a maior parte da vida, mas uma batuta. Estava desolado e otimista. Desolado porque chegara ao fim sua trajetória como músico — só comparável no Brasil à do pianista Nelson Freire e à do violoncelista Antonio Meneses — por causa de um distúrbio neurológico raro, a distonia focal, que causa descontrole muscular e dor em partes do corpo. E otimista porque aquele era um de seus primeiros passos como regente: estaria à frente da Sinfônica Municipal por alguns dias. Na semana passada, ele voltou a comandar a orquestra. Mas agora na função de maestro titular e diretor artístico do teatro — seu contrato vai até o fim de 2013. 

O nome de Klein constava de uma lista apresentada à prefeitura pelos próprios instrumentistas, que em junho pediram a cabeça do então mandachuva, Rodrigo de Carvalho, alegando “limitada competência artística”. Uma das primeiras medidas do novo chefe foi ouvir as reclamações dos músicos. “Se eu for visto como tirano, o resultado no palco será ruim”, afirma ele, que conduzirá apenas três concertos neste ano — o primeiro estava previsto para a última sexta (15), na Galeria Olido.

“Klein foi o melhor oboísta que o Brasil já teve, o que é suficiente para conquistar o respeito dos músicos”, opina Sérgio Martins, crítico musical da revista VEJA. Como acontece com a maioria dos virtuoses, sua carreira começou cedo. Aos 9 anos, quando ainda tocava flauta doce, transcreveu de ouvido a ‘Sinfonia Nº 40’, de Mozart. “Adorava essa composição e queria ter a partitura”, justifica. Durante os quase dez anos em que trabalhou na Sinfônica de Chicago, a orquestra faturou cinco prêmios Grammy — um deles com Klein como solista. O oboé não foi totalmente abandonado e costuma ser soprado duas vezes por mês, em concertos. “Se estudo antes das apresentações, minhas mãos doem e não consigo tocar”, explica.

 

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